O que 2025 nos ensina e o que não devemos aprender
O ano de 2025 termina. Daqui cinco dias, começa o ano de 2026. E em 2026, com certeza, não queremos que Itaúna seja manchete negativa na imprensa estadual e até nacional, como o foi neste ano. A cidade, que antes era conhecida por citações acerca da sua qualidade de vida, de iniciativas como a APAC, a coleta seletiva de lixo, o Governo Itinerante e outras notícias agregadoras em sentido positivo, teve neste ano manchetes extremamente negativas. A Polícia Federal acusando um político local de corrupção talvez tenha sido a mais grave, porém foi comum durante o ano a ocorrência de manchetes “depreciativas” em relação à violência, à agressão às mulheres, à constante queda no número de empregos formais, para citar algumas situações. Mas, no âmbito político, parece que a situação foi mesmo pior, pois não se viu nenhuma notícia que se possa afirmar como verdadeiramente positiva, apesar de esforços de alguns “divulgadores”. O que se viu no noticiário em relação à política itaunense, que iniciou o ano com aspectos de que seria um ano bom, tornou-se um suplício para os itaunenses, que viram, no decorrer de 2025, acusações, rachas, agressões verbais e um final de ano com a Câmara totalmente rachada, duas Comissões Parlamentares de Inquérito – CPIs e uma Comissão Especial (que foi suspensa pela Justiça, nos últimos dias) instalada para apurar o “sumiço” do vice-prefeito, após ter seu nome incluído nas acusações da Operação Rejeito.
Em uma busca para construção de retrospectiva de 2025, no campo de ações políticas, não se pode afirmar sequer uma delas em tom positivo. Não foram implantadas políticas públicas que pudessem melhorar a vida dos itaunenses, não se viu uma proposta sequer, por parte do Legislativo, de projeto visando beneficiar a maior parte da população... enfim, tocamos o ano, parece, na vontade de que ele terminasse rápido. Isso em uma cidade que, como dissemos, se acostumou a apresentar ideias diferenciadas, projetos de alcance amplo. Itaúna já teve beneméritos como Manoel Gonçalves, que construiu um hospital para atender a população. Já teve destaque nacional em relação à APAC, que, criada em São José dos Campos, São Paulo, ganhou notoriedade mesmo foi a partir de sua unidade de Itaúna. Fomos destaque nacional em relação à coleta seletiva de lixo, que, até há pouco tempo, podia ser apontada como a mais eficiente e longeva do País (aquela que mais tempo existe sem alterações e interrupções) e que hoje pode estar continuada, mas apresenta quase que nenhuma eficiência atualmente. Itaúna já teve uma cooperativa de catadores que recebia delegações de outras cidades e até de outros estados para repassar ensinamentos e, hoje, tornou-se um grupo de recicladores atuando em péssimas condições, até mesmo de salubridade, já que o galpão – inaugurado como centro de triagem – foi consumido por um incêndio e ainda não foi recuperado. Itaúna que exportou o Prodescom – que desapareceu ante o ego de alguns; que criou o CDE, exemplo de esforço da iniciativa privada em parceria com o poder público para o desenvolvimento; que já foi destaque em ações do PROGER, em nível estadual e até nacional; exemplo no IDEB...
Enfim, neste ano, como complemento de alguns anos passados, Itaúna não produziu boas notícias, pelo menos para apagar um pouco das más notícias. Em conversas com amigos, dia desses, nos esforçamos para encontrar pelo menos uma ação digna de registro em favor de Itaúna, como um todo, e nada conseguimos. Talvez porque, como vem acontecendo com o estado, estamos órfãos de políticos com visão de estadistas e abarrotados de pessoas que ocupam mandatos para satisfazerem seus próprios egos. Minas já foi celeiro de políticos de destaque no País, e deixou de ser com a profusão de arremedos de homens públicos, de “estadistas de si mesmos”. Itaúna, por sua vez, já teve políticos que atuavam para destacar a cidade, o município... e hoje temos um amontoado de pessoas agindo para garantir o próximo mandato. Se existem pessoas na política com boas intenções – creio que há –, com boas iniciativas, que visem o desenvolvimento da cidade, não as tenho encontrado.
Que em 2026 os projetos pessoais dos ocupantes de mandatos deem espaço às propostas de uma cidade melhor. E que nós eleitores aprendamos a valorizar mais nossos votos, que não os depositemos na escolha de outubro, pensando naquela rua que foi asfaltada, naquela consulta que o fulano conseguiu para alguém da família, naquele discurso no púlpito da igreja. Lembremos que político não deve ser o pastor, o padre, o médico, o “amigo”, o despachante, o fura-filas da consulta médica, o cara bacana que ri para todo mundo (ou de todo mundo?). Político é aquela pessoa que nós pagamos para apresentar e desenvolver projetos que beneficiem toda uma população – ou pelo menos a maior parte dela – e não apenas grupos, segmentos... seja por cor, raça, sexo ou religião. Tenhamos a consciência de que político é uma pessoa que a gente paga – e muito bem – para atender os anseios da população como um todo, e não aquelas pessoas que fazem dos mandatos uma profissão, que precisam se eleger para se sustentar financeiramente.
* Jornalista profissional, especialista em
comunicação pública e membro da Academia
Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.



