Itaúna já perdeu 1.024 empregos
Pelo quinto mês consecutivo, a cidade demite mais do que contrata trabalhadores com carteira assinada

Governo Federal divulgou na tarde da quarta-feira, 27, os números do emprego formal no Brasil, por meio dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED. No País, o saldo foi positivo, de mais 129.775 novos empregos criados, tendo apenas os estados do Espírito Santo e Tocantins apresentando saldo negativo. Minas Gerais demonstra queda na geração de novos empregos com carteira assinada, apresentando saldo positivo muito abaixo do esperado: 3.497 novas vagas de empregos formais criadas em julho.
Em Itaúna, porém, o quadro é mais grave, visto que, pelo quinto mês consecutivo, o saldo de empregos formais é negativo. Em julho, foram registradas 752 demissões em Itaúna. Com isso, o município já acumula 1.024 demissões neste ano, anulando assim o ganho ocorrido no ano passado, de algo em torno de mil novos empregos com carteira assinada. Se no ano passado o setor da construção civil foi o destaque positivo, neste ano, o mesmo setor é o destaque negativo, apontando para uma queda bastante sensível no mercado da construção civil da cidade.
Setor apresenta 1.602 demissões em 2025
Em dezembro de 2024, o setor da construção civil apresentava crescimento no número de novos empregos com carteira assinada, aproximando-se bastante do saldo da área do comércio. A construção civil detinha 4.457 empregos formais naquela época. No mês de julho, portanto sete meses após, o saldo caiu para 2.856 empregos com carteira assinada na área da construção civil de Itaúna. Conforme analistas, essa queda nos empregos se deve aos problemas enfrentados pelo setor, no ano passado, em relação à aprovação de novos negócios.
Como a aprovação de novos projetos no ano passado demandava pelo menos um semestre, o setor optou por investir em outros municípios. Na segunda quinzena de janeiro deste ano, o vice-prefeito e secretário de Urbanismo e Meio Ambiente, Hidelbrando Neto, anunciou medidas para desafogar o setor de aprovação de projetos da Prefeitura, pois, segundo ele, mais de três mil estavam paralisados, à espera de resposta do Município.
Esse problema de dificuldade para análise e aprovação de projetos do setor da construção civil está repercutindo agora, na geração de empregos na cidade. Enfrentando problemas com a antiga administração, os empresários do setor buscaram investir em outras áreas. Vai demorar um período, ainda, para que a normalidade da área seja retomada, conforme análises de gente ligada à construção civil de Itaúna.
O emprego em Itaúna mês a mês
O CAGED informa, com dados atualizados, que a geração de empregos em Itaúna, neste ano de 2025, mês a mês, tem sido a seguinte: janeiro, 108 demissões; fevereiro, 666 contratações, o que parecia anunciar um tempo de boas notícias; mas veio março e voltaram as demissões: 380; abril, 98 demissões; maio, mais 170 trabalhadores de demitidos; e, em junho, outras 182 demissões. O segundo semestre começou no mesmo ritmo, ou pior: julho aponta 752 demissões de trabalhadores com carteira assinada em Itaúna.
Se em dezembro de 2024 o estoque de trabalhadores com carteira assinada em Itaúna era de 32.229 empregos, em julho deste ano, o número caiu para 31.205 trabalhadores. Por setor, os dados são os seguintes: no agro, ocorreram 5 demissões em julho. Em dezembro passado, havia 465 trabalhadores atuando no setor e, atualmente, são 472, demonstrando que ocorreram sete contratações de saldo em 2025. A indústria, que demitiu 187 trabalhadores em julho, mesmo assim, demonstra saldo positivo no ano, de 544 trabalhadores; visto que em dezembro contava com 10.533 empregados, e, agora, em julho, tem 11.077.
O setor do comércio, que foi o único que contratou em julho, com a geração de 17 novos empregos, acumula saldo negativo no ano de 39 demissões; visto que em dezembro contava com 5.595 vagas preenchidas, e, em julho deste ano, com 5.556. O setor de serviços, por sua vez, acumula saldo positivo de 65 empregos em 2025. Em dezembro passado, apontava 11.178 empregados no setor; e, em julho, este número é de 11.243.
Assim, o saldo negativo do ano pode ser creditado à área da construção civil. Em dezembro de 2024, o setor apontava 4.457 trabalhadores contratados com carteira assinada. Com as 563 demissões ocorridas em julho, o saldo atual é de 2.856 trabalhadores formais, queda de 1.601 empregos em sete meses.