TARIFAÇO - Ferro-gusa fica de fora das tarifas de 25%

Siderúrgicas americanas fizeram grande pressão para isentar o produto da tarifa adicional que o governo americano está impondo ao Brasil

TARIFAÇO - Ferro-gusa fica de fora das tarifas de 25%
Foto: Reprodução/Adobe Stock

A partir do próximo dia 22, quarta-feira, passa a valer a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo americano de Donald Trump a milhares de produtos brasileiros. Dentre os produtos que estarão sujeitos à nova tarifa estão o etanol, máquinas agrícolas, vestuários, maquinário elétrico, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, bens de capital e manufaturados em geral, além de outros setores. Porém a taxação não afeta o ferro-gusa, o que poderia causar a paralisação de mais da metade dos altos-fornos do estado, que empregam mais de 60 mil pessoas. Somente em Itaúna, onde oito fornos são operados, segundo dados apurados recentemente, cerca de 1,5 mil empregos do setor poderiam ser afetados.

Conforme apuração da reportagem, dos mais de 10 mil empregos diretos com carteira assinada no setor da indústria em Itaúna, algo em torno de 1.500 empregos estão dentre os que poderiam sofrer diretamente com o “tarifaço” do Trump. Em Minas Gerais, são 48 usinas de ferro-gusa em funcionamento. Itaúna tem boa representatividade no setor, com empresas como a Ferguminas, Sidersa e Sideral se destacando. A produção estimada do município é de algo em torno de 40 mil toneladas mensais.

A indústria siderúrgica interna dos Estados Unidos foi a principal articuladora para que o ferro-gusa ficasse fora da taxação, conforme divulgação na grande imprensa. A pressão ocorreu porque a produção local é insuficiente para atender à demanda americana. Uma das poucas defensoras da taxação, por curiosidade, foi a Cleveland-Cliffs, empresa comandada por um brasileiro, nascido no Rio de Janeiro e que tem mestrado realizado na UFMG. Conforme críticos, “esse foi mais um caso de brasileiro atuando contra o Brasil neste imbróglio”.

Conforme as informações, entre os produtos que ficaram livres da nova tarifa estão: ferro fundido; ferroligas; sucata; tubos de aço; cobre; níquel; alumínio; zinco; estanho; e metais raros. Também interessa à indústria da região e à economia local o fato de que o minério de ferro e outros minerais também se livraram do “tarifaço” do Trump. São eles: grafite; caulim; fosfatos; sulfato de bário; magnésite; amianto; mica; minérios de ferro; cobre; níquel; cobalto; alumínio; zinco; estanho; cromo; tungstênio; urânio; e titânio.

Brasileiro “contra o Brasil”

Conforme divulgação da imprensa nacional, apesar da pressão favorável à exceção, houve divergência dentro da indústria dos Estados Unidos. A Cleveland-Cliffs, uma das poucas empresas americanas que ainda produzem ferro-gusa, defendeu a aplicação das tarifas.

O diretor-executivo da empresa é o brasileiro Lourenço Gonçalves. Ele nasceu no Engenho Novo, bairro de classe média da zona Norte do Rio de Janeiro. É formado em engenharia metalúrgica pelo Instituto Militar de Engenharia - IME (RJ) e possui mestrado pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. 

O fato de o comandante da empresa que foi contra a isenção do ferro-gusa, do “tarifaço” do Trump, ser um brasileiro alimentou críticas, pelo fato da questão ter sido politizada, com um pré-candidato a presidente da República sendo apontado como um dos defensores das novas tarifas. Porém Lourenço teria agido pelo interesse da empresa que dirige.