História do Bairro Padre Eustáquio

História do Bairro Padre Eustáquio

Introdução

Nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi motivado a explorar suas grandes riquezas minerais, com o intuito de abastecer, principalmente o mercado europeu, que se encontrava arrasado pela segunda grande guerra, tendo o minério de ferro como grande matéria prima para movimentar as siderurgias, principalmente em Minas Gerais, e sobretudo no chamado Quadrilátero Ferrífero da Serra Azul (Um longo conjunto de serras contornando a capital), envolvendo as cidades de Sabará; Santa Bárbara; Mariana; Ouro Preto, João Monlevade; Rio Piracicaba indo até a cidade de Itabira e outras), o que impulsionou a criação de indústrias guseiras nas cidades de Sete Lagoas; Belo Horizonte; Betim; Matozinhos; Divinópolis, Pará de Minas; Pitangui, Cláudio, Itaúna e outras.

  A Indústria de Ferro Gusa em Itaúna

 No caso de Itaúna, nos anos 40, sabendo-se da grande jazida de minério de ferro Hematita e manganês existente na serra de Itatiaiuçu, uma das mais ricas do mundo em teor metálico, houve uma grande movimentação no sentido de criar na cidade mais uma indústria de gusa que se chamaria “Ferro Puro”, logo após a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, criada pelo Presidente da República Getúlio Vargas, em 1941 na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. 

O então Prefeito de Itaúna, Dr. Lincoln Nogueira Machado, (1936 a 1947), com a ajuda também do prefeito seguinte, Antônio Augusto de Lima Coutinho, (1947 a 1951), conscientes das excepcionais condições de Itaúna, estiveram à frente do movimento, inclusive, acompanhando a benção da pedra fundamental da indústria que se chamaria “Ferro Puro”. Depois de ser escolhida a área a ser implantada a indústria na região, onde se localiza hoje o bairro Padre Eustáquio, mais ou menos onde se situa a casa do saudoso empresário Sr. Geraldo Alves Parreiras, hoje propriedade dos herdeiros do empresário Antônio Santos Saleira. E, como Pe. Eustáquio tinha sua fama como homem de grande carisma e espiritualidade, e mantinha relacionamento de amizade com personalidades da cidade, foi convidado para benzer a pedra fundamental da futura empresa “Ferro Puro”, o que ocorreu numa sexta-feira, do mês de janeiro de 1943, em uma área que até então era de propriedade do Sr. Arthur Contagem Vilaça (hoje, bairro Pe. Eustáquio).

Ocorreu que, por motivos diversos, a empresa “Ferro Puro” não vingou, restando aos itaunenses a frustração de não ter a grande indústria, más, despertou em alguns ilustres itaunenses a vocação da cidade, exemplificada nas indústrias de fundição já existentes aqui, como por exemplo a Fundição Corradi S/A., foi quando o Sr. Geraldo Alves Parreiras, vindo da cidade de Bonfim, resolveu montar nas proximidades do local escolhido para funcionar a indústria Ferro Puro, a Siderúrgica Itatiaia S/A., no ano de 1945, ocasião em que outras indústrias de ferro gusa começaram a se implantar na mesma região, como a Pedra Negra S/A.,( hoje, bairro Leonane) do Sr. Pedro Ribeiro de Oliveira (Pedro Calambau); a Ferros Ouro Negro, no Bairro Santa Mônica, do Dr. João Augusto de Oliveira, antiga Minas Gusa, e, a Siderúrgica Itaminas S/A, na Vila Tavares. Posteriormente foi também implantada já na década de 60 a Fundição Aldebarã Ltda: Fundição Itafundi: Fundição Apolo e outras.

Após o funcionamento da indústria Siderúrgica Itatiaia, o Sr. Geraldo Alves Parreiras, numa visão de progresso e desenvolvimento, resolveu criar um bairro novo, e encomendou ao topógrafo o Sr. Izaurino do Vale, a elaboração do projeto; e, em função da benção da pedra fundamental da fracassada indústria “Ferro Puro”, por parte de Pe. Eustáquio, o denominou Bairro Pe. Eustáquio, tendo esta pedra fundamental, sido enterrada no interior de nossa igreja, quando de sua construção, a pedido de Pe. Luiz Turkenburg.

O bairro Padre Eustáquio, desenvolveu-se muito rápido, vieram várias famílias de outras cidades vizinhas, como por exemplo, Bonfim, terra Natal do Sr. Geraldo Parreiras; Itatiaiuçu, Crucilândia, Piedade de Gerais; Piracema; Itaguara, que a procura de trabalho e melhores condições para estudar os filhos e, também influenciados pela família do Sr. Geraldo Alves Parreiras. Muitas famílias vieram também para outros bairros criados nas proximidades, como o Irmãos Auler; Vila Vilaça; Vila Tavares, Bairro Leonane, Bairro Santa Mônica e Bairro Jadir Marinho de Faria, que foi habitado em 1984; lembrando que já existia o bairro da Várzea da Olaria, o qual, antes da criação dos bairros referidos, era considerado como um distrito da cidade.

Além da criação da indústria e do bairro, por parte do Sr. Geraldo Alves Parreiras, o bairro criou sua estrutura na área da educação, e nesse particular, o grande   benemérito foi Pe. Luiz Turkenburg, pela atenção que deu aos bairros, construindo prédios para abrigar escolas; a Igreja Matriz, salões, e mobilizando a comunidade para o desenvolvimento da região, homem que viveu e pregou com profundidade a fé, de enorme e rara capacidade empreendedora.

No plano da política, podemos destacar as pessoas do próprio Geraldo Alves Parreiras, que, na condição de Vice-Prefeito, ocupou o cargo de Prefeito (20/04/1947 a 14/12/1947) e vereador eleito com mandato de quatro anos. 

Outros importantes nomes também se destacaram, como os vereadores Olívio de Oliveira Villefort; Nelson Bernardes Alves; Raimundo dos Santos Nogueira; Francisco de Assis Resendes e que muito trabalharam para o desenvolvimento do bairro e da região. E eu, Pedro Paulo, que, com muita honra fui eleito pela região por cinco mandatos ao cargo de vereador e, de vice-prefeito (2009/2012) e Prefeito (24/10 a 30/12 de 2012). 

Um dos fatos mais importante é, que o bairro Padre Eustáquio foi criado de forma bem mais planejada, orientado pelo relevo e topografia da região e, de certa forma foi fator importante para alavancar