SEGURANÇA - População sofre com aumento no índice de roubos
Nos últimos 90 dias, foram 26 ações de bandidos e nem todos os casos foram comunicados à polícia
Uma onda de roubos, com invasão de imóveis e ação violenta de bandidos, tem sido registrada em Itaúna nos últimos 90 dias. A reportagem da FOLHA ouviu pessoas que foram vítimas e vizinhos que tomaram conhecimento de nada menos do que 26 roubos ocorridos na cidade nos últimos 90 dias, sendo que boa parte deles sequer foi comunicado à polícia. Uma alegação para a não comunicação é de “opção pelo sigilo” e outra é de que “não resolve nada”, o que aponta até mesmo uma certa descrença com os serviços de segurança pública oficiais. Por outro lado, conforme uma das pessoas ouvidas, ela até tentou acionar a polícia, mas disse que não conseguiu seguir adiante com o comunicado, devido às exigências de informações para que uma viatura fosse acionada. “Faltaram me pedir a fotografia dos bandidos agindo, para mandar a polícia”, desabafou.
Dentre os últimos casos registrados, está um roubo a residência na Avenida Jove Soares, esquina da Praça José Flávio, ocorrida nos primeiros dias deste ano. Outro caso ocorreu na casa de um casal de idosos, em que os bandidos teriam entrado, usando máscaras e se comunicaram por gestos, talvez para que não fossem identificados pela voz, o que aponta que podem ser conhecidos das vítimas. Também correm informações nos bastidores de que bandidos que estariam agindo na cidade já teriam sido identificados, mas ainda não foram presos. Enquanto isso, cidadãos apontam o medo reinante e a necessidade de constantes investimentos em segurança privada.
Câmeras do “Olho Vivo” foram instaladas em 2013 e 2015
Em pesquisas feitas pela reportagem, localizamos que, em pelo menos duas oportunidades, já foram instaladas câmeras de videomonitoramento em Itaúna, dentro de propostas de instalação do projeto “Olho Vivo”. Em 2013 e, novamente, em 2015, chegaram a ser instaladas câmeras, mas o projeto não teve continuidade e os equipamentos foram retirados e/ou até mesmo abandonados.
Em 2013 a informação é de que uma câmera teria sido instalada na Praça da Lagoinha e outra na Rua Capitão Vicente, ambas na área central de Itaúna. A divulgação feita à época tratava a questão ainda como experimental e apontava investimentos da ordem de R$ 18 mil. A informação era de que outros equipamentos seriam instalados na Avenida Jove Soares, o que, parece, não aconteceu. O projeto anunciado na época falava em instalação de 14 equipamentos em vários pontos da área central, porém não passaram de duas as câmeras instaladas e, a partir de então, a instalação foi “abandonada”.
Dois anos depois, já em 2015, falou-se em um projeto mais amplo. Neste caso, estariam envolvidas a Câmara de Dirigentes Lojistas - CDL e as agências bancárias instaladas em Itaúna. Nessa ocasião, a possibilidade seria de instalação de videomonitoramento em 27 locais, a um custo estimado em R$ 360 mil, que seria dividido entre o poder público e a iniciativa privada, via CDL e instituições bancárias. Inclusive, foram divulgadas imagens de câmeras instaladas em alguns pontos e anunciados outros locais que receberiam os equipamentos.
Passados 10 anos, o assunto voltou a ser tema de informações do poder público no ano passado, quando o atual prefeito enviou projeto à Câmara tratando do assunto. Nesta última abordagem, o projeto trata do Programa Smart Ita, da então recém-criada Secretaria Municipal de Segurança Pública de Itaúna. Anunciada como “iniciativa inovadora, com implantação de um sistema inteligente de videomonitoramento urbano”. O projeto apresentado fala ainda em “uso de tecnologias avançadas, como reconhecimento facial, inteligência artificial e outras ferramentas modernas para fortalecer a segurança pública e aprimorar a gestão da cidade”. A população aguarda as ações a serem implementadas acerca dessa novidade anunciada, mas que ainda está apenas em fase de projeto.
Quartel já teve equipamentos
Teve uma ocasião, antes disso, que, além de câmeras, foi instalado um equipamento no quartel da PM, para monitoramento das imagens. Porém não tinha pessoal para acompanhar as imagens e o equipamento ficava sem monitoramento. Após matérias na imprensa denunciando a situação, os equipamentos foram retirados do quartel. Eles ficavam na sala de recepção da unidade policial.




