VIOLÊNCIA E INCLUSÃO SOCIAL - Itaúna tem um dos piores índices do País
Ranking do IPS 2026 mostra dados críticos do município em Segurança Pessoal e em Inclusão Social. Onde estamos errando mais?
O IPS Brasil divulgou, na quarta-feira, 20, o Índice de Progresso Social dos 5.570 municípios brasileiros e as notícias para Itaúna não são boas no que se refere às avaliações feitas em Segurança Pessoal e em Inclusão Social, principalmente. Na questão da Segurança Social, os dados mostram que Itaúna está na posição de número 4.373 entre os 5.570 municípios avaliados, obtendo 53,54 pontos em 100 pontos possíveis. E, quando a avaliação é feita em Inclusão Social, a situação é ainda pior, pois o município está na posição de número 5.352 entre os 5.570 avaliados, com 36,27 pontos dos 100 pontos possíveis.
E, se a situação for avaliada em relação às cidades com mais de 100 mil habitantes em Minas Gerais, Itaúna só é mais segura do que três municípios: Ubá, Betim e Governador Valadares, conforme o índice divulgado. Isso entre 36 municípios mineiros. Analisando somente estes 36 municípios mineiros, encontramos Nova Serrana na 18ª posição, Divinópolis na 21ª e Pará de Minas na 26ª, enquanto Itaúna amarga a 33ª posição, a pior na comparação entre as quatro maiores cidades do Centro-Oeste de Minas.
Para chegar a essa situação, o IPS avaliou a situação em relação a assassinatos de jovens, assassinatos de mulheres, homicídios de forma geral e as mortes ocasionadas por acidentes de transporte (trânsito). Para quem tem acompanhado informações publicadas na FOLHA, a colocação de Itaúna no IPS em relação à Segurança Pessoal (violência) não é novidade. A cidade apresenta números altíssimos em relação a esses quesitos de segurança. Em 2026, por exemplo, até o mês de abril, foi registrado cerca de 1,5 homicídio por mês no município. Os índices de violência contra a mulher também foram altos.
Inclusão Social tem números piores
Na classificação geral, dentre os 5.570 municípios brasileiros, Itaúna ocupa a “desonrosa” posição de número 5.352 em Inclusão Social. Nesse índice, são avaliados os quesitos de famílias em situação de rua; paridade de gêneros na Cãmara Municipal; paridade de negros na Câmara Municipal; e violência contra a mulher, contra negros e contra indígenas. E a situação aparece mais crítica, ainda, quando se trata da questão das pessoas em situação de rua.
Novamente, é preciso apontar que as reportagens da FOLHA demonstram que não é novidade a situação de Itaúna nesse índice. E é bom recordar que a atual administração ainda tem feito algum trabalho nesse setor. Se avaliarmos o que vinha acontecendo em Itaúna na administração anterior, quando se tratava de ações na área, encontraremos muitos dos motivos de a classificação do município estar tão abaixo.
Outros dados apontados à reportagem, por leitores que tiveram acesso aos números do IPS Brasil, também mostram posições alarmantes para Itaúna: dentre as 36 cidades mineiras com mais de 100 mil habitantes, os índices em Saúde e Bem-Estar em nosso município só estão à frente de Vespasiano e Governador Valadares, ocupando a 34ª posição entre 36 cidades. E, com relação ao quesito Oportunidades, só estamos à frente de Nova Serrana, com Itaúna ocupando a 35ª posição entre 36 cidades.
É preciso repensar as ações da sociedade
Outro dado alarmante é com relação à colocação de Itaúna dentre as 338 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes no registro de suicídios. Itaúna registra mais casos de suicídio do que 330 dessas cidades, ficando com a oitava posição. São números que demonstram que é preciso reavaliar essas situações de Itaúna enquanto sociedade. Não são questões para serem cobradas apenas da administração municipal, estadual ou até mesmo federal.
Violência existe de maneira geral, em todo o País. Mas por que os dados de Itaúna são tão altos em relação às demais cidades, especialmente as de mesmo porte? A carência de estrutura é equivalente à das demais cidades. Então o que leva a índices diferentes, mais elevados, em Itaúna? A nossa sociedade beneficia ações de violência contra os jovens? Contra as mulheres? Contra os negros? Onde estamos errando mais? Na relação com o próximo?
Os dados do IPS Brasil para Itaúna precisam ser mais bem estudados. Pelas autoridades, pelos agentes públicos, mas também pelas nossas lideranças. Será que os problemas vêm da falta de políticas públicas? Ou também da relação em sociedade? Fica, com a divulgação desses dados, uma provocação à nossa sociedade: onde estamos errando mais?




