O inaceitável sentimento venenoso de “retorsão”
Chegou ao meu conhecimento que pessoa ligada ao “meio político” itaunense e funcionária pública aposentada, mas com cargo no governo municipal, tomou iniciativa em fazer denúncia contra adversário político que, em minha singela opinião, beira ao absurdo da sordidez. É tão nojenta a iniciativa que é preciso “catar palavras” para discorrer sobre a pauta, que, além de lamentável, é um ato hipócrita e de uma cafajestagem sem limites. Já frisei aqui neste espaço, e por mais de uma vez, que é inadmissível que se misture interesses políticos com vida pessoal, família e decisões particulares. Se isso acontecer e sair do controle, é briga pessoal, é ultrapassar limites, é responder por atos que podem gerar desdobramentos que não convêm.
A informação chegada à redação é a de que a ex-vereadora Otacília Barbosa, funcionária pública aposentada, hoje ocupando o cargo de subprocuradora, teria entrado com denúncia junto ao Ministério Público contra o ex-prefeito Neider Moreira, questionando o porquê dos seus filhos estarem vivendo uma vida, digamos, nababesca, na opinião dela. Para isso, a ex-vereadora teria colhido fotos dos jovens em festas, viagens e comemorações, feito dossiê e questiona como eles podem levar a vida que levam, já que o pai não teria condições de oferecer isso a eles, e pede explicações de onde os recursos vêm. É de fato lastimável. Mais que isso, é inadmissível.
Tenho minhas diferenças políticas com o Senhor Neider Moreira. O acho uma pessoa difícil, arrogante, que só pensa nele, nele e depois nele. E, evidentemente, nos seus, e aí incluo, principalmente, os filhos. É natural. Amo a minha filha, a Doutora deve amar os dela, e aí por diante. Mesmo tendo as diferenças de pensamento, de olhar e de agir do Senhor Neider Moreira, sou obrigado, por lucidez e bom senso, a defendê-lo desta acusação maliciosa, desproporcional e de uma maldade sem limites.
Conheço o cidadão Neider Moreira de Faria desde a juventude. Ele é mais novo do que eu dois ou três anos. Sempre foi uma pessoa centrada, com foco e batalhador, sabedor do que quer. Construiu sua vida primeiro como profissional, estudando Medicina em Belo Horizonte, voltou para Itaúna, onde trabalhou como médico, já traçando sua vida como político, que é o que queria. Traçou seus objetivos e galgou, passo a passo, sua trajetória. Isso é fato e ninguém pode negar. Foi vereador, deputado por três mandatos, prefeito por dois mandatos.
Construiu sua vida política e é reconhecido por isso, respeitado em nível estadual e federal. Segundo fontes, é candidato a deputado federal. Um direito seu. Repito, tenho diferenças e muitas com o Senhor Neider Moreira. São diferenças políticas, de pensamento e de modo de agir, mas não o vejo como a pessoa que não pode dar uma vida confortável para a família, independentemente de cargo público. O cara é médico há mais de 30 anos. Constituiu patrimônio antes de entrar na vida pública, e um patrimônio que valorizou. É covardia fazer as acusações que fizeram e que levaram a questionamentos no MP. Não concordo. É covardia.
Os filhos do cidadão Neider Moreira, ou de qualquer outro cidadão que se enveredou pela vida pública, não têm que pagar pelas escolhas do pai ou da mãe. Eles, filhos, têm o direito de pular carnaval onde quiserem, de viajar para a Europa, EUA ou países da América Latina, frequentarem praias famosas e podem postar isso nas redes sociais. Entendo que só o faturamento da loja da mãe dos jovens é suficiente para “bancar” os filhos como eles bem entenderem. E bem mais que isso. O que não pode é querer “vingar” atos internos da prefeitura, expondo pessoas que não têm nada com isso. Caso do filho do político. É a minha opinião. Cabe perguntar: se a atitude fosse ao contrário, será que a dona da iniciativa estaria confortável? Para que machucar quem não tem nada com as discordâncias e brigas por interesses diversos?
Sinceramente, não estou aqui julgando, apenas deixando minha opinião e a visão sobre um ato que, a meu ver, não poderia acontecer, pois expõe pessoas que não vivem o “mundo político” e não podem pagar o preço por serem filhos de político. É um ato venenoso e de retorsão descabida e que mostra rancor e falta de domínio das ações em um “mundo” onde a habilidade para a convivência mútua em prol de um todo é a base. Só tenho a lamentar, pois isso mostra que Itaúna tem, em pontos estratégicos da atividade pública municipal, pessoas que não querem olhar para frente, construir o bem comum, mas, sim, fujicar ou fuxicar o passado na busca de vingança, por atos que outrem interpretou diferente e tomou providências jurídicas e/ou administrativas. É preciso saber tolerar em prol de um todo. Politicamente, os últimos atos saídos da Procuradoria Municipal podem ser estopim para uma “guerra política”, que pode por muita coisa a perder. Haja vista o excelentíssimo senhor prefeito ser um negociador por natureza e uma pessoa bem-intencionada e que, por uma questão de postura, pode estar entrando na zona de perigo, para começar a vivenciar o seu “inferno astral. Diríamos, então! Ainda há tempo.
Por Renilton Gonçalves Pacheco





