HOSPITAL - Guerra deve colocar o cargo de provedor à disposição
“Sem um compromisso formal da Prefeitura em ajudar o Hospital, fica difícil mantê-lo funcionando”
Uma reunião extraordinária do Conselho Curador da Casa de Caridade Manoel Gonçalves, mantenedora do Hospital de Itaúna, está marcada para esta terça-feira, dia 10. Na ocasião, o atual provedor do Hospital “Manoel Gonçalves”, Antônio Guerra deverá colocar o seu cargo à disposição do Conselho, por estar concluindo o seu mandato. Já o vice-provedor, Francisco Mourão, que está passando por tratamento de saúde, deverá se despedir do cargo em missiva endereçada ao mesmo Conselho. A situação administrativa do Hospital é grave, e, diferente do que se informou à imprensa, o contrato de renovação com a Casa de Caridade para a manutenção do pronto-socorro/Plantão 24H ainda não foi sacramentado oficialmente, devido aos trâmites burocráticos e, conforme as expectativas, deve demandar ainda mais 30 dias.
Conforme o provedor afirmou com exclusividade à reportagem da FOLHA, esse atraso demanda prejuízo mensal de cerca de R$ 900 mil, que, somados os três primeiros meses do ano, representa R$ 2,7 milhões, ou seja, cerca de mais da metade da dívida corrente da entidade. “Sem um compromisso formal da Prefeitura em ajudar o Hospital, fica difícil mantê-lo funcionando”, desabafou o provedor, que apontou como principal problema da entidade os repasses do SUS que não são atualizados. Contou ainda o provedor que o Hospital melhorou a prestação de serviços e a produção, nos últimos tempos, mas o valor repassado pelo SUS não melhorou. “Precisamos conseguir junto ao Ministério da Saúde que esses valores de repasses ao Hospital sejam melhorados”, disse Antônio Guerra, que, inclusive, informou que já enviou correspondência ao Ministério da Saúde nesse sentido.
Porém, conforme apuramos, se não houver uma liderança política à frente dessas negociações, elas pouco andam e a solução não chega. Itaúna não conta, na verdade, com liderança política de expressão para atuar junto aos órgãos superiores da administração pública e, com isso, os processos não andam. E, assim, o funcionamento do Hospital necessita de aportes do poder público municipal, que, devido à burocracia, não anda na velocidade necessária. Com isso, a situação do Hospital vai se afunilando. Atualmente, há falta de insumos em vários setores, até mesmo no setor oncológico, e, conforme apurou a FOLHA, o fornecimento de oxigênio pode ser interrompido em breve, caso não aconteçam pagamentos que estão em atraso.
A questão legal da provedoria
Com o final do mandato de três anos de Antônio Guerra, e a saída de seu parceiro, Mourão, por questão de saúde, a situação fica ainda mais complicada. Conforme esclareceu à FOLHA, o provedor colocará o cargo à disposição, como manda a legislação. Caso não ocorra uma eleição de substituto, ou a sua recondução, ele deverá se manter no cargo por mais um ano, tempo que o Ministério Público teria para entrar na questão e definir um gestor. A expectativa é de que o Conselho Curador apele a Antônio Guerra para que ele se mantenha no cargo. Porém, como ele mesmo afirma, se não houver um apoio formal do Município, se comprometendo a ajudar financeiramente o Hospital, a situação fica bastante complicada. Na terça-feira, 10, pode surgir uma nova realidade para o Hospital, ou a crise se aprofundar.



