Uma retrospectiva? Ou apenas a confirmação da verdade?
Pensei em fazer uma retrospectiva do ano que finda com seus acontecimentos e o saldo para nosso torrão. Mas achei por bem optar por uma releitura dos nossos editoriais nesses 12 meses, observando os temas de maior interesse para a população e/ou os mais, diríamos, polêmicos. Pois 2025 foi atípico por várias razões quando se fala em política e tudo que permeia o universo desse jogo de xadrez, que, sempre afirmo, não é para amador e muito menos é para se levar no oba-oba, como algumas figuras que estão no jogo insistem em levar, não observando o principal código da política, que é a ética. Depois vem a ombridade, a seriedade e o conhecimento. E nenhum desses predicados foi praticado até aqui por parte dos nossos políticos quando se fala em Poder Legislativo, principalmente.
Na primeira edição de janeiro, com o título: INÍCIO DE UM NOVO CICLO, TEMPO AO TEMPO, comentei que, passados os trâmites que englobavam os meses de outubro, novembro e dezembro de 2024, quando aconteceram as eleições municipais para a composição do Poder Legislativo, com a escolha dos 17 novos vereadores, e do Poder Executivo, quando se elegeu o novo prefeito e o vice-prefeito, entraríamos em um novo ciclo no município e renovava-se a esperança do povo.
Mas comentamos também que, nas duas últimas semanas de dezembro de 2024, observamos as movimentações do governo do Senhor Neider Moreira de Faria, que consideramos de uma coragem sem precedentes, pois, mais do que abuso do Poder de Mandatário, os piores atos foram de falta de respeito para com o cidadão, que paga impostos e tem o direito de ter conforto no seu dia a dia, contando com ruas limpas e serviços eficientes, dentre muitos outros benefícios inerentes ao poder público em nível municipal.
E frisamos, no fim do editorial, que era preciso ter sensibilidade e um olhar amplo, público... para que se pudesse mudar os vícios, implantar novos tempos e estabelecer novos rumos. E que queríamos e torcíamos por uma Itaúna melhor e mais humana, que soubesse entender mais os que dela precisam. E todos precisamos, de uma forma ou de outra... Finalizamos desejando felicidades e sucesso ao novo prefeito e à sua máquina administrativa.
Agora, doze meses depois, o que podemos afirmar é que entendemos que parte do que escrevemos transformou-se em fato. Temos uma administração mais preocupada com o povo, com um prefeito mais sensível à causa pública e com as causas sociais, e o melhor, que não se impõe a qualquer custo. Temos três anos pela frente, mas já é possível perceber avanços em vários setores da administração pública. Esperemos que venha mais, principalmente para os setores básicos.
Por outro lado, enquanto o Poder Executivo avançou nesses 12 meses, tivemos um Poder Legislativo com atuação pífia, que é motivo de chacota e revolta do cidadão que foi às urnas para escolher o que ele pressupunha melhor. A decepção é tamanha que ele já não confia em quem votou e tem a certeza de que o erro não pode persistir. Mas o pior é que há mais 3 anos a vencer. E o que todo cidadão é obrigado a assistir semanalmente é de uma baixaria, prepotência e, por que não dizer, de vandalismo com o dinheiro público, pois estão consumindo nosso dinheiro com debates insonsos, com projetos politiqueiros e com postura de figuras que não demonstram em nenhum momento a representatividade que deveriam estar exercendo.
Poderia citar aqui, individualmente, os discursos insanos, a postura malévola, os sorrisos ardilosos para as câmeras oficiais e, o pior de tudo, as ações de bastidores, que chegam a provocar náuseas devido às intenções. É de se lamentar.
Saindo da já comum desfaçatez do nosso Legislativo, vamos para outro tema que foi cobrado, debatido e alvo de reclamações constantes pela nossa sociedade, e continua a ser cobrado: os moradores de rua. Um problema social que mexe com todos e chega a incomodar de tal forma que não há quem não tenha um posicionamento. Quando falo incomodar é porque a aflição que causa a situação mexe com o psicológico das pessoas, que não querem assistir à situação de um ser humano dormindo debaixo das marquises, comendo restos nas ruas, bebendo cachaça o dia todo para matar a fome ou consumindo drogas por não enxergar uma luz no fim do túnel. É verdade que se faz de tudo, que é complicado, pois há leis, há respeito ao ir e vir e há dificuldades em entender o porquê de terem chegado a tal situação. Mas, por outro lado, é preciso providências, com campanhas constantes, ação e resolução. Já foram dados alguns passos, mas é necessário vigilância e constância nas ações de ressocialização e encaminhamento. Penso que ainda vamos chegar lá com uma casa de apoio. Seria um grande passo.
E, para finalizar, vamos ao tema que mais ocupou este espaço em 2025: o Hospital Manoel Gonçalves. A nossa única Casa de Saúde, faz décadas, é alvo de problemas econômicos e vive com “pires nas mãos”, sendo um pedinte contumaz, e não se encontrou uma solução definitiva por parte dos governantes, que disponibilizam recursos, fazem acordos com as provedorias, mas o problema persiste. Busca-se alternativas, mas elas não resolvem. Já afirmei aqui por algumas vezes que, desde que adentrei na redação da FOLHA, no início da década de 70, ouço e convivo com os problemas de ordem financeira da nossa Casa de Caridade ou do Hospital Manoel Gonçalves de Souza Moreira. Há solução definitiva, desde que a sociedade num todo abrace a causa e se sinta parte dela, pois, repito, é pra lá que todos nós vamos num eventual primeiro socorro, independentemente de status social e financeiro. Alguns poucos empresários doam, mas a maioria não. E não é só responsabilidade deles, é de um todo, ou seja, de toda a população.
Neste ano que se encerra, o que posso deixar aqui neste espaço é um pedido singelo e sincero de que sejamos melhores para nosso torrão, pois é nele que nascemos e vivemos. Então cuidemos dele, para que possamos ter qualidade de vida em todos os aspectos. Basta para isso apenas uma coisa: olhar ao redor. Assim, quando integramos esforços entre a sociedade e o poder público, resolvemos problemas de forma eficaz e humana. Não preciso dizer mais nada. Repito: quando se quer, faz.



