O “dono” sou eu...
Hoje pensei, pensei... e não consegui chegar a um assunto com conteúdo suficiente para opinar, apenas descrever ou mesmo registrar a nossa terrinha barranqueira. Mas, como somos um torrão diferenciado dessas “Minas Gerais”, onde se encontra boa prosa, bons causos, que arrancam boas risadas, vamos, mais uma vez, descrever apenas, como já falei, sobre a originalidade do cidadão itaunense, que só não é mais engraçado que nordestino plantando mandioca ou comendo rapadura ou carioca falando entre os dentes, com a língua presa... Mas vamos lá que o assunto acaba sendo sério, porque envolve situações que mexem com alguns ou até grupos, mas que precisam ser executadas para melhorar a “vida” de todos.
O itaunense é mesmo uma figura interessante, ele não pode ver um movimento que reflete no seu dia a dia que começa a “estrilar”. E, esta semana, uma notícia – que, a meu ver, não é tão importante assim, porque não mexe com a vida de ninguém a ponto de prejudicar ou piorar o que já estava – começou a passar de boca em boca e acabou virando motivo de reclamações diversas. É que decidiram mudar o principal ponto de ônibus da Praça da Matriz, que está indevidamente, e faz muito tempo, em frente à agência do banco Mercantil. Digo indevidamente porque é absurdo um ponto de ônibus em um passeio de apenas 1,5 metros, e exatamente na porta de uma agência bancária. Na segunda-feira próxima, dia 6, esse ponto passa para a Rua Capitão Vicente, atrás do prédio do antigo fórum. A solução paliativa, acho, vem para melhorar alguns aspectos: o local é mais adequado, pois não há comércio, e sim a parede do prédio que vai abrigar a delegacia – o que, em meu entendimento, contribui, pois, da janela, os funcionários da PC podem “monitorar” o movimento, passando a sensação de mais segurança para os que esperam o ônibus; os coletivos param de circular a praça, contribuindo para desobstruir o trânsito e para a agilidade dos horários do transporte; e, além disso, o tumulto nos horários de pico não vai prejudicar mais os transeuntes que estão indo ou saindo do serviço, como no antigo ponto.
Além disso tudo, descobri que tenho razão em pelo menos uma coisa na questão do transporte coletivo urbano: como eu, é unanimidade que a cidade precisa de um terminal ou de um ponto de apoio de acesso aos ônibus na área central, ou seja, na Praça da Matriz. E, assim, já defendo, e faz tempo, a construção desse terminal e cheguei a sugerir que fosse no prédio do antigo fórum, e já sugeri para amigos e/ou conhecidos, em bate-papos, que um ponto de ônibus com guarita coberta e pista de acesso, cadeiras, ar-condicionado e portas automáticas poderia ser construído na parte inferior da praça, em frente ao Edifício Benfica. E descobri que há um projeto pronto nesse sentido desde o governo Eugênio Pinto. Um projeto simples e de fácil execução e que resolveria a médio prazo a situação de embarque e desembarque de passageiros na área central. Um projeto que entraria um pouco nos jardins da praça, com a construção de uma pista, mas não chegaria e destruir o paisagismo do local. Mas acho que dificilmente isso vai se concretizar...
E sabe por quê? Muito simples: o itaunense acha que é dono de cada pedaço do “curralzinho”. É isto. Nossa Itaúna sempre foi um curral de poucos. Hoje é um curral de muitos. E, é interessante observar, que poucos acham que podem definir as coisas em nome de todos. Esta semana, ouvi reclamações de gente de todas as condições sociais por causa de uma simples mudança de ponto de ônibus, inclusive, de pessoas que nunca entraram em um transporte coletivo, que não sabem sequer se a roleta fica na frente ou atrás do ônibus e se ela ainda existe, porque trocador sou sabedor de que não existe. E sabe o porquê disso? Porque a nossa terrinha de Barbo Gato é ímpar e o povinho que não deu um pinto pra galo e nem um leitão pra cachaço só pensa nele. A questão do ponto de ônibus só virou polêmica porque os donos dos pontos do jogo do bicho, dos botecos e das lanchonetes do entorno da nossa praça acham que isso vai diminuir o movimento dos seus estabelecimentos, os donos das lojas acham que suas vitrines não vão ser admiradas como antes e até os vendedores ilegais de pano de prato já estão chiando, porque vão ter que mudar para um lugar com menos bobos para serem “convencidos quase à força”.
E, assim, nosso torrão único também tem os motoristas de taxis, que acham que toda a praça é deles, o que os comerciantes também acham. O nosso amigo Toninho da Banca, gente finíssima, tem a certeza de que é dele. O padre e seus paroquianos têm a absoluta certeza de que podem fazer o que quiserem, principalmente a turminha da comunicação... Os moradores de rua apenas acham... Os jogadores de truco, então, ficaram com o caramanchão pra eles e ninguém tasca. E assim vai! Só para ilustrar, sempre foi assim na nossa Itaúna. Antigamente, tinha a rua das viúvas, o beco da caridade, a rua da fábrica, a esquina do Rena e a pracinha do capeta... E hoje tem a pracinha do Sandoval, a pracinha dos aposentados, dentre muitos outros locais que os barranqueiros consideram deles e ninguém pode “mexer”. Quando tentam mudar alguma coisa, a resposta é imediata: É meu. Ou: É nosso. Não tem prefeito e nem autoridade que mude... E o pior é que tem patrimônio de muitos, como clubes, que tem dono, não vou citar nomes, mas todos sabem quem são. Lembram do Flor do Momo? Era do Júlio da Zurica, e hoje tem o União e o Automóvel Clube. O pior é que tem patrimônio do povo (pelo menos dois ou três) que também tem dono e ficou para uma família só, e ninguém tasca... A resposta sempre é: Aqui ninguém entra, é meu e ponto. Então a nossa Itaúna, preciosa, e que é humana e pitoresca, como dizia o Peri Gomide, o nosso Pancrácio Fidelis, entra ano, sai ano e vira século, continua engraçada. Aqui pode tudo, mas poucos mandam. Como sempre. Eita, povinho! Zé estava certo: nem um pinto pra galo e nem um leitão pra cachaço.
Por Renilton Gonçalves Pacheco




