As ideologias e as interpretações que lhe interessam
Já me aproximando das sete décadas de vida, continuo me espantando com atitudes de certos grupos em relação ao entendimento que eles têm das coisas, dos ensinamentos principalmente. Nos últimos tempos, tenho acompanhado, de longe (rsrsrsrs), a proliferação de lideranças religiosas que dão a interpretação que melhor lhes convém dos textos bíblicos. Um religioso “da moda”, que vivia rodeando a família de um amigo de infância, após ficar “famoso”, se negou a prestar auxílio ao “não mais amigo”, em momento que este sofria de aguda depressão. Conheço o magano, de nome e divulgação nas redes sociais, apesar de ele viver aqui por perto, e fico pensando: que religiosidade ele prega que o libera para faltar a um amigo depressivo quando aquele precisava? Aí fico a pensar, que interpretação ele dá dos ensinamentos cristãos que ele apregoa por aí?
Pois é esse tipo de hipocrisia que me leva ao espanto e à constatação de que não posso ficar calado ante algumas coisas... Também tenho visto o quanto grassa a ideologia “de direita” aqui para as bandas do São João, e me espanto o quanto esse pessoal é cara de pau. Ao constatar que todo político com mandato, da cidade, é “de direita”, fico pensando se eles sabem mesmo o que é a ideologia da direita. Aí fui ler alguma coisa sobre o “papa do liberalismo”, como dizem alguns, o economista escocês Adam Smith, o homem do “mercado livre”. E eis que a primeira frase dele, ou ensinamento, como queiram, que eu encontrei é justamente a seguinte: “Nenhuma sociedade pode ser feliz se a maioria dos seus membros for pobre”.
Uai, esse ensinamento daí eles excluíram? Pois só pode ser assim, se defendem a acumulação de riquezas, a escala 6x1 que sacrifica os mais pobres... E, falando nisso, vi um levantamento que mostra que os principais políticos que defendem a manutenção da escala 6x1 quase não trabalham: o Nikolas Ferreira (Gnomo) trabalhou 120 dias em 2025; o Kim Kataguiri (cata o quê?), 115 dias; a Júlia Zanatta (arremedo de Barbie), 73 dias; e o trabalhador brasileiro, 312.
Já em Itaúna vi um ex-vereador com vontade de voltar a sê-lo fazendo campanha extemporânea (não é, “ô da pastelaria”?), postando foto montada com IA junto com o ex-presidente que está preso. Um cumpre pena, e o outro se notabilizou por tentar comprar votos com pasteis... Haja corrupção nesse grupo “ideológico”. Pois é assim mesmo: interpretam os ensinamentos conforme lhes convêm. O “buraco” de página acabou e a paciência que essa turma também (rsrsrsrsrs).
Por Sérgio Cunha
Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e membro da Academia Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.






