O pródigo
Na literatura em geral, há muitos nichos, ou seja, segmentos pouco explorados pelo grande público de leitores, como é o de cunho religioso, que fica adstrito aos adeptos do gênero. O que pode surpreender alguns desavisados é que há também nesse grupo uma literatura de ficção, que, muito embora aborde temas religiosos, é ficcional.
Como é de meu interesse mais amplo comentar mais obras de ficção, fica aqui a dica de alguns autores de ficção evangélica e católica que poderão surpreender. Assim, temos Frank Perreti, que, no meio, teve grande sucesso com seu livro NESTE MUNDO TENEBROSO e que, dada a repercussão, gerou o segundo volume de mesmo nome. Nesta mesma linha, histórica/ficcional, temos o ex-padre Jesuíta Malachi Martin, com O ÚLTIMO PAPA, O CONCLAVE.
Enfim, o livro que comento hoje é da lavra do ex-padre e falecido pastor Brennan Manning, que, dada sua postura e visão cristã, foi muito admirado e amado por uns e muito criticado por outros, no entanto, manteve-se fiel aos seus princípios até o fim.
Para ele, tudo começou quando resolveu conceber seu primeiro trabalho, um romance conhecidíssimo cognominado O EVANGELHO MALTRAPILHO, sendo essa para muitos sua obra prima, em que ele desafia a igreja de então assumir seu papel de anunciar e viver o amor de Deus.
Diga-se de passagem, que, apesar de conhecer por ouvir falar da obra acima, essa, de fato, não li, mas li o romance O PRÓDIGO, que tem como subtítulo Uma História Maltrapilha. Este livro foi escrito a quatro mãos, pois é de coautoria com Greg Garrett, que assim se expressa: “Eu gostaria que Brennan Manning tivesse cruzado o meu caminho muitos anos atrás”.
Nosso personagem principal é Jack Chisholm, tele-evangelista de renome, pastor da Igreja Catedral da Graça, grande orador, profundo conhecedor das escrituras, cujo discurso é capaz de levar às lágrimas até o mais insensível dos homens.
No entanto, como acontece nesse meio, a Igreja acaba por blindar esses indivíduos e transformá-los em semideuses, o que é extremamente perigoso para ela como Igreja e principalmente para ele, porque perde a visão de si próprio como homem sujeito ao pecado, que tanto combate. E é assim que ele, perto do Natal, se dirige com a secretária para o México, para uma praia paradisíaca, mais conhecida por Isla de Mujeres. Tudo era apenas uma fuga dos inúmeros anos de reclusão, mas tudo é uma oportunidade e logo sobrevém a queda. É assim que começa o drama, “bebe umas e outras”, e aí vem o desatino. É fotografado por muitos, é reconhecido pelos que ali estavam de férias, enfim, em tempos modernos, tudo logo, logo caiu nas redes sociais e na mídia em geral, gerando o maior escândalo.
Mal sabia ele da repercussão de seus atos e, ao saber, o melhor que fez foi encher de vez a “cara”. Como nesses casos, num primeiro momento, o mais comum é negar tudo e não assumir nada.
No íntimo, ele sabe que tudo está perdido, não tem dinheiro, a Igreja não vai patrocinar sua permanência ali depois do acontecido e já providenciou que a esposa e filha fossem isoladas em lugar incerto custeado pela Igreja até que tudo passe. A secretária saiu à francesa, dizendo: “Isso é problema seu”. E agora estava sob os auspícios dos presbíteros da Catedral da Graça, isto é, garantida.
Estava só, isolado, completamente abandonado ao seu infortúnio, porém ouve baterem em sua porta no bangalô em que estava. Quem seria? Para sua surpresa, em pé, do lado de fora, seu Pai, a quem não via há muitos anos, por divergências do passado, viera buscá-lo.
Caro leitor, essa é a última obra escrita por ele, Brennan Manning, com a ajuda de Greg Garrett. É um libelo e alerta para aqueles indivíduos que ganham proeminência. E, segundo Gregg, isso se deve, como menciona sobre Brennnan: “Porque sempre desconfiou das celebridades religiosas”.
Fique convidado a ler, a se aventurar nesta obra fora do circuito comum e que poderá encantá-lo, porque vale a pena.
Por Claudio Lysias






