Para encerrar a “esculhambação”, uma postura de “Maria vai com as outras”
Acho que não tenho que pedir desculpas para ninguém por expor minha opinião, mas, por outro lado, penso que nem todos os participantes de um poder podem ser levados à “esparrela” por causa de atitudes não muito bentas e de caráter duvidoso de alguns que compõem uma instituição pública. Assim sendo, que me desculpem a minoria dos vereadores que não participaram da esculhambação que se tornou a “CPI do Compadrio”, levada a cabo por seus componentes, em minha opinião, um bando formado por pessoas mau-caráter, que infelizmente ainda são denominadas representantes do povo. Creio, por uma minoria que não sabe o que é estabelecer uma representatividade de fato.
Confesso estar boquiaberto com a cara de pau de alguns vereadores. Senhores como Antônio de Miranda, Kaio Guimarães, dentre alguns mais, já não assustam com suas posturas. Mas outros, que acabam de sair do armário, estes, sim, são motivo de lamento, pois poderiam demonstrar num primeiro mandato que teriam condições de representar de fato o povo que o escolheu, mas infelizmente estão fazendo o contrário com suas atitudes. O que o vereador Dalmo Assis, o Dalminho, homem de igreja, de debulhar terço e elevar as mãos aos céus, fez esta semana é de deixar qualquer homem de fé desanimado. Sinceramente.
Uma pessoa assinar um documento pedindo para que uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI fosse revista pelo plenário devido aos ritos absurdos e malfadados, onde se colocou os investigados para investigar os próprios. Ou seja... Sem comentários. É motivo de aplausos. Mas quando se acha que os absurdos chegaram ao limite do suportável, vem o excelentíssimo vereador Dalmo Assis, mesmo depois de ter assinado o requerimento solicitando o retorno da CPI ao plenário, e vota contra a sua própria assinatura. Ou seja, foi comprado? Foi afagado? Foi corrompido? Foi convencido? Ou foi mesmo por falta de caráter e/ou culhões?
Seja qual for o motivo, mostra com quem a população está lidando. Com pessoas que não têm nenhum compromisso com ela. Com pessoas que não são representantes de ninguém, a não ser delas mesmas e defensoras de seus interesses. E não adianta ir depois para as redes sociais com notas de esclarecimento, para dizer que o que importa é o trabalho para o povo, suas convicções e sua consciência. Conversa para “boi dormir”. É tentar explicar o inexplicável.
Não adianta tentar explicar ao eleitor que é isso ou aquilo e agir de forma diferente no plenário e no dia a dia do mandato, nos gabinetes e corredores. Ou seja, é preciso ser público em todos os sentidos e, mais que isso, transparente na essência do mandato. Na minha interpretação, não há outro adjetivo a ser empregado no caso Dalminho: “Maria vai com as outras”. Não é possível que uma pessoa pense de uma forma em uma semana e mude de ideia na outra. Ou pode ser síndrome de pânico...? Pânico e medo de não ser amigo do rei, de ser rejeitado, de não ser visto como o mocinho ou até mesmo de não conseguir assumir posições. Já mostrou isso em outras ocasiões. Não tem firmeza. Em minha opinião, é um bom moço. Mas não tem culhões para assumir posições. Uma pena. Mas a vida é dele, apesar de a vida pública ser de toda a população itaunense.
O interessante nisso tudo, e não só na postura do Dalminho, é que, em matéria que está sendo publicada nesta edição, na página 05, um estudo mostra que, em Itaúna, a Câmara Municipal não representa o perfil da população, ou seja, não representa o cidadão itaunense, isso conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral – TRE em dezembro de 2025, com o colégio eleitoral sendo de 70.045 eleitores. Aqui, como destaca o nosso colega jornalista Sérgio Cunha, a composição do Legislativo não segue o compasso de que as Câmaras Municipais são o retrato da comunidade. Como Itaúna é ímpar e é a terrinha de Borba Gato, não serve mesmo de base para estudo. Mas incrível como o estudo mostra que nada se encaixa e mostra que o eleitor não sabe como escolher de forma correta sua representatividade, e apenas vota, sendo levado por lideranças partidárias e propaganda eleitoral de “pé de ouvido”, que é muito comum em cidades interioranas, onde o candidato está muito próximo do eleitor, por causa de laços de amizade e/ou familiares.
Então volto a dizer que o que ocorreu na Câmara na terça-feira é nojento, mostra uma forma de atuar, digamos, capenga, no sentido esdrúxulo de que não se pode confiar no ser humano na essência da palavra. É lamentável. Não vai aqui nenhuma questão específica, mas uma unanimidade que considero burra.



