Secretário de Cultura fala com exclusividade à FOLHA
Convidado para uma entrevista, Marcinho Hakuna fez um levantamento de como encontrou a pasta, das ações já executadas e apresentou propostas para os próximos anos
Na manhã da quinta-feira, 5 de fevereiro, o secretário de Cultura de Itaúna, Márcio Gonçalves Pinto, o Marcinho Hakuna, foi recebido na redação da FOLHA para falar sobre as ações da sua pasta. Hakuna, que já foi vereador e presidente da Câmara, candidato a prefeito e que, ao se candidatar a deputado federal, ficou como suplente do seu partido, é empresário do setor e artista, sendo vocalista de um grupo musical. Sobre a Secretaria de Cultura, ele abordou o estado em que encontrou a pasta, as ações já executadas neste mandato, as próximas realizações do setor e os preparativos para o Carnaval 2026, o segundo sob a sua coordenação em Itaúna.
O secretário iniciou sua fala fazendo uma relação de Itaúna com a cultura, quando destacou que a cidade e os movimentos culturais se confundem e se misturam ao longo da história. Comentou que Itaúna é uma das poucas cidades mineiras a contar com três teatros, e relacionou o “Vânia Campos”, com 180 lugares, o “Sílvio de Matos”, com 380 assentos e o Grande Teatro da Universidade de Itaúna, que é dotado de cerca de 700 lugares. Hakuna falou ainda da relação dos itaunenses, há algumas décadas, com os cinemas, citando o Cine Rex e o Cine Bagdad, salas mais antigas, que antecederam o atual Cine Ritz. “Itaúna meio que se confunde com a cultura (movimentos culturais), com a arte, que está enraizada na sua história, desde antes mesmo de o município ser emancipado”, afirmou.
O sucateamento
Sobre a situação em que encontrou a pasta da Cultura, Marcinho foi enfático: “Quando nós assumimos, lá em janeiro (de 2025), nós encontramos uma Secretaria bastante sucateada, essa é a palavra. Especialmente no que tange aos prédios, aos equipamentos, à estrutura bastante degradada. Então, esse ano foi um ano de reconstrução, de recolocação, de realocação. E até em função disso, talvez, as questões artístico-culturais não tenham sido executadas da forma como eu gostaria. Sinceramente. Mas isso se justifica, né? Como é que eu ia trazer os artistas? O que eu poderia oferecer para eles? Se você não tinha uma infraestrutura, uma estrutura de qualidade?”, afirmou.
E continuou, informando que “nós trocamos 67 lâmpadas no prédio de 3 andares, isso sem contar o teatro, esquece o teatro, tá! Em 48 horas, nós trocamos 67 lâmpadas. Detalhe: as lâmpadas estavam todas no almoxarifado, num número muito maior. Nós chegamos e encontramos um dos banheiros interditados, banheiro de uso do público, no hall de entrada. Ele ficou interditado 6 meses por causa de uma válvula de descarga. E no almoxarifado tinha mais de 30 válvulas. Eu gastei menos de 10 minutos para resolver um problema de 6 meses. E eu que resolvi. Peguei uma chave de fenda, tirei, coloquei o reparo, abri. Coisa absurda! Ou seja, você resume isso como desorganização. Desorganização, descaso e desprezo. Primeiro pela coisa pública, mas especialmente pela classe artística”, falou Marcinho Hakuna, exemplificando a situação de verdadeiro abandono em que encontrou o prédio do Espaço Cultural, onde funciona a Secretaria de Cultura.
Sede da Secretaria está no lugar certo?
