Não adianta Toinzinho prometer a Mesa a Dalminho
Por Rafael Corradi Nogueira
A tropa de choque do presidente Antônio de Miranda, o Toinzinho, se move como quem não debate, administra. Como quem não convence, enquadra. Como quem não presta contas, oferece prêmio. Em Itaúna, a política costuma vestir fantasia de harmonia quando o que está em jogo é, na verdade, controle. Controle do rito. Controle do tempo. Controle do microfone. Controle do que pode ser investigado e do que deve ser empurrado para debaixo do tapete.
Mas Toinzinho está tão desesperado em se proteger que não percebeu a coerência e o histórico do vereador Dalminho e de sua companheira de partido, a vereadora Carol. As ações de ambos têm sido dignas de aplausos por aqueles que lutam pelo que é correto na política.
De acordo com diversas fontes entre os vereadores, a promessa de Toinzinho para Dalminho, desta vez, está na disputa da próxima Mesa Diretora, em novembro.
O problema é que promessas feitas com a caneta do interesse imediato raramente sobrevivem ao calendário real. Em especial quando o que se pretende comprar não é um voto pontual, mas uma biografia. Dalminho não é uma folha em branco. Carol também não. Ambos carregam trajetória, identidade, base social e, sobretudo, senso de decoro mínimo que, por vezes, falta a quem confunde Mesa Diretora com propriedade privada.
Na última semana, Dalminho e Carol defenderam publicamente, com suas assinaturas, o Recurso ao Plenário questionando a legalidade do rito da CPI que deveria ter investigado Antônio de Miranda e apresentou relatório final escrito sem investigar nada.
Quando Dalminho e Carol colocam seus nomes publicamente em favor da reabertura da CPI nos moldes do Recurso, estão defendendo uma fronteira. Estão dizendo, com serenidade e firmeza, que o processo parlamentar tem regras e que a regra vale para todos, inclusive para quem ocupa a cadeira mais alta da Câmara. Essa é a postura de estadista, não a do oportunista. É o gesto de quem entende que, numa Câmara, o que sustenta autoridade não é o volume do grito nem a força de Toinzinho, mas a integridade do procedimento.
Dalminho conhece a dureza do jogo. Foi líder do governo e saiu. E saiu, ao que se sabe por meio de relatos de muitos vereadores, porque percebeu que estavam tentando transformar sua liderança em escudo, sem lhe dar o respeito devido. Toinzinho e membros do governo o criticavam nos bastidores, dizendo que Dalminho não sabia articular, que não conseguia realizar as conversas políticas que deveria. Dalminho percebeu que não confiavam em sua capacidade e sentiu que o derrubariam de maneira desrespeitosa, no último momento, sem aviso prévio. Notou que a batata ia assar em suas mãos, enquanto outros comeriam o pão quente do bastidor. Tomou a atitude de sair de maneira honrosa.
Esse processo, vivido com humildade, revela algo maior. Dalminho não se sente confortável no teatro da agressividade despropositada. E isso, num tempo em que muitos se orgulham de confundir política com rinha, é virtude.
A sequência foi eloquente. Dalminho marcou posição altiva no plenário, sem medo da exposição, deixando claro que percebeu ter sido tratado como peça descartável.
Inacreditavelmente, meses depois, Toinzinho começou a investir na tentativa de reaproximação, costurada por promessas, entre elas a promessa de que Dalminho poderia compor a próxima Mesa, com o apoio do grupo dele e dos membros do governo que, pouco antes, o diminuíram.
Só há uma ironia que não pode passar despercebida. Afirmam para Dalminho que acreditam nele para ocupar uma posição que exige, ainda mais, aquilo que antes disseram que ele não tinha: capacidade de articulação. Se ele, no passado recente, foi tachado de incapaz para liderar o governo, por que, de repente, Toinzinho e seu entorno realmente depositariam em Dalminho, quando chegar a hora H da eleição para a Mesa, a aposta de que o apoiariam para a Presidência da Câmara, para costurar maioria, organizar pauta, pacificar conflitos e enfrentar pressão externa?
Estão tentando dobrar o desrespeito com Dalminho. Estão tentando um jogo utilitário para quem promete. O objetivo não é elevar o vereador. É enquadrá-lo. É mantê-lo no meio do muro, olhando para os dois lados, com receio de desagradar o grupo que hoje manda e amanhã abandona. É plantar nele a ideia de que sua busca legítima depende de benevolência, quando, na verdade, depende de coerência e de reputação. Exatamente o que Dalminho vem construindo quando se posiciona contra as ilegalidades.
E aqui entra Carol, com um detalhe que muda o tabuleiro de 2026. No meio do ano, a cidade será atravessada pela campanha para deputado estadual. Itaúna terá sorte se Carol realmente lançar a candidatura para a qual vem trabalhando. Numa campanha, o eleitor não pergunta apenas o que o candidato prometeu. Pergunta que preço pagou para ficar bem com quem manda. Pergunta se houve coragem para defender o correto quando isso tinha custo.
Carol tem defendido publicamente o caminho do que é correto, sem prestar atenção às tentativas de bajulação de Toinzinho. Escolheu o caminho mais difícil e mais sólido: o da legalidade. E, por estar ao lado de Dalminho nesse gesto, ajuda a lembrá-lo de uma verdade simples: a Mesa da Câmara não pode ser moeda de troca de bastidor. Precisa ser consequência de confiança pública.
Dalminho começou a entender o básico. Não se compõe a Mesa de uma Câmara sendo refém de promessa incoerente. Não se constrói coalizão duradoura aceitando carinho de quem ontem desprezou e amanhã cobra a conta. Dalminho está demonstrando que percebeu que não se ganha novembro com medo de janeiro.
O que dá futuro político é ter coluna vertebral. E coluna, aqui, tem sido demonstrada. Dalminho e Carol a mostraram quando defenderam o rito, a regra e o respeito ao processo. O resto, promessa por promessa, vira papel molhado na primeira tempestade.
E tempestade, como todos sabem, Itaúna sempre tem. E só passa por ela maior aqueles que não ficaram em cima do muro e se posicionaram como Carol e Dalminho têm feito.



