A universidade, a pesquisa, o comprometimento
No período momesco, não quis pular nem acompanhar blocos, me reservando um período para leituras e práticas mais do campo, como capinar o mato no quintal, ouvir os pássaros a cantar nas árvores próximas, escutar ao longe o canto da seriema, coisas assim. E, dentre as leituras, deparei com texto da Revista Veja em que eles alardeavam a capacidade representativa de uma loira, de nome Virgínia, que dizem ser ‘influencer’, que aqui para a língua que os brasileiros praticam, é “influenciadora”, por se tratar de uma mulher. Aí, quis saber o que a moça faz e descobri que ela indica jogos online onde os incautos perdem os fundos e a ela sobra um faturamento escandalosamente alto. Aí, vi que ela atua influenciando as pessoas a gastarem nos jogos (viciantes) online, para que possa faturar cada dia mais. E a Veja, que nos recantos das roças mineiras não passaria de “Óia”, gastou espaço, destaque, e muitas palavras para dizer que ela é “a maior inflenciadora do Brasil”. Intão tá!
E, continuando em busca de notícias do período carnavalesco que não fossem os desfiles, os sambas, a polêmica política, encontrei um, da jornalista de sobrenome Sherazade, que me agradou sobremaneira, pois coaduna mais com o que eu entendo por influenciar pessoas. Ela aponta a necessidade de reconhecimento a uma cientista, de nome Tatiana Sampaio, que me pareceu ser uma pessoa bastante simples e que os amigos podem tratar por Tati, sem problemas. Esta cientista está “influenciando” o mundo médico a conseguir meios de fazer pessoas condenadas à cadeira de rodas, à cama, a voltarem a andar. Sabe como? Ela descobriu, depois de pesquisas de mais de uma década, uma molécula que pode devolver movimentos a pessoas que foram acidentadas e perderam a mobilidade, sendo até então, condenadas a usar cadeiras de rodas e outros apetrechos, pelo resto da vida. Simples assim, e tão fenomenal que nem dá para explicar direito em palavras. Basta imaginar uma pessoa que estava condenada a usar cadeira de rodas pelo resto da vida, sair andando, sem necessidade de aparelhos. Tente, de longe, imaginar o que isso significa para essas pessoas, para as famílias delas...
Pois é, ao me deparar com a informação da Sherazade, passei a buscar mais informações sobre a Tatiana Sampaio, este gênio ainda não reconhecido como deveria. E não é que me deparei com um entrave causado pelo mundo político, quando o Temer e o Eduardo Cunha empreenderam um trabalho de reduzir recursos para as pesquisas científicas e, com isso, fizeram com que o Brasil perdesse a patente mundial da polilaminina, “medicamento experimental que promete revolucionar o tratamento de lesões medulares”, conforme apurei em pesquisas? Mas o mais legal de tudo é que a cientista, a Tatiana Sampaio, ao falar do caso, lembra que a patente nacional ela manteve, pagando do próprio bolso, mas mostrou até mesmo uma certa indiferença com o fato de “deter a patente internacional”. Pois, então, ela está, como sempre esteve, focada na cura, na solução do problema médico, no transformar o milagre em realidade. A posse da patente internacional, que, por outro lado, teria como recompensa muito dinheiro, ela não questiona. Sabem por quê? Porque ela não pesquisa para ficar rica, mas para descobrir, para encontrar soluções. E aí, lá no meio do mato, me deu uma vontade danada de bater palmas para ela e gritar a plenos pulmões: Merece o Prêmio Nobel de Medicina! Ah, se merece...
E, aí, chego aqui e releio o título que, diferentemente da maioria dos escrevinhadores, eu o defino antes de produzir o texto: “A universidade, a pesquisa, o comprometimento”, e me pergunto o que ele tem a ver com o que escrevi até aqui. Mas, rapidamente, entendo o seu significado, ao me lembrar que Itaúna tem uma universidade, me lembro do título de um artigo que estou a produzir em um projeto em parceria com o Charles Aquino e o confrade Geraldo Phonteboa: “A Universidade (que deveria ser) de Itaúna”, e entendo o porquê deste título aí de cima. A Tatiana Sampaio, com a sua pesquisa, de muitos anos, demonstrou o comprometimento que se deve ter com o seu projeto e nos lembra que o que difere as faculdades das universidades é a pesquisa, o estudo, a interação com o meio... Pois é, né? Não vou dar spoiler do artigo que falei.
* Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e membro da Academia Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.