À pergunta do repórter da FOLHA se a sede da Secretaria, a parte administrativa da pasta, estaria bem situada, ao funcionar em um prédio que, teoricamente, deveria ser dedicado à promoção da cultura, como é o Espaço Cultural “Adelino Quadros”, o secretário fez uma comparação com um ditado popular: “O que engorda o porco é o olho do dono, sabe, Renilton? Então o fato de a Secretaria estar ali, eu acho que a gente cria uma conexão mais natural”, afirmou. E explicou, afirmando que “eu acho que ela vai estar no lugar certo (a Secretaria) quando a gente cumprir a acessibilidade. Nós temos algumas vantagens de estar ali. Primeiro, a localização. Segundo que nós temos em anexo o nosso estacionamento, que é um espaço precioso. E que poderia ser usado com uma possível ampliação. Eu nem posso falar que isso está no meu planejamento, porque eu costumo ser bastante pé no chão com relação às questões e nós temos outras prioridades agora enquanto Secretaria”.
Marcinho afirmou também que “a demanda é tão grande e a gente vem trabalhando numa velocidade, numa intensidade tal, que, por exemplo, a Casa de Cultura, o Museu, o Curumim e outros equipamentos que estão ligados à minha secretaria, eu não consigo ir lá da forma como eu gostaria. Porque não dá tempo, o dia ficou pequeno, tem dia que trabalho 14 horas, 16 horas...”. Com isso, explicou a importância de estar próximo das ações centrais, comparando que, se estivesse em um outro ponto, no prédio sede da Prefeitura, por exemplo, este distanciamento seria ainda maior.
O que foi priorizado nos primeiros meses
Em relação ao que foi priorizado pela sua gestão na Cultura, nos primeiros 12, 13 meses de mandato, Marcinho Hakuna fez algumas pontuações. “Acesso (foi a prioridade). As pessoas, nos últimos anos, elas não estavam tendo acesso às coisas básicas da Secretaria de Cultura, que eram os eventos. Você vê que, num passado recente, a cultura (a partir) de tal hora se limitou ao encontro de food truck. Não mais que isso. Além de algumas inserções que, inclusive, nem aconteciam por mérito da Secretaria de Cultura. Falo do Diversão em Cena, por exemplo, da Usiminas e de outras iniciativas mais que aconteciam porque elas tinham que acontecer em algum lugar. Mas, agora, a Secretaria mesmo, o que foi que ela fez até então? Isso é uma crítica minha, do Marcinho”. E completou: “Basicamente é isso. Então, observando esse movimento, e isso aconteceu há uns seis, oito meses antes de assumir. Antes mesmo da campanha, eu já estava observando como é que estava o movimento e tudo mais. Então a gente precisava tornar a cultura acessível”.
O secretário de Cultura disse também que, além de recompor as estruturas físicas do prédio do Espaço Cultural, onde funciona a Secretaria, foi necessário ir alterando os rumos da pasta, oferecendo serviços, oportunidades. “Instituímos dentro do calendário algumas ações que não aconteciam. Posso falar aí do Festival de Gastronomia, por exemplo, o ‘Sabor e Arte’, que foi um sucesso inquestionável, graças a Deus. Do ‘Motores em Cena’ e outros projetos mais, diga-se de passagem, a gente viabilizou, isso em parceria com projetos aprovados nas leis de incentivo, na Lei Estadual e na Lei Rouanet. E todos eles tiveram um resultado muito bom. Nós tivemos uma aprovação quase que unânime por parte da comunidade em geral”.
Fontes de recurso
Sobre as leis de incentivo como fonte de recursos para o financiamento da cultura, Hakuna disse acreditar que não há outro caminho. “É importante frisar o trabalho que nós fizemos com a Política Nacional Aldir Blanc. Inclusive, quando nós fizemos aquele StartCity (workshop realizado em julho de 2025), que foi um programa de formação voltado para os artistas, para os fazedores de cultura, para eles próprios aprenderem a fazer projetos, aprovarem os projetos e aprenderem a captar, inclusive. Porque, do ponto de vista institucional, os projetos, até então, não eram muito atraentes porque a abordagem, às vezes, não era a abordagem adequada. Então até a forma de abordar a empresa faz toda a diferença”.
