DESCOMPASSO - Câmara não representa perfil da população

DESCOMPASSO - Câmara não representa perfil da população

A fala de que a composição da Câmara Municipal é o retrato da população que a elege não se afirma em Itaúna. Conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais - TRE-MG, em dezembro de 2025, com 70.045 eleitores, a estratificação da população itaunense aponta a seguinte situação: 52% são do sexo feminino, e 48%, do sexo masculino; sendo que 44,36% se declaram brancos, 43,95%, pardos, e 11,57%, pretos. Em relação ao grau de estudo, as pessoas com ensino fundamental incompleto são a maioria, com 28,5% do total, seguida de quem possui o ensino médio incompleto, com 23,88%, e, praticamente empatados, os itaunenses que possuem o ensino médio completo, com 23,55%.

As pessoas que possuem o curso superior completo representam 8,87% da população; ensino fundamental completo, 5,28%; e quem apenas lê e escreve são 4,26%. Só então surgem as pessoas que possuem curso superior incompleto, que são 4,08%; e, por último, vêm aquelas pessoas que se declaram analfabetas, com 1,55%. Quando se faz a estratificação, nesses mesmos parâmetros, da composição da Câmara Municipal de Itaúna, chega-se à informação de que “o retrato” não corresponde à imagem real.

Dos 17 vereadores, 15 são do sexo masculino, ou seja, 88,23% do total. Apenas duas são mulheres, ou 11,76% do total. Números totalmente divergentes da realidade itaunense, que tem maioria da população do sexo feminino. Em relação à raça, não existem representes dos pretos na Câmara, conforme a declaração dos edis. Conforme consta da declaração feita por eles no ato da candidatura, só brancos e pardos ocupam cadeiras no Legislativo itaunense: 58,82% se dizem brancos, e 41,17%, pardos. Na estratificação da população, como um todo, 44,36% se dizem brancos, portanto, um índice bem abaixo do que ocorre na Câmara; e 43,95%, pardos, em um “empate técnico”. E 11,57% são pretos.

Outro verdadeiro “descompasso” entre a realidade itaunense e o “retrato” do Legislativo local está na relação de grau de instrução. Conforme as declarações dos eleitos, no momento do registro das candidaturas, sete deles têm curso superior incompleto, representando 41,17% do total. Outros seis, ou 35,29%, possuem ensino médio completo. Três possuem ensino superior, representando 17,64%; e um informou que possui ensino fundamental incompleto (5,88%). Enquanto isso, no município, as pessoas que possuem o ensino superior incompleto são 4,08%, o ensino médio completo, 23,52%, e o ensino superior, 8,87%. 

Portanto, quando alguém afirmar que as câmaras municipais são o “retrato” da comunidade, não acredite nisso sem antes fazer uma comparação. E as distorções só aumentam se os itens da estratificação forem ampliados. O que ocorre é que o eleitor, normalmente, segue uma sequência que lhe vem sendo imposta pelos partidos e lideranças políticas, que apostam em nomes que os representam e não naqueles que possam representar realmente os vários segmentos da sociedade, como apontam especialistas.

Também pode ser apurado na composição atual da Câmara de Itaúna que nenhum dos vereadores eleitos representam ideologia de “esquerda”, com ampla maioria de representantes da “direita” e “extrema direita”. Alguns dos eleitos podem ser definidos como representantes do “centro” em termos de ideologia política.

O descompasso é nacional

Um levantamento apresentado recentemente pela página do Instagram @gestaopublica mostra isso. Conforme esse levantamento, em 2024, 81,77% dos vereadores eleitos eram do sexo masculino e apenas 18,22% eram mulheres. A maioria tem o ensino médio completo (38,14%), seguida daqueles que têm ensino superior completo (35,34%). Metade dos vereadores foi reeleita no último pleito. 

Outra constatação é de que 57,2% dos eleitos defendem ideologias do espectro da “direita”; 23,8% se afirmam ser de “centro”; e 19% defendem ideologia de “esquerda”. Conforme especialistas, isso explica, por exemplo, o aumento de pautas ideológico-religiosas em detrimento de políticas públicas de real interesse das comunidades.