Falta de pulso e os desencontros

Falta de pulso e os desencontros

Por mais de uma vez, já citei aqui que as relações institucionais e governamentais devem sempre obedecer a um código de ética, que deve incluir respeito ao cidadão e, principalmente, divulgação precisa e com amplitude. Acima de tudo, que tenha precisão nas informações que são de interesse púbico, pois, se são governamentais, são públicas. Na semana anterior, mais uma vez, o setor de informação do nosso governo municipal não funcionou como deveria. Acredito até que não foi por culpa dos que atuam e fazem a gestão do setor, mas por desprezo à informação dos gestores municipais. Quando falo gestores, incluo prefeito, secretários e chefes, pois são eles que decidem. 

O episódio que me leva ao assunto novamente foi o anúncio, na semana passada, precisamente de quinta-feira para sexta-feira, de que o transporte coletivo mudaria de ponto na Praça da Matriz na segunda-feira, dia 4, saindo de frente da agência do banco Mercantil, indo para o fundo do antigo prédio do Fórum, que vai abrigar a Delegacia de Polícia Civil. Colocaram placas, fizeram nova sinalização, colocaram avisos dentro dos ônibus, mudaram o estacionamento de motos de lugar, mas... Esqueceram do principal: consultar o novo “dono do pedaço” e a lei que rege determinados setores da área de segurança pública. Assim, receberam, já no finalzinho da tarde da sexta-feira, um ofício do delegado titular da Delegacia de Itaúna, Dr. Leonardo Pio, informando que o local é área de segurança e que o ponto de ônibus não poderia funcionar lá. Ele ainda solicitou, no mesmo ofício, que a área pretendida para o ponto de ônibus fosse totalmente liberada, não abrigando sequer o estacionamento de motos como antes, porque ele precisará do local para estacionamento. 

Bom, a questão de área de segurança está na lei que rege a matéria segurança pública, mas há de se levar em consideração que o bom senso deve prevalecer em determinados casos em se tratando de uma cidade de interior, onde as opções de prédios para abrigar serviços públicos não são muitas. O ponto de ônibus não prejudicaria em nada os serviços da delegacia e muito menos colocaria os profissionais civis em risco em se tratando de segurança. No meu ponto de vista, para o usuário do transporte público, seria motivo de mais segurança, pois ladrões e/ou arruaceiros não se atreveriam a frequentar o lugar e “aprontar”. Mas eles não querem saber do usuário, estão preocupados é em olhar o bem-estar de poucos... ou seja, o umbigo deles mesmos. Sem ponto de ônibus e estacionamento de motos, menos barulho, e por aí vai...

E, em meio a isso, o comandante, coronel Alexandre, o homem da “segurança-pública municipal e do trânsito” – que até agora não disse a que veio, pois não melhorou a segurança e muito menos o trânsito, e também não consegue fazer as coisas fluírem, além disso, não consegue fazer nada certo –, não teve pulso para “brigar” pela melhoria proposta em prol do povo. Pelo menos até agora. Acho ele bem intencionando e excelente pessoa, mas, como gestor de pasta, já mostrou que não dá conta. E não vai dar conta de nada, muito menos do trânsito. É só bola fora até aqui. Impressionante. O episódio do ponto de ônibus na semana anterior só tem um culpado: ele. 

Quanto ao nosso prefeito, que só tenho elogios a fazer quando o assunto é boas intenções, já chegou a hora de botar as manguinhas de fora e dar tapa na mesa. Ele vai dizer que não é homem disso, que o diálogo é melhor e que para tudo tem solução. Também acho. Mas, no episódio do transporte coletivo, a palavra final foi dele. Se sou eu, agiria pensando no cidadão que tem que ficar na porta de banco em pé esperando ônibus sem um mínimo de conforto e segurança. Por falar em segurança, porta de banco é local seguro por acaso? Até onde sei, porta de instituição bancária também é área de segurança. E, por um acaso, onde a delegacia funciona por mais de 20 anos tem segurança? É área de segurança? Mesmo com as pessoas transitando a menos de 5 metros da entrada do prédio? Por que essa “frescura” agora? 

O fato é que o povo vai continuar sofrendo no mesmo lugar por incompetência dos que têm a caneta nas mãos, mas não sabem fazer uso dela. Se sou eu, Dr. Gustavo Mitre, teria resolvido a situação no gabinete do governador ou em que esfera superior fosse. O delegado, gente boa e competente, que ficasse onde está, até que um prédio mais adequando fosse destinado para a “sua” delegacia. No bairro de Lourdes tem um terreno à disposição, a cadeia vai sair da Rua Santana, e ainda tem o Campo Vermelho, terreno que foi doado pelo Município à Universidade de Itaúna, que hoje tem dono. Mas é só requerer o terreno de volta, desapropriar ou fazer um acordo com a UI. Na principal praça da cidade, não é lugar de delegacia. Isso é uma verdade irrefutável. 

Mas... não custa repetir: Itaúna não deu um leitão pra cachaço e nem um pinto pra galo. Aqui, qualquer um que chega canta alto ou comanda o chiqueiro. E, assim, cada um vai ficando com o que quer, mandando em cada pedaço e falando grosso dentro de gabinetes. Como não tenho rabo preso e nem papas na língua, não tenho que ficar vendo o bonde passar sem colocar a boca no trombone. E haja trocadilhos para ilustrar a nossa barranqueira e engraçada Itaúna. Engraçada? Melhor pobre. Falei alguma mentira?    

Por Renilton  Gonçalves Pacheco