Continuou o secretário dizendo que “a gente veio buscando esse preparo para que os artistas pudessem caminhar com as próprias pernas. Mas a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) tem sido um laboratório muito bom sob esse aspecto, porque várias das ações que nós fizemos, nós usamos elementos da PNAB, que, na realidade, não foi a Prefeitura que pagou. Já é uma Política Nacional, esse recurso já estava lá disponível e ele não chegava na ponta. Então a gente viabilizou que as pessoas tivessem acesso, o público em geral. Os artistas, por sua vez, conseguiram ganhar o seu dinheiro, fazer a sua arte, e o mais importante disso é que as pessoas puderam ver o que eles fazem, puderam conhecer. Até aqui, agora, durante a Fantástica Cidade do Natal, 90% de tudo o que aconteceu, de atrações culturais, nós não pagamos nenhuma. Foi tudo via leis de incentivo, 100%”, completou.
A “epopeia” da reforma do Museu “Francisco Manoel Franco”
A FOLHA abordou ainda na entrevista, a situação do Museu Municipal “Francisco Manoel Franco”, instalado em Itaúna no primeiro mandato do ex-prefeito Osmando (1989/1992) e que ficou parado por mais de uma década, tendo, inclusive, sofrido uma reforma na administração de Neider Moreira, quando a sala de exposições foi transformada em bar/café. Sobre a pergunta se o Museu já estaria funcionando adequadamente, Hakuna respondeu que não. E explicou os motivos: “Exatamente igual aos outros equipamentos. Nós recebemos em janeiro o Museu recém-inaugurado, já que ele tinha passado por uma reforma recente, uma reforma geral, e nós o encontramos com o telhado vazando. Choveu muito em janeiro do ano passado, e nós tivemos que fazer uma medida emergencial, porque as telhas, as calhas, tudo aquilo que eles usaram na reforma, quase, por muito pouco, não perdeu tudo”.
E explicou que a participação do cidadão Jean ... foi muito importante para resolver a situação do Museu. Com o telhado vazando, era necessário encontrar telhas francesas, fabricadas em 1910, ou com o mesmo formato, para fazer a substituição onde ocorriam vazamentos. “Então o Jean teve um insight, e lembrou que as estações do Centro e a de Santanense foram erguidas em uma mesma época e que as telhas poderiam ser iguais”, informou Hakuna. E, segundo ele, foi o que ficou constatado. Após uma ação paliativa, disse o secretário que agora o Museu já pode ser recuperado adequadamente. “Só agora, em função da burocracia e tudo mais, a gente conseguiu tirar todo o sistema de paleta de água lá, as calhas, rufos etc., tendo o cuidado de preservar o bem, porque ele é tombado, para a gente deixá-lo perfeito da forma como tem que ser.”
E acrescentou que, “no meio do caminho, nós descobrimos que havia uma conversa iniciada com a VLI e uma proposta de parceria para fazer a Estação de Memórias, que é um projeto que a VLI faz em várias cidades, onde tem as estações históricas, e é um projeto muito interessante. Eles já tinham começado o trabalho de pesquisa, então eu fui procurar a Vânia Cardoso, da VLI, nós restabelecemos a conexão, fizemos o termo de parceria novamente e, agora, exatamente nessa semana, a Estação de Memórias está sendo montada lá, mobiliário etc. Nós terminamos de fazer os reparos lá e já fizemos o teste, parou de vazar. Agora, definitivamente, não pingou uma gota a mais. Aumentamos a vazão das calhas, então acho que isso aí não será um problema a mais no futuro. Então a gente já entrega agora, em fevereiro, mais um benefício, mais um equipamento interessante, e eu pedi a eles que colocassem, já que são duas salas, a sala da Estação de Memórias, e eu pedi para eles colocarem dentro do roteiro da exposição elementos históricos que estão na sala 2. Então quem chegar no museu vai, primeiro, na Estação de Memórias, faz o circuito e depois vai lá criando o link com a história de Itaúna. Ao mesmo tempo, foi criada uma comissão para fazer a análise do lastro histórico das peças que estão no acervo, porque, nesses últimos anos, muita gente ficou depositando coisas que não tinham nenhum nexo, que não tinham nenhum valor cultural”.
