Homenagem

Homenagem

Paizinho amado,

Terminou o dia em que o senhor foi ao encontro do Pai Eterno. A partir de agora, o dia 13/07/2026 passa a existir como ontem, ao contrário de você, papai, porque você é presente demais para se apagar assim.

Nessas últimas horas, recebemos tantas mensagens de pessoas falando do quanto você era especial, gentil, generoso, sábio, culto, alegre, e que nunca rebaixava ninguém. Menos na queda de braço, né, que ali você tombava geral, com exceção do seu irmão Pedro. Nos últimos anos, ouvi do Toninho seu filho, meu irmão, que sua história com o Mal de Alzheimer foi uma grande queda de braço. Concordei. O diagnóstico veio em 2006, mas foi só 20 anos depois que você ganhou essa briga. Ganhou, sim, porque o seu lugar agora é melhor e mais sagrado do que nunca.

Sua filha Quelzinha estava hoje comentando como você estava além do seu tempo nas questões didáticas. Muitos dos seus pilares e das suas propostas vieram a ser confirmados décadas mais tarde, por muitas pesquisas no campo da Educação. 

Mas algumas nem existem ainda: você emprestava pontos para alunos que perdiam média, daí oferecia revisões para que fossem bem na prova seguinte, e então devolviam os pontos emprestados. Isso era incentivo, acolhimento, confiança. Você descascava frutas, fazia misto quente e leite com toddy para os meninos carentes que vinham à nossa casa pedir comida. Se sentava com eles na escada, ensinava e os convencia a irem à escola. Mas não foi você que me contou essas coisas; foram eles, já adultos. Perdi as contas de quantas histórias chegaram a nós por meio das pessoas que receberam bonitezas de você.

Olha, foi dolorido demais ver você passar pelas fases do Alzheimer. Mas sua essência se manteve até o final! 

Papai, é difícil terminar esta carta. Me alenta o fato de que nos últimos anos consegui falar do meu amor. E me lembro da sua resposta quando eu repetia que, se eu voltasse no tempo e Deus me falasse pra escolher qualquer homem do mundo para ser meu pai, eu escolheria você de novo, quantas vezes fossem necessárias. Eu falava isso, você fechava os olhos, respirava fundo e dizia: “Obrigado”. 

Nós é que agradecemos, papai. Nós é que agradecemos.

Descanse em paz.

Por Cristina Gontijo