O complexo sentimento “pessoal” na coisa pública
Todas as ações e visões administrativas nos setores públicos deveriam ser interpessoais, visando tão somente um todo e o bem todos. Mas isso é humanamente impossível, pois nem Jesus Cristo conseguiu agradar a todos. Porém o equilíbrio entre agradar a todos, quer dizer, à maioria, pelo menos é o que enxergo. E tenho observado que, ultimamente, no decorrer das últimas décadas, principalmente nos últimos anos, as decisões dos agentes públicos e a maneira de agir dos governantes têm sido cada vez mais pessoal e, o pior, passional. Lidam com a coisa pública como se estivessem na cozinha ou no banheiro das casas deles, porque, se estivessem na biblioteca, com certeza, as decisões e a postura seriam outras.
E isso fica evidente em Itaúna quando entra em pauta o Poder Legislativo, que a cada legislatura mostra uma formação comprometida com hábitos visivelmente menos sóbrios e eivados de vícios, que chegam a mostrar a falta de ombridade e a fraqueza de caráter da maioria dos que compõem aquele poder representativo do povo. As atitudes são mesquinhas e poucas vezes mostram a preocupação para com o povo e o próprio poder. Além disso, há uma disputa por espaço dentro do próprio poder, que atropela os objetivos principais, que são os projetos de fato benéficos à população.
Esta semana, por exemplo, o presidente da Casa, vereador Antônio de Miranda, o Toinzinho do Seu João, protocolou ou apresentou um Projeto de Resolução, o de número 04, que trata da estrutura organizacional da Câmara Municipal de Itaúna. O projeto pretende substituir cargos, criar outros, dentre outras “mexidas” na estrutura administrativa do Poder. Bom, é um direito dele, que apoia no fato de o Ministério Público ter pedido isso há cerca de 1 ano e meio. Mas, analisando a resolução sem aprofundar, observa-se que há indiretamente um acomodamento de cargos, intrinsicamente direcionado e, o pior que isso, há um substancial, diríamos, preparo de terreno para negociações futuras, visando disputas internas, como a da Mesa Diretora, por exemplo, quando as negociações por cargos afloram e são moedas de trocas de votos. Absurdo? É assim que funciona. E infelizmente é o povo quem paga, pois, com as negociações, nada funciona como deveria e os projetos e as votações pró-povo são relegados a segundo plano.
Acho interessante como os órgãos fiscalizadores e também o povo apenas observam e deixam “as coisas andarem...”. Será que já não seria hora de providências serem tomadas, digamos, no “pé do toco”, ou seja, no início da apresentação, da leitura ou da colocação em votação? Por que não acionar a Justiça imediatamente, alegando os vícios e as intenções nada saudáveis dos nobres que apresentaram a resolução? Ou seja, a Mesa Diretora, que, ao que parece, não está muito em sintonia, pois o vice-presidente pediu vistas no projeto. Ou será que foi uma vista combinada, uma vez que o presidente observou movimentações internas de que o projeto não passaria e quer observar mais e/ou negociar com mais habilidade?
O fato é que temos hoje, como já afirmei em outras ocasiões, talvez a pior formação do Legislativo das últimas três décadas. A Câmara tem uma formação ruim em todos os sentidos. Os 17 vereadores, com raríssimas exceções, são incompetentes, maldosos, sem caráter, não têm uma formação política consistente e não sabem o porquê de estarem exercendo um mandato, conferido pelo povo. E isso não é exagero. É fato. Assim como o mandato é legítimo. Mas é do povo, e não deles, para usarem e abusarem em benefício próprio.
Confesso-me assustado e, o pior, descrente com os rumos que os poderes constituídos estão tomando, apenas servindo de palanque e/ou degrau para que a maioria dos pretensos políticos possam alavancar carreiras, as quais o que menos importa é o povo, e sim o crescimento meteórico da carreira política. É assim que funciona. No prédio da Avenida Getúlio Vargas, em minha opinião, no momento, está instalada uma verdadeira “corja”. E incluo aí muitos assessores e funcionários. Tudo é uma questão de a carapuça servir. Vamos ver... Deixa a semana correr. E afirmo isso com uma certa tristeza, pois gostaria de ver o Poder Legislativo, de fato, legislando em prol do povo, buscando soluções para os entraves e gargalos que a cidade precisa resolver, e, mais que isso, queria muito que o povo desta cidade, que se diz Educativa do Mundo, aprendesse a votar. É fácil, muito fácil. É só observar, peneirar e exercer a cidadania como convém. Assim seria melhor para todos e o futuro seria de uma cidade mais preparada e, consecutivamente, mais humana para todos em todos os sentidos, principalmente nas prestações dos serviços públicos ao cidadão. Ainda é tempo de mudar. Basta querer.




