Um toque de campainha

Um toque de campainha

Um pedacinho de papel estava depositado sobre a mesa de Nero Wolfe, dizia que se pagaria a quem o apresentasse a quantia de cem mil dólares e estava assinado pela Sra. Rachel Brunner. Viúva do milionário falecido Lloyd Brunner, que deixara várias dúzias de edifícios, dos quais oito pelo menos tinham mais de doze andares. 

Provavelmente, se não fosse o fato de que estávamos no início do ano, o Sr. Wolfe teria rejeitado prontamente aquele suntuoso pagamento.

O Sr. Goodwing, assistente de Nero Wolfe, apenas disse que lia jornais, como quem diz que sabe perfeitamente que a conhece. 

A Sra. Bruner, incisivamente, diz que sabe que ele os lê e que sabe muita coisa a respeito dos dois, e por isso estava ali, momento em que inquiriu o detetive se ele havia lido o livro O FBI QUE NINGUÉM CONHECE.

Nero respondeu que já.

- O livro o impressionou?

- Sim.

- Favoravelmente?

- Sim.

Apesar de reclamar, dizendo que Nero fora extremamente lacônico em suas respostas, confessou que também lera o livro e ficara impressionada, a tal ponto que comprara 10 mil exemplares e presenteara uma porção de gente em todo país.

Informou também que enviara ao gabinete juízes do Supremo Tribunal, governadores dos estados, senadores, deputados, jornais, revistas, enfim, todo mundo a quem possa interessar. 

A conversa tomou outro rumo, ela estava pagando aquela quantia pelos seus serviços, caso aceitasse fazer com que o FBI deixasse de importuná-la e de espioná-la. Disse que tinha certeza absoluta de estar sendo vigiada, inclusive, que sua casa estava cheia de escutas sem falar nas campanas, que os federais estavam fazendo em sua porta sem falar que andavam fazendo perguntas a amigos seus. Os advogados consultados disseram que foi imprudente e quixotesco remeter os livros.

Enfim, o que a Sra. Bruner quer é que Nero Wolfe PARE o FBI.

Ao que Nero respondeu: “Absurdo”.

Realmente, a Sra. Bruner estava convencida e decidida a contratá-lo, tanto que sacou de sua bolsa o talão de cheques, preencheu e jogou sobre a mesa um cheque assinado no valor de cinquenta mil dólares, dizendo que era apenas um sinal e que, para alcançar o sucesso, não haveria limites.

O detetive parecia cada vez mais irredutível, porque, se ela estava sendo seguida, também o fora até ali, e, por se tratar de sua residência, sabiam que era para contratá-lo e que, por certo, já haveria um sujeito vigiando a casa ou passará a vigiá-la a partir do momento em que ele cometer a estupidez de aceitar o serviço.

Este é o segundo livro que leio de Rex Stout, escritor americano de muito sucesso, com seus romances e/ou novelas policiais escritos nos idos dos anos sessenta. Mais uma vez, estamos às voltas com Nero Wolfe, detetive particular em Nova York. O personagem é bastante peculiar, não sai em busca de provas, aliás, não sai de casa. É fascinado por culinária tendo um cozinheiro particular em sua residência. Todo trabalho é feito por seu comparsa, Archie Goodwin. Ele faz a investigação, inquire pessoas, vai à delegacia, aos jornais, trazendo todas as informações para Nero Wolfe.

A publicação que tenho em mãos é de 1984 e posso dizer que é muito interessante. O desenrolar da história é contada pelo narrador, que aqui é Goodwin, que, vez ou outra, se dirige ao leitor, estabelecendo um diálogo ao longo da obra, dando uma ideia de interação, bastante incomum em livros do gênero, pelo menos para aquela época. 

Sim, meu caro leitor, você não se decepcionará com a leitura, garanto, é melhor que muito filme, e você não desperdiçará seu tempo com aqueles filmes de ação previsíveis e cheios de clichês.