ABUSO DE PODER - Homem invade hospital: “Sabe com quem está falando?”

Em busca de informações de paciente, ele se apresentou como assessor de vereador “que manda dinheiro para o Hospital”

ABUSO DE PODER - Homem invade hospital:  “Sabe com quem está falando?”

No final da semana passada, na sexta-feira, dia 19, conforme informações repassadas à reportagem, uma mulher deu entrada no Hospital Manoel Gonçalves, de Itaúna, para se submeter a uma cirurgia cesariana para dar à luz uma criança. Essa situação teve algumas complicações e familiares da mulher teriam entrado em contato com o vereador Kaio Guimarães, que mandou ao local seu assessor, João Batista de Macedo Júnior, vulgo “Joba”. O homem chegou ao Hospital e entrou pelo pronto-socorro do “Manoel Gonçalves”, segundo informações, sem autorização.

No corredor do Hospital, ele deparou com uma enfermeira e perguntou para ela sobre a situação da referida paciente. A profissional, como determina a profissão, perguntou ao homem se ele era parente da mulher e qual o parentesco. Joba teria dito que não era parente, mas que era assessor do vereador Kaio. A enfermeira disse que não poderia repassar informações a quem não fosse parente próximo da paciente, e aí, em uma atitude típica do “sabe com quem você está falando?”, vociferou: “Eu sou assessor do vereador Kaio, que manda dinheiro para o Hospital. Você tem que me falar, sim!”.

E, ante a negativa da enfermeira, ele foi até uma médica, no mesmo tom, quando também recebeu a mesma resposta. Em seguida, incomodou também um médico e obteve a mesma negativa, sob os mesmos argumentos. Aí o “assessor do vereador Kaio”, como ele decantou a quem quisesse ouvir dentro do Hospital, tentou invadir o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), mas não obteve sucesso.

Medidas enérgicas

Além de constrangimento a funcionários, a atitude do vereador causou também revolta nos funcionários do Hospital, que reportaram a indignação e a denúncia aos superiores hierárquicos. A FOLHA entrou em contato com o provedor do Hospital, Antônio Guerra, que informou ter enviado ofício ao presidente da Câmara, no sentido de buscar entendimento com os edis para que a relação com o Hospital seja de respeito mútuo e de atenção às regras de convívio necessárias em ambos os ambientes. No caso do Hospital, existem procedimentos que precisam ser observados e o acesso a informações, acesso a espaços, devem ser controlados, por motivos óbvios de segurança de pacientes e até de visitantes. 

Em casos de informações médicas, estas devem ser repassadas aos pacientes e/ou a seus representantes legais, ou em respeito a casos excepcionais. No caso de acesso de pessoas a ambientes hospitalares, existem regras de denominação de espaços permitidos, assim como de horários definidos. Um CTI, por exemplo, é espaço exclusivo da equipe médica e do paciente atendido. 

Boletim de Ocorrências

A FOLHA obteve ainda a informação de fontes extraoficiais de que deverá ser registrado um boletim de ocorrências, na polícia, registrando a invasão, o desacato a profissionais no exercício da profissão e o possível abuso de poder. “O senhor ‘assessor do Kaio’ deverá entender que o dinheiro que a Câmara envia ao Hospital é dinheiro público, não de um determinado edil, ou de pessoa, que, sabemos, não está enfiando as mãos no bolso e doando dinheiro seu”, afirmou a fonte da reportagem.