“CPI DO COMPADRIO” - Grupo de vereadores contesta relatório
Grupo de edis entrou com recurso e pedido de marcação de reunião extraordinária para analisar e votar o documento
Como afirmado em matéria desta edição, a “CPI do Compadrio” teve um relatório final pelo arquivamento da denúncia, em um processo que transcorreu em tempo recorde, inclusive, com reunião acontecendo às 7 horas de uma segunda-feira para tentar colocar uma pá de cal no assunto. Mas, parece, a tática não funcionou, pois os vereadores contrários à maneira como a situação vem sendo tratada entraram com dois pedidos junto à Mesa, atendendo às regras estipuladas no Regimento Interno da Câmara Municipal de Itaúna.
O primeiro deles, um recurso por ilegalidade na CPI, que, dentre outras medidas, propõe a rejeição ao relatório final apresentado. Em seguida, em uma série de 15 pedidos colocados, pugna pela recomposição da CPI, visto que discordam da composição, bem como do encaminhamento dado ao caso. O fato de o vereador Kaio Guimarães, amigo mais próximo do acusado e responsável pela sua contratação, presidir a CPI é visto como flagrante falta de ética, chegando até mesmo a parecer um escárnio à seriedade com a qual deveria caminhar a CPI.
“O padrinho, o melhor amigo do acusado, presidir a CPI que apura acusações exatamente contra ele (o acusado) é zombar da sociedade itaunense, achando que aqui só tem bobo”, disse um vereador à reportagem, para apontar o grau de insatisfação dos demais colegas de Câmara. Também é pedido no recurso que o edil Antônio José, o Da Lua, seja o condutor da formação de nova composição da CPI. Isso é sintomático no sentido de que o vice-presidente, de forma intempestiva em pelo menos uma oportunidade, interferiu no andamento da CPI em favor dos acusados.
No pedido de recomposição dos membros da CPI é solicitado que sejam respeitadas as regras da proporcionalidade partidária, da pluralidade partidária e da indicação formal dos líderes, dentre outras. Também é pedido que as reuniões sejam realizadas no plenário da Câmara, para possibilitar que os encontros sejam transmitidos ao vivo, dando assim a devida transparência aos atos.
Assinaram os pedidos, inicialmente, seis vereadores, conforme determina a legislação. Porém a FOLHA apurou que nove deles apoiam as medidas, o que por si só já garante a maioria da edilidade e, portanto, a aprovação dos pedidos. Além do recurso, os vereadores solicitam a marcação de uma reunião extraordinária para análise e votação dos pedidos. Portanto, a “pizza”, servida crua, não agradou e a “CPI do Compadrio” deve ser refeita e um novo grupo deve ser formado e novo encaminhamento deverá ser dado ao caso.