O quadro que teria sido pintado por Di Cavalcanti e o presépio
Sobre uma pintura do retrato do cidadão itaunense João Dornas, que tem a autoria informada de Di Cavalcanti, a reportagem da FOLHA quis saber se está no Museu e em quais condições. Hakuna confirmou que a pintura faz parte do acervo e que foi até revitalizada, preservando as características originais. Já acerca do Presépio do Humberto Salera, as notícias não são as melhores. Marcinho disse que ele (o presépio) foi totalmente destruído e que “algumas pouquíssimas peças sobraram”.
Hakuna disse que conversou com o Tony Salera (empresário e bisneto de Humberto Salera) e que ele entendeu o valor histórico e a importância de uma proposta que deve ser encaminhada. Segundo o secretário, baseado em fotografias, vai ser tentada a reprodução das peças destruídas em uma impressora 3D, “e depois a gente vai recortar as peças que sobraram e colocar elas dentro. Então o presépio vai ficar branco, e as únicas peças coloridas serão as originais”. E acrescentou que “a gente vai recortar e colocar essas peças lá dentro e fazer um documentário que já está em andamento, mostrando o presépio, como ele era, e, naturalmente, falar da importância da preservação”.
Biblioteca e uma possível “incorporação” da Fundação “Maria de Castro”
Outro assunto abordado na entrevista foi em relação à Biblioteca Pública Municipal, que teria passado por situação de abandono ao final da administração anterior, e uma possível “incorporação” da Fundação “Maria de Castro”, criada pelo emérito cidadão itaunense Dr. Guaracy de Castro Nogueira. O jornalista e diretor da FOLHA, Renilton Pacheco, que é amigo da família do ex-vice-prefeito Guaracy, informou ainda que já ouviu da atual responsável pela fundação, Patrícia Nogueira, que essa situação seria possível. Alertou o jornalista que seriam necessárias algumas medidas na questão de gestão e fiscalização do funcionamento da referida Fundação, mas que, sim, seria perfeitamente possível que a Fundação “Maria de Castro” e todo o seu acervo fossem incorporados ao patrimônio público, via Biblioteca Municipal. E acrescentou ainda a possibilidade de um futuro funcionamento no atual prédio do Fórum “Mário Matos”, já que a sede do Judiciário em Itaúna deve ser levada para o prédio que está sendo concluído no Boulevard Lago Sul.
Marcinho Hakuna disse que se emocionou ao visualizar as possibilidades e que não tinha ainda pensado nessas possibilidades. “Eu não sei qual seria o instrumento jurídico perfeito que se poderia encontrar para fazer (a incorporação). Mas é fato que não faz sentido que a Fundação não esteja inserida dentro desse contexto. Por todos os motivos, os mais óbvios possíveis. Não sei se em termos de cooperação, em termos de parceria”. Sobre a possibilidade de se utilizar o prédio do Fórum para o funcionamento da Biblioteca, o secretário demonstra receios em relação à capacidade física do local para receber todo o acervo (da biblioteca e da fundação).
Porém pediu ao jornalista autorização para, a partir de agora, encampar a proposta e trabalhar pela possibilidade de incorporação da Fundação “Maria de Castro” pelo poder público e, ainda, de atuar para que o prédio do Fórum, a ser desocupado, seja direcionado para essa finalidade. E acrescentou que pensa ainda em sugerir que, na parte inferior da estrutura, seja instalado o terminal de ônibus urbano. Marcinho foi além ao divagar que “o cara desce no terminal de ônibus, ele vai ter à disposição uma biblioteca, uma fundação para consulta histórica...”.
