Um boost para destravar a máquina

Um boost  para destravar a máquina

Estamos próximos de completar 1 ano e meio de mandato do governo municipal e as interpretações populares são diversas e apontam para direções diferentes, o que é natural quando se tem a opinião popular. Num todo, ouve-se que o prefeito é gente boa, um cidadão correto (e que não vai roubar), mas que tem que fazer algo para que o governo comece a fazer mais. As opiniões mais amplas vêm acompanhadas de argumentos de que o chefe de governo tem o apoio da maioria em todas as camadas, mas a sua equipe peca por não conseguir executar o que está planejado a tempo e a hora, ou seja, há uma insatisfação em relação aos serviços básicos e ao trabalho burocrático de secretarias meio e, principalmente, das secretarias fim. Isso quer dizer que as ordens e as demandas são estartadas nos gabinetes, mas ficam paradas em meio aos entraves burocráticos dos cargos de chefia e, quando chegam à população, já estão com atrasos visíveis.

É preciso mudar, e isso, ao que parece, já foi detectado pelo chefe do Executivo, e mudanças devem acontecer até julho vindouro, são as informações. Em nossa análise, após conversas com o cidadão itaunense de todas as classes sociais, e todos dependem dos serviços públicos, há uma satisfação com o prefeito, pois sempre destacam que “ele é um homem sério, bem-intencionado e não rouba...”. Mas frisam sempre no final: “Ele precisa fazer com que as coisas aconteçam, seus homens de confiança não conhecem a cidade e os serviços não andam...”. Aí vem a pergunta: onde está o erro, além da maioria dos homens de confiança em pontos-chaves não serem da cidade? Entendo que é o estilo pacífico de governar. Gustavo Mitre é uma pessoa pacífica, no sentido de que busca não criar atrito com ninguém, sempre buscando uma saída que seja boa para todos, mas há momentos em que o “tapa na mesa” se faz necessário, e, ao que parece, estamos nesse momento. 

Aliada ao momento, há a situação política que envolve o Poder Legislativo num todo, pois, mesmo tendo uma base, o prefeito necessita trabalhar com a segurança de que terá as propostas importantes para o seu governo aprovadas, mas, para que isso aconteça, depende de articulações de bastidores para que o convencimento seja pautado em propostas consistentes e que transmitam uma visão de que o beneficiário final seja de fato a população num todo, e não camadas ou setores da comunidade. E aí, mais uma vez, falta o articulador confiável e que conheça e transite pela população com desenvoltura e postura de confiança. O prefeito tem esse perfil, mas não consegue fazer tudo, então é preciso delegar certo. Mas, mais que delegar, é preciso confiar também, pois há nomes que podem contribuir, mas não são dignos de confiança no grupo do prefeito, ou seja, a roda não abre para que possa atingir um círculo maior de pessoas. É preciso observar isso para que as articulações políticas se transformem em atos, que podem ser transformados em ações que cheguem até a população em forma de melhorias em todos os setores. E é preciso registrar que, em se tratando de Câmara Municipal, temos uma das piores das últimas décadas, quando o assunto é conhecimento de Legislação, conhecimento político e conhecimento do trabalho representativo. Enfim, a composição da Câmara é uma lástima.

Com as interpretações expostas, não estou fazendo críticas veladas à administração de Gustavo Mitre, mas, sim, buscando contribuir para que essa administração possa ser mais eficaz e objetiva quando se trata de serviços e o bem-estar da população num todo, e não de setores e/ou camadas sociais. Tenho a certeza de que o prefeito não sabe de tudo que acontece em sua administração, pois não é fácil “socorrer” uma cidade com mais de 100 mil habitantes e que cresce a cada dia. Mas é necessário ação constante. É preciso estar atento, e isso quer dizer que o chefe do Executivo precisa ter “executivos” em suas secretarias, que precisam ter gerentes, e estes precisam ter chefes de setores, que precisam de encarregados, e que precisam de funcionários aptos para executar serviços. Só vai funcionar assim. E vejo que não está difícil funcionar como deveria, uma “mexida”, um “puxão de orelha” bem dado e/ou uma postura de decisão firme resolve, apenas isso. 

Temos uma cidade razoavelmente limpa, com ruas sem buracos, na maioria, com boa iluminação, com uma excelente distribuição de água, uma captação de esgoto que funciona a contento, com observação para os reparos do que foi destruído. Mas, por outro lado, temos um trânsito caótico e com solução difícil, e, ao que parece, com desfecho positivo somente a longo prazo. Temos um serviço de engenharia que não funciona e que é pior que o de outros governos, e que nunca funcionaram. E é fato que o setor da construção civil desistiu de Itaúna e já investe em outras cidades da região por esse motivo. Temos uma Secretaria de Desenvolvimento Social que não sabe como trabalhar o seríssimo problema dos moradores de rua e dos dependentes químicos... Enfim, com toda sinceridade, temos pessoas erradas em setores fundamentais, ou, mais que isso, temos pessoas que não sabem o que estão fazendo, por um motivo muito simples, não têm conhecimento da área, do serviço... É simples: não há como colocar uma pessoa para cuidar do jardim se ela não consegue sentir o perfume ou a beleza de uma flor... Ela vai machucá-la... Isso serve para tudo, inclusive, para quem vai trabalhar com pedras, pois é preciso saber talhar para isso. Então ficam as observações, com um único objetivo: ajudar, porque, para atrapalhar e tentar com que piore, tem muita gente... 

E li esta semana uma frase que cabe muito bem neste texto: “O cargo mais alto que alguém pode ocupar é o de ser humano. Se não for bom nisso, qualquer outro título perde o valor”. E, como já afirmei no início do texto, o prefeito é muito bom nisso. Sabe lidar com o ser humano... Mas é mesmo como diziam alguns itaunenses ilustres que já se foram: nossa Itaúna barranqueira é uma cidadezinha de Borba Gato! Então, Gustavo, se cuide, muito cuidado com os ratos...        

Por Renilton Gonçalves Pacheco