HOSPITAL - Caminho pode ser parceria com instituição religiosa
Antônio Guerra é mantido no cargo de provedor e mais dois conselheiros são admitidos
Conforme a FOLHA antecipou na edição passada, aconteceu uma reunião extraordinária do Conselho Curador da casa de Caridade “Manoel Gonçalves”, na terça-feira, 10. Na reunião, o atual provedor, Antônio Guerra, foi reconduzido ao cargo para mais um ano de mandato. Também foram admitidos mais dois conselheiros, sendo um deles o vereador Alexandre Campos, que, conforme informado na ocasião, tem sido um incansável trabalhador em favor do Hospital, inclusive, por meio de sua atuação, têm sido obtidos vários recursos para a entidade. Na ocasião, foi lembrado, por exemplo, uma verba de R$ 2 milhões conseguida pelo vereador junto ao senador Rodrigo Pacheco, além de vários outros recursos encaminhados para o Hospital através de sua atuação.
A outra pessoa admitida como conselheira foi a cidadã Neném Otoni, de Itatiaiuçu, que também tem vasta folha de contribuição com a entidade, destacando a doação recente de equipamento de conservação de bolsas de sangue, no valor de cerca de R$ 40 mil. O aparelho anterior queimou recentemente, devido ao furto de fiação na rede elétrica. Neném é diretora-fundadora do Instituto INPAR, que atua na área da saúde, com trabalho destacado especialmente em equoterapia, e que acabou de inaugurar uma Casa de Apoio para atender moradores de Itatiaiuçu e região atendidos no Hospital.
Os dois novos conselheiros foram aprovados por unanimidade. E ainda restam algumas situações em relação aos conselheiros a serem resolvidas, conforme apurado. O atual vice-provedor, Francisco Mourão, pediu afastamento por motivos de saúde e deverá ser substituído. Outros dois casos são dos conselheiros Homero Lara e Maurício Nazaré, que deverão ser consultados em relação ao seu afastamento, pois já ultrapassaram o número de faltas permitido no estatuto e também podem serem substituídos.
Proposta de parceria
Em sua fala, o provedor, Antônio Guerra, afirmou que, mesmo com o esforço do atual prefeito em apoiar o Hospital com destinação de recursos, existem questões burocráticas para tal encaminhamento, gerando impasses. Guerra disse ainda que é preciso reconhecer o esforço do prefeito Gustavo Mitre, “sempre disposto a nos ajudar”, mas as questões burocráticas impedem que a ajuda seja na medida que possa sanar os problemas financeiros da entidade. E que, devido a isso, coloca em análise uma proposta de firmar parceria com uma instituição religiosa, para que esta assuma a direção do Hospital.
O tema não é novo e já foi levantado em ocasiões anteriores, como no caso em que a opção poderia ser repassar a administração do Hospital para uma entidade ligada à Usiminas. A sugestão a ser analisada, no momento, veio a partir de contato do provedor com o padre Adilson, da Diocese de Divinópolis. A instituição a ser buscada como parceira é a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC), que está há 125 anos no Brasil e trabalha em seis estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais.
A Associação
A ACSC tem suas raízes na Polônia. No Brasil, a entidade atua nas áreas de educação e saúde. Conforme levantamentos, a citada rede tem ampla experiência em administração hospital. Com as unidades de saúde que trabalha, são cerca de 120 a 130 mil internações anuais, sendo que em torno de 65% delas pelo SUS.
A Associação administra os seguintes hospitais, por meio da Rede Santa Catarina, conforme apurou a reportagem da FOLHA: Hospital Santa Catarina, em São Paulo, com mais de 100 mil pacientes-dia; Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, com cerca de 70 mil pacientes-dia; Hospital S. José, no Rio de Janeiro, com atendimento a cerca de 10 mil pacientes-dia; Hospital das Clínicas N. Sra. da Conceição, de Três Rios, RJ, com atendimento a cerca de 35 mil pacientes-dia; Hospital Madre Regina Protmann (homenagem à fundadora da congregação), em Santa Teresa, no Espírito Santo, que atende a cerca de 20 mil pacientes-dia; Hospital Santa Isabel, em Blumenau, SC, atende a cerca de 70 mil pacientes-dia; Hospital N. Sra. Conceição, em Tubarão, SC, com 100 mil pacientes-dia; Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, RJ, com mais de 45 mil pacientes-dia; Hospital Estadual Francisco Morato, na cidade de Francisco Morato, SP, que tem população de 171 mil habitantes e conta com dois hospitais; e o Hospital Regina, em Novo Hamburgo, RS, com atendimento a mais de 50 mil pacientes-dia.
Caso não se chegue a um acerto com a ACSC, ainda teria a possibilidade de retomar a conversa com a Usiminas, que foi iniciada ainda quando a advogada Marilda Chaves era a provedora e Antônio Guerra fazia parte da diretoria do Hospital. Conforme conversas internas, esse seria o melhor caminho para que o Hospital possa ganhar fôlego e deixar a dependência exclusiva de recursos públicos para se manter.



