PONTOS DE ÔNIBUS - Faltou coragem e competência

Prefeitura define mudança e depois desfaz medida por interferência de delegado

PONTOS DE ÔNIBUS - Faltou coragem e competência

A confusão causada com a determinação da mudança do ponto de ônibus de frente da agência do Banco Mercantil para o trecho atrás do prédio do antigo Fórum, na Praça da Matriz de Itaúna, é a exemplificação da inexistência de pelo menos duas posturas: coragem e competência. Competência porque, ao que parece, não se planejou a mudança conforme deveria ter ocorrido, pois, se antes de determinar a alteração, o delegado tivesse sido procurado e comunicado, seria evitado o transtorno de determinar e depois anular a determinação. É fácil saber que a relação entre a Prefeitura e a Polícia Civil é tranquila, então por que não se conversou antes de determinar a mudança? Incompetência, no mínimo...

Faltou coragem, sim, porque é fácil saber que quem determina mudanças de localização de pontos de embarque e desembarque, alterações de itinerário e assemelhados é o Município. O setor responsável pelo trânsito, em cada cidade, é que tem o poder para fazer alterações, ou não, de pontos de embarque e desembarque, itinerários etc. Portanto, a alegação de que um ofício do delegado afirmando que existem questões de segurança e a necessidade de manutenção de estacionamento no entorno para a Polícia Civil sai mais como chacota com o cidadão comum, que não goza de benefícios como o de reserva de estacionamento de seus veículos próximo ao local de trabalho.

Caso existisse mesmo a questão da segurança, por se tratar de proximidade da Delegacia de Polícia, como se tentou alegar, o que dizer de onde hoje funciona a Delegacia e onde está o ponto de ônibus? É tão distante assim um do outro? Também há que se discutir, e aí o assunto é mais sério, a questão da insegurança que traz a instalação de um ponto de ônibus em frente a uma agência bancária. E sem falar na questão da proximidade da esquina, o que certamente contraria a legislação de trânsito.

É fato que as alegações apresentadas para “voltar atrás” na decisão não se sustentam, por já existir na situação atual em que o ponto de ônibus está, a alguns metros da sede da Delegacia de Polícia Civil. E, como afirmado em matéria da FOLHA postada nas redes sociais, ainda no sábado, 4, a decisão de anular a mudança por parte da Prefeitura se mantém.

A velocidade da submissão do Município impressiona: poucas horas após o delegado protocolar um ofício contestando a alteração do trânsito sob a justificativa de preservação de uma suposta “área de segurança” e da necessidade de vagas de estacionamento para a futura Delegacia, a administração municipal agiu na calada da noite. Placas indicativas que já haviam sido instaladas na região do antigo Fórum para orientar os motoristas e usuários foram retiradas e recolhidas pela Prefeitura, tentando apagar o rastro do projeto que entraria em operação na segunda-feira. 

É um completo absurdo que o interesse individual de um delegado, preocupado em garantir a comodidade de seu estacionamento privativo, se sobreponha ao bem-estar e ao direito de ir e vir de milhares de cidadãos de Itaúna. A Prefeitura demonstra uma grave falta de pulso e total submissão, sacrificando o planejamento urbano e a segurança dos passageiros para ceder à pressão de uma única autoridade.

O argumento oficial utilizado pela Polícia Civil — de que o fluxo e a concentração de passageiros nas proximidades da unidade policial poderiam comprometer as diligências e gerar riscos à população — esconde a verdadeira e mesquinha motivação: a disputa por espaço de estacionamento para viaturas e carros particulares de agentes públicos. Enquanto isso, os usuários...