Quando os interesses sobressaem...
Meu Deus! A exclamação é pertinente. Pois é somente Ele para olhar pra baixo e abençoar, porque está cada vez mais difícil. Vão dizer que é blasfêmia e que não é para envolver Deus nisso, não. Mas, se não disser “Deus nos acuda!”, a coisa ali pelos lados do prédio público da Av. Getúlio Vargas vai ficar é cada vez mais feia, pois, além da prosopopeia sem sentido que se tornou a tal “CPI do Compadrio”, o ano legislativo começou pegando fogo. E com a mesma falta de respeito e sem o entendimento do que é público e privado, pois os ataques estão “supitando” de todos os lados e sem nenhum pudor.
O clima na Câmara Municipal está mesmo horrível e isso ficou visível na terça-feira, 9, na inauguração do ano legislativo de 2026. Não teve aquele clima de, digamos, “Como vai?”, “Quanto tempo não te via!”, “E aí?”, “Como foi as férias?”, “Curtiu a família?”, “Descansou?”. Pelo contrário, foram ataques pessoais, alegações grosseiras e muita falta de postura. Um verdadeiro show de circo barato, daqueles de beira de estrada, onde a maioria dos palhaços não sabe sequer fazer graça para o pequeno público presencial, ou o do YouTube, pelo menos, rir. Um clima pesado, tenso e sem nenhum respeito para com o cidadão itaunense. Esse é o retrato da nossa Câmara Municipal já na primeira reunião do ano.
E, para completar toda a “bagunça”, um funcionário de carreira foi para a Tribuna da Casa de Leis e se achou no direito de dar a sua opinião em procedimento de uma CPI, para “tirar o seu da reta”, ou seja, são absurdos seguidos de absurdos. É lógico que, num país democrático, qualquer cidadão tem o direito de ter e mostrar a sua opinião, mas, em se tratando de um funcionário público de carreira, a opinião dele em serviço é apenas sua, e ela não deveria estar sendo divulgada em uma tribuna, pois há controvérsias. E trabalho é trabalho. E a situação piorou quando esse mesmo funcionário chamou publicamente um dos cidadãos inscritos na Tribuna Livre da Casa de doido, afirmando que, no dia em que ele resolve se inscrever na Tribuna, outro doido também se inscreve... Meu Deus!!! Esse outro doido é o meu amigo Francisleno, que não é mais doido que o funcionário que usou o espaço, nem um pouco mais doido do que qualquer um dos 17 vereadores presentes. E com uma vantagem, tem muito mais bom senso que todos que citei, incluindo os “jornalistas” da city.
Mas o que me deixa boquiaberto é o fato de o funcionário afirmar que os jornalistas ou os jornais deveriam ouvir os dois lados. Pois bem, acho que, quando ele afirmou isso, foi porque queria ser ouvido na questão da ata da reunião da CPI, que não traduziu os fatos da reunião na íntegra. Ele mesmo admitiu que a ata “redigida”, ou melhor, feita por ele não fez essa tradução, afirmando que estava “uma bagunça danada no dia, na sala...”. E, em sua fala, ainda afirmou, me procurando e olhando para a sala de imprensa, que: “Queria falar isso olhando para a cara do Renilton...”. Então vamos por partes: em primeiro lugar, no caso em tela, o jornal ou o jornalista – neste caso, eu – não tinha que ouvir o outro lado, porque o funcionário público não é lado. Ele é apenas um funcionário exercendo uma função que lhe foi designada pelo chefe – no caso, pressuponho, o vice-presidente da Câmara, que foi quem designou quem atuaria na CPI, inclusive os funcionários, já que o presidente da Câmara teve o seu afastamento determinado pela Justiça, pois é um dos investigados. E, na sequência, afirmo categoricamente que, em momento algum, o jornal ou este jornalista afirmou que o funcionário teria errado, ou burlado, ou ainda deixado de fazer a ata como deveria. Apenas publicamos o que o vereador-propositor da CPI alegou em suas gravações. Então, se tem algum responsável por ter afirmado que a ata não traduzia a realidade da reunião da CPI, é o vereador Guilherme Rocha. O jornal não tem nada com isso. Certo, Doutor?
Não vejo nenhum problema no desabafo do Senhor Pedro Júnior, gente muito boa e funcionário exemplar da Câmara Municipal de Itaúna. Só não posso concordar com os posicio-namentos dele, pois de jornalismo entendo eu. Ele não entende patavinas. E sinceramente acho que ele precisa de uma reprimenda da presidência da Casa de Leis, pois ele não deve chamar ninguém de doido, e muito menos quando “trepado” na Tribuna na Casa de Leis, sendo um funcionário de carreira dessa Casa, que é do Povo. É preciso respeito acima de tudo.
Quanto à aula particular de jornalismo implementada pelo senhor Pedro Júnior, o que tenho a dizer é que a recebemos de bom grado, apesar de não acrescentar em nada na nossa carreira profissional. Mas uma coisa posso afirmar categoricamente: não andamos por mandado de ninguém, muito menos desprezamos fatos. E foi com base em fatos que publicamos que a ata não traduziu o ocorrido na reunião. Responda com sinceridade: traduziu?