Vânia Campos e a medida do Ministério Público que cobra abertura à população
A recente medida, informada aqui na FOLHA, de que o Ministério Público definiu que o SESI e a Prefeitura devem se unir para permitir que o Teatro “Vânia Campos” tenha mais abertura para uso da comunidade foi outro tem abordado. Inclusive, nessa questão, o jornalista Renilton Pacheco fez a sugestão de que seja aberto um acesso ao teatro sem a necessidade de as pessoas acessarem o espaço do SESI. Hakuna concordou com a possibilidade e disse que, coincidentemente, nos últimos dias, esteve tratando da questão com os artistas Jerry Adriane e Regina Glória, em nome do também teatrólogo Marco Antônio Lara, diretor da Associação Vânia Campos.
“Ontem estiveram lá comigo o Jerry e a Regina, a pedido do Cotonho. Era ele que iria, mas ele não pôde. Eu já tinha falado com ele, nós fizemos um processo seletivo para a Casa de Cultura com os oficineiros. Mas o fato é que eu não quis colocar essa oficina ao usuário, porque o meu sonho era resolver o problema do Teatro “Vânia Campos”. Inclusive, dar uma contrapartida como forma de subvenção, que seja, não sei, para o Teatro ‘Vânia Campos’ se tornar, inclusive, um polo de formação de artistas. Nós falamos sobre isso ontem, inclusive, e falei com o Jerry que a gente precisava, agora, sentar com a Procuradoria, sentar com o Gustavo (prefeito), chamar o Roscoe (presidente da FIEMG), independentemente de quem seja lá na FIEMG, que seja alguém que cuide da cultura”. Com essas iniciativas, imagina o secretário, poderá ser encaminhada uma solução para a questão.
Cultura popular e a participação das pessoas
Sobre a necessidade de levar cultura, arte e diversão ao povo, onde o povo está, o secretário Marcinho Hakuna falou de algumas iniciativas, como o “Motores em Cena” e, ainda, o “Motores em Cena 2 Rodas”, além de outros projetos. No ritmo de buscar recursos nas leis de incentivo à cultura, ele destacou as várias ações levadas aos bairros, com destaque para um evento ocorrido no Bairro Morada Nova, que foi o Festival da Consciência Negra (FESCON). Abordou também a aprovação unânime, na Câmara de Itaúna, da lei Descentra Cultura. Disse o secretário que o Fescon “foi um divisor de águas, e nós usamos outros elementos também da Lei Aldir Blanc, e a Prefeitura apoiou integralmente todos os projetos na Lei Aldir Blanc, e vários desses projetos aconteceram em praças da cidade. Então este ano, com certeza, a gente vai intensificar isso”, completou.
Sobre a questão dos eventos “Motores em Cena”, o secretário disse que “eu venho buscando fazer ações voltadas para as vocações da cidade. Por acaso, Itaúna é agraciada com uma casta de endinheirados, o pessoal tem dinheiro, e essas pessoas gostam muito de carros. Então, Itaúna, proporcionalmente, é a maior concentração de carros ‘super premium’ e ‘super raros’ da América Latina, inclusive, aplicada a proporção. Então eu aproveitei um projeto da Belgo Arames, que, diga-se de passagem, eles estão concentrando agora toda a produção de cordão de aço deles para as fábricas de pneus, e não faziam nada neste segmento”.
Afirmou que “eles (a Belgo) estavam patrocinando o festival Circuito da Vida. E eu enxerguei, naquele festival, uma oportunidade de nós fazermos alguma coisa que fosse vocacional na cidade e que também fosse vocacional para a empresa. Então eu propus fazer o ‘Motores em Cena’. Fizemos aquela versão, oficialmente, ‘Motores em Cena 4 Rodas’. E eu tive um insight, durante o ‘Motores em Cena’, de fazer o ‘Motores em Cena 2 Rodas’, para definitivamente resolver um problema com o Itaúna Moto Show, que é o ‘Encontro de Motos’, e que está no calendário cultural da cidade. É um evento que repercute muito em nível nacional. Ele é importante para o nosso calendário cultural. É importante para as pessoas porque também é vocacional. Então eu aproveitei o gancho e propus fazer o ‘Motores em Cena 2 Rodas’ no ano que vem. Agora, durante o Natal, inclusive, eu convidei os motoclubes para a gente fazer um movimento já como forma de disseminar o ‘Motores em Cena 2 Rodas’ para o ano que vem. Porque o ‘Itaúna Moto Show’ virou propriedade privada. O nome é público, mas não pertence ao Município. Então uma forma de resolver isso é fazer o nosso próprio, vai ser o ‘Motores em Cena 2 Rodas’. Se quiserem chamar de ‘Itaúna Moto Show’, não tem problema. Mas o ‘Encontro de Motos’ é da Prefeitura, vai acontecer na primeira semana de agosto, da forma como deve ser”.
