A desmoralização total dos já sem moral

A desmoralização total dos já sem moral

Não seria contundente afirmar que a classe política toda está desmoralizada. Afinal, em todos os setores onde o ser humano atua, há os bons e os maus, ou seja, os frutos podres sempre estiveram no mesmo cesto dos bons. Mas também não seria imprudente afirmar que a proporção de podres tem aumentado de forma assustadora e em todos os níveis de atuação do homem na coisa pública, seja ela na ação política ou na atuação de carreira técnica com viés político. É realmente de assustar. 

E acho interessante quando pessoas dos círculos de amizade e profissional chegam para conversar sobre o assunto com espanto sobre esses escândalos constantes envolvendo as figuras públicas nos níveis federal, estadual e municipal, principalmente quando esses escândalos estão cada vez mais próximos, e assim podem ser interpretados com mais nitidez, e têm como figurantes pessoas que, há anos, estariam acima de qualquer suspeita, na opinião desses. Sempre argumento que, desde que o mundo é mundo, pelo menos na configuração literária da política como forma ideológica e de governo, nas ações de grupos sob a liderança de homens que se destacam por inteligência política, capacidade de liderança e/ou por preparo acadêmico para o exercício de líder, o risco da concentração de poder evidencia-se, pois o poder possibilita atos que levam à fortuna e, consequentemente, à corrupção... E, para conseguir o poder e se manter nele, o líder é capaz de tudo, inclusive, de produzir guerras, abrir feridas que não cicatrizam com o tempo e, mais que isso, matar, roubar e produzir o que não devia para acobertar tudo isso.

Então sempre digo aos interlocutores quando o assunto é política, poder e dinheiro: o poder não é para ser exercido por todos, pois líder não se forma, ele nasce e cresce. Pena que poucos aprendem a exercê-lo de forma sublime, descompromissada e em prol de um todo, pois, como já afirmado, o homem se corrompe. Isso é fato e não depende de berço, educação e muito menos de crença religiosa e ser temente a Deus. Todos estão sujeitos e, até aqui, muito poucos conseguiram ultrapassar as barreiras que cercam o poder, citaria aqui Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Hatshepsult – Faraó feminina do Egito (1507/1458 a.C), Abraham Lincoln, Winston Churchill e Martin Luther King Jr., entre muito poucos. Entre brasileiros, não me sinto seguro para citar algum, desde a Proclamação da República. Pode ter algum, talvez Tancredo Neves...

Mas, se relermos a história da humanidade com atenção, poucos poderão ser chamados de líderes sem interesses pessoais, muito poucos. Pois, no meu entender, a maioria absoluta olha primeiro para si, e si, e, em seguida, os seus, incluído aí os asseclas. Assim, não assustam os escândalos da República atual nem os da republiqueta passada, e muito menos as teorias políticas denominadas esquerda ou direita, que se polarizam em nosso país e mundo afora. São conceitos diferentes para uma mesma prática descabida, que tem como foco o poder pelo poder e a prepotência individual como pilar da liderança. Assim pode ser resumido.

As opiniões são para entrar na seara do que vem acontecendo em Itaúna nos últimos anos e, principalmente, meses, com escândalos consecutivos nos poderes constituídos, numa república tupiniquim onde o que importa são as ações de grupos. No Poder Legislativo, em meio às ações dos homens que deveriam estar trabalhando em prol do progresso, propondo e aprovando leis e fiscalizando os outros poderes, o que acontece é um jogo de interesse incomum e visivelmente individual, de uns poucos, e o acompanhamento passivo da maioria por pura falta de conhecimento do que é ser um Legislador e pela falta de vontade de aprender para poder atuar com contundência e robustez de argumento, para que a cidade possa avançar. São picuinhas, briguinhas e até pirraças ridículas que cheiram à baixaria de pessoas despreparadas que foram alçadas por votos mal dados. Aí é outra conversa.

Esta semana, a cidade se deparou com a notícia de que um ex-prefeito por dois mandatos, e que já foi vereador e deputado estadual por dois mandatos, foi condenado a seis anos de cadeia pela prática de “rachadinha” no seu primeiro mandato de prefeito. Meu Deus! Um homem que se diz líder de uma comunidade e que se deixa expor por mixaria apenas porque não quer “enfiar a mão no bolso” para fazer as suas campanhas? É muito pouco para homens que querem exercer a liderança. Ou estamos numa terrinha tupiniquim que não tem uma população inteligente, ou estamos numa cidade onde quem tem “um olho é rei”? É o mais provável. 

O sentimento é o de que não temos representantes sérios, não temos um nome que podemos colocar no pedestal e afirmar: é meu líder. É decepcionante ter que conviver com falsos líderes que chegam ao poder para se deleitar do direito de representar, e não para exercer com primazia a vontade do povo, com respeito, dedicação e, por que não, elegância. Posso afirmar que temos em Itaúna hoje um vácuo de lideranças, temos alguns homens sérios que exercem o poder e outros mais jovens que iniciam sua trajetória, mas os poucos que exercem com seriedade estão cercados pela escória e os jovens que se aventuram não foram e não estão preparados para o exercício da liderança, e muito menos para o poder, que é efêmero... Vamos repetir Cazuza: “Brasil, mostra a sua cara...”. E vamos repetir alguns itaunenses ilustres das décadas de 60 e 70: “Itaúna é mesmo terrinha de Borba Gato...”.

Por Renilton  Gonçalves Pacheco