Toda unanimidade é burra!
O dramaturgo Nelson Rodrigues foi quem fez a afirmação do título, com a qual concordo plenamente e a utilizo para aqui comentar a participação do cidadão Geraldino de Souza Filho, o popular Mirinho, na tribuna da Câmara de Itaúna, na terça-feira, 31. Ele foi àquele microfone para solicitar espaço para poder ajudar Itaúna, visto que ele é liderança do partido que está no poder central do País, o PT. E fez uma afirmação que coaduna com o que tenho observado na política itaunense em comparação à atuação política de outras cidades. Como exemplo do que ele citou, e que observei e até comentei com amigos, outro dia, o ministro da Saúde esteve em Nova Serrana e em Divinópolis, anunciando benefícios para esses municípios. Na primeira cidade, ele anunciou a construção de um hospital. Na segunda, uma policlínica e, ainda, mais R$ 40 milhões para o Hospital São João de Deus. Busquei, nas imagens dos eventos com a presença do ministro, um rosto de político itaunense. Não encontrei. Perguntei a vários que lá estiveram se viram alguém de Itaúna, mesmo que um pouco escondido. Não, foi sempre a resposta. Mas vi o prefeito de Nova Serrana, todo alegre e sorridente, ao lado do ministro. Ele, prefeito, é de partido da direita, o Avante. Em Divinópolis, teve até vídeo do prefeito (à época, já que ele se afastou para disputar as próximas eleições) Gleidson, irmão do Cleitinho, que é do Novo e, portanto, adversário frontal do PT. E, assim, mais um monte de políticos da direita, do centro, lá, junto do ministro e fazendo pedidos para as suas cidades. Só não estavam os “puro sangue” de Itaúna. Porque aqui todo político de mandato é de direita e acha que não pode “se misturar”. Tem razão o Mirinho quando fala que “é preciso esquecer as divergências políticas”. Mas explicar isso a quem acha que buscar recursos junto a governantes que não sejam do seu espectro político é se humilhar fica difícil.
Itaúna, ou melhor, os políticos itaunenses tem que parar com esse negócio de vivenciar a disputa político-ideológica no exercício de mandato. Essa postura serve na disputa do voto, já o mandato, este deve ser exercido em nome de um todo, de eleitores de esquerda e de direita, de centro, de cima e de baixo. E este negócio que o Mirinho falou, sobre uma unidade do Instituto Federal poder vir para Itaúna e os políticos no poder fazerem pouco caso, é absurdo. No mínimo, deveriam mostrar boa vontade. Uma unidade do Instituto Federal em Itaúna seria excelente, até porque se trata de ensino em nível superior, de forma gratuita. E, só para colocar um pouco de esclarecimento na cabeça dos nossos políticos, é preciso lembrar que nas últimas décadas, pelo menos, não se encontra um benefício que tenha vindo para a cidade que seja da lavra de governantes “de direita”. Ou alguém sabe de alguma obra feita na cidade, nos governos dos ex-presidentes Bolsonaro, Temer, Sarney... mal,mal no governo do FHC, que era “social-democrata”, ou seja, “de centro”. Samu, PSFs, ETE... tudo vindo por meio de governos “de esquerda”. Enquanto todos os políticos da cidade forem de um mesmo lado, como ocorre atualmente, a cidade vai ficar neste marca-passo atual que, para realizar uma obra um pouco mais cara, precisa pegar empréstimo. Como disse o Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra!
Por Sérgio Cunha
Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e membro da Academia Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.