Festa do Reinado e a valorização da cultura popular
A festa mais tradicional do município, que conta com mais de cento e cinquenta anos de história, inclusive, anterior à emancipação de Itaúna, o Reinado, conforme o secretário, está sendo valorizada, como ainda não tinha acontecido. “No ano passado, inclusive, ele (o Reinado) se tornou um bem imaterial do país. Nós demos total apoio para eles. Eles (os congadeiros) estiveram em Belo Horizonte, todos foram certificados, todas as guardas foram certificadas. Nós estamos agora num processo de fazer as guardas criarem uma natureza jurídica, para que elas sejam pontos de cultura e elas também possam participar da Política Nacional Aldir Blanc. Porque é muito melhor a gente materializar essas guardas, porque esse recurso da PNAB, por exemplo, eles podem contratar transporte, eles podem comprar a vestimenta deles, aquele figurino que é característico deles. Então, assim, nós demos apoio e foi muito apoio mesmo para eles. Todos os pedidos das guardas foram atendidos ou na totalidade ou parcialmente. Mas a gente não deixou de dar atenção. Mais do que isso, a gente os trouxe de volta para a Secretaria de Cultura, junto com a Folia de Reis” concluiu.
Novidade: parceria para a ocupação do espaço do Orfanato
Uma novidade a ser apresentada em breve à comunidade itaunense é o trabalho que vem sendo realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, junto ao Sistema S (empresariado) e à Fundação São Vicente de Paulo, mantenedora do Orfanato. E foi sobre esse tema que o secretário falou, também, à reportagem da FOLHA. Segundo ele, está sendo costurada essa parceria para que seja instalada nas dependências do Orfanato, onde funcionou uma escola até recentemente, uma escola de gastronomia, de turismo e, futuramente, de hotelaria. “A gente começou, então, junto com o Sindicomércio, através do Alexandre Maromba, e é importante frisar a participação dele nesse processo, aí a gente vem conversando, então, com o Sistema S, para nós tentarmos fazer no primeiro andar a escola de gastronomia, de turismo e, num futuro próximo, de hotelaria. Porque são vocações que a cidade tem e que jamais foram valorizadas da forma como deveriam. E essas escolas vão estar vinculadas, por exemplo, ao Senac. Como o espaço não é da Prefeitura, naturalmente vamos pagar o aluguel do espaço e vai ter a contrapartida do Senac, montando toda a estrutura, inclusive, as intervenções que precisam ser feitas no prédio vão ser feitas em parceria do Senac com a Fundação. A Fundação, inclusive, já se dispôs a fazer isso. Ela tem interesse que o prédio seja usado na plenitude e também essa era uma vontade nossa. Assim, virou um conjunto, uma soma de esforços muito grandes. Acho que a gente vai chegar em um bom resultado”.
Por fim, e já começou... É o Carnaval!
Concluindo a conversa com a reportagem da FOLHA, o secretário Marcinho Hakuna falou sobre as ações do Carnaval de 2026. Ele começou apontando que neste ano já foi implantado, com mais ênfase, o apoio aos blocos de bairros. “Importante frisar que, diferente dos anos anteriores, a Prefeitura, via Secretaria de Cultura e Turismo, deu apoio irrestrito a 100% dos blocos de bairro. Partindo do princípio do Descentra Cultura. Sempre com esse olhar para pulverizar mesmo, democratizar a cultura. E no ano passado nós já fizemos isso. Este ano, exatamente na mesma linha, foi um pedido do prefeito Gustavo Mitre. Durante o traçado do plano de governo, ele tinha colocado que queria fazer essa democratização da cultura. Então, este ano, a gente começa já dando um plus lá no Bloco das Virgens, que no ano passado quase acabou. Este ano, então, a gente está dando apoio para eles, dando uma estrutura que até então eles não tiveram.”
