REUNIÃO ORDINÁRIA - Carol “fica magoada” e faz showzinho na Câmara
Na reunião desta semana, vereadora entrou em plenário com um cão debaixo do braço após fala da dirigente da AIDA



O hall de atendimento ao público no prédio da Prefeitura abriga, no decorrer do dia, vários cachorros, que dormem e transitam no local, incomodando e colocando em risco a saúde das pessoas; mesmo assim, segundo a assessoria, recebem água e ração todos os dias
Uma polêmica em torno da “causa animal” está acontecendo em Itaúna e tem ganhado holofotes nas redes sociais e na Câmara, em torno de posições da vereadora Carol Faria, que estaria “magoada”, segundo comentários, por não ter participação na ação de mutirão de castrações acontecida em Itaúna no último domingo, 17. Antes mesmo de acontecer o mutirão, a vereadora ocupou espaço na Câmara, na reunião do dia 12, para atacar o prefeito Gustavo Mitre. Em vídeo postado nas redes sociais, ela afirmou que o prefeito “quer crescer e aparecer”, utilizando-se da causa animal para tanto. Afirmou que ele estaria transformando algumas ações, como a do mutirão, em vitrine.
As críticas da vereadora têm sido muitas, especialmente após o anúncio da realização do mutirão de castrações, que, curiosamente, não teve a participação da vereadora, que atua tendo a “causa animal” como bandeira. O citado mutirão aconteceu a partir de ações da Ong AIDA – Associação Itaunense de Defesa Animal/Ambiental, com participação da Prefeitura e de outras entidades, com apoio do deputado estadual Noraldino e sua irmã, Kátia Dias. Até aí, tudo natural, sem motivos para “chiliques”.
Ato “simbólico” na Câmara
Na reunião do Legislativo, de terça-feira, 19, o encontro transcorria normalmente, até que a dirigente da ONG AIDA, Michele Nogueira, ocupou o expediente Participação Popular para falar sobre o mutirão. Após abordar seu trabalho pessoal, que, conforme ela ressaltou, é realizado “há mais de 15 anos”, Michele lembrou de situações passadas em relação aos animais soltos nas ruas. Depois, citou números do mutirão e, por fim, fez um apelo à união por parte dos defensores da causa animal. Mesmo sem citar o nome da vereadora, Michele afirmou que “questões pessoais não podem nos afastar (da luta pela causa)” e conclamou, mais uma vez, pela união. Criticou, ainda, em sua fala, a entrada de “disputas pessoais” quando se deveria atuar em favor de uma causa única, que seria a defesa dos pets.
Assim que Michele Nogueira terminou de falar, o vice-presidente da Mesa, Gustavo Dornas, que comandava a reunião naquele momento, iniciou uma fala e foi quase interrompido pela entrada “simbólica” de Carol, ausente do encontro até aquele momento. A vereadora entrou “desfilando” com um cão debaixo do braço. Pediu a fala e disse que “queria ter ouvido a moça da AIDA falar”, mas que não conseguiu, porque estava socorrendo um cachorrinho naquele momento. Depois de dizer que o cãozinho estava ferido e que o levaria a uma clínica, ela disse: “Daqui a pouco eu volto, viu?”. Agradeceu e saiu.
Teatro, armação, o que foi aquilo?
Pessoas que estavam acompanhando a reunião comentaram, incrédulas, sobre o ato com a reportagem. Entre interrogações como “o que foi aquilo?”, alguns apontavam o ato como “teatro”, outros como “armação”, e a maioria tecendo críticas à briga por espaço político que estaria sendo travada em torno do tema. Uma cidadã chegou, inclusive, a comentar que o fato parecia “birrinha de menina mimada”. O fato é que a causa animal é um espaço em que alguns políticos têm feito carreira e, com a crescente da participação de pessoas na luta pela defesa dos pets, esse espaço ganha em importância.
Um “especialista em argumento”, comentando o fato à reportagem, lembrou que “o espaço da religiosidade está muito embolado, todo mundo virou defensor da fé, da religião, e parece que isso não está dando muitos votos mais... Aí, começou a briga por espaço na causa animal, que é outro nicho de votos. Na verdade, o que se verá nos próximos meses é o aumento da disputa por esse espaço, podem esperar”. Será?




