IMPOSTO - Mais ricos pagam menos no Brasil

Estudo mostra que cidadão comum paga o dobro em relação aos mais endinheirados

IMPOSTO - Mais ricos pagam menos no Brasil

Existe um ditado de que, “no Brasil, rico não vai para a cadeia”. Outra afirmação é de que “o brasileiro paga muito imposto”. Se no primeiro caso o dia a dia nos leva à constatação de que a fala popular existe de verdade, em relação a “ir para a cadeia”, na questão dos impostos um estudo publicado recentemente demonstra que a realidade não é igual para todos. Isso porque a maioria dos brasileiros, das classes menos afortunadas, realmente pagam muito de sua renda em impostos. O levantamento demonstra que a média é de 42,5% do que se ganha é consumido por impostos.

Porém uma outra parcela da população, aqueles que ganham mais, com renda que ultrapassa os R$ 5,5 milhões por ano, ou seja, que têm ganhos acima de R$ 450 mil por mês, pagam somente uma média de 20,6% em impostos. Esta é a realidade: quem ganha mais paga menos impostos, já que a cobrança de impostos no País é realizada no sistema “regressivo”, penalizando os de menor ganho. A informação está no artigo assinado pelos economistas Theo Palomo, Davi Bhering, Thiago Scot, Pierre Bachas, Luciana Barcarolo, Celso Campos, Javier Feinmann, Leonardo Moreira e Gabriel Zucman. O estudo, com dados da Receita Federal do Brasil, sob o título “Progressividade tributária e desigualdade no Brasil: evidências a partir de dados administrativos integrados”, foi publicado na EUTax Observatory, em 2025, e está sendo repercutido na imprensa especializada ante a solidez das informações.

Nos Estados Unidos, país visto como a “meca” do neoliberalismo, a proporção de impostos é inversa. Enquanto a população geral, ou seja, os menos endinheirados, paga 29% do que arrecada em impostos, os mais ricos pagam um percentual de 36%. Mesmo assim, suas fortunas aumentam sempre, porém em proporção menos acelerada do que ocorre no Brasil, onde o mais rico paga menos imposto. 

Essa situação é explicada no documento, apontando três pilares importantes: o primeiro aponta que a grande carga arrecadatória no Brasil está no imposto cobrado sobre consumo – ISS, ICMS, IPI, Cofins, Pis/Pasep. Já em relação aos mais ricos, eles não são taxados nos lucros sobre dividendos, que são o retorno da especulação financeira (aplicação em ações, por exemplo). E, por último, a grande fatia das isenções e deduções na cobrança de impostos favorecem os mais ricos, que são os investidores em grandes empresas.