E o secretário de Cultura foi relacionando os eventos conforme a programação que está nesta edição da FOLHA, com as várias atrações do Carnaval. E fez um destaque: “Seguindo uma tendência mundial, que é de eventos públicos terminarem até as 22 horas”. Lembrou ainda que, a partir deste ano, o circuito oficial do Carnaval será denominado “Circuito Mestre Bolão”, em homenagem ao carnavalesco Robson, conhecido como Bolão, que nos deixou em agosto do ano passado e era uma figura das mais importantes para o desenvolvimento do Carnaval itaunense. E fez uma revelação: neste ano, a Bateria da Beija-Flor, escola de samba do Rio de Janeiro, vai participar da festa itaunense, com o Bloco da Beija. E explicou: “O Da Lua (vereador de Itaúna) destinou uma emenda para custear parte do cachê da contratação da bateria e eu falei, a gente traz, mas tem uma condicionante: nós fazermos um bloco popular convidando todos os blocos da cidade para irem atrás do trio elétrico com a bateria da Beija-Flor, no chão. Então ela vai, pela primeira vez, no chão, puxando a galera, e vai terminar a apresentação deles no palco. É um show legal demais!”. Sobre a questão do circuito oficial de desfile, na Jove Soares, o secretário informou que o diálogo aconteceu com o pessoal da Igreja Betel e com os moradores da região, para que a festa pudesse acontecer, assim como acontece com as realizações de eventos na Praça da Matriz, em relação à Igreja Matriz de Sant’Ana, e que é normal que algumas resistências ocorram.
Um desabafo, um projeto, uma promessa...
E ainda sobrou um espaço para que o secretário Marcinho Hakuna falasse sobre a relação da sua pasta com o NAC Curumin: “O NAC Curumim, até então, ele foi algo que ninguém da Prefeitura queria. A Cultura não queria, a Educação não queria... A Maria Luiza Vargas faz um trabalho extraordinário lá e é natural que ela tenha um sentimento de posse com aquilo, e ela se sente a mãe de todos. E ela virou a mãe de todos mesmo, isso é inegável. Mas, diferente do que aconteceu nesses últimos anos, eu abracei o NAC Curumim como sendo o nosso foco principal, depois das questões atinentes à cultura e ao turismo. Talvez uma das mais importantes. Eu quero fazer a reconstrução do NAC. Ele está numa condição degradante, ele é insalubre, ele não é atraente para as crianças do ponto de vista estrutural, do ponto de vista físico, e nós precisamos refazer, recriar, remodelar o NAC”.
E continuou: “Então, recentemente, eu estive lá com o John Kennedy, que, inclusive, é um jogador que hoje atua em nível nacional e já mundial. Eu conversei com ele, cheguei até a gravar um vídeo que eu não soltei ainda, pois estou esperando o momento certo, e pedi a ele para ser meio que o patrono dessa luta nossa, que se inicia nos próximos meses. Ele gravou o vídeo e, inclusive, fala com carinho da passagem dele pelo NAC. E isso nos deixou a certeza de que o NAC Curumim é um instrumento de transformação, porque ele não é só educacional, ele não é só cultural, o NAC Curumim é um lugar de acolhimento sim. Eu conheço o trabalho de acolhimento, de formação e tudo mais, então a gente quer fazer esse resgate e até, de repente, aumentar o leque de opções voltado mais para o social”, concluiu.
Em seguida, Márcio Gonçalves Pinto, o Marcinho Hakuna, agradeceu a oportunidade de falar aos itaunenses sobre a sua gestão à frente da Cultura itaunense e se comprometeu a, cada vez mais, buscar o melhor para Itaúna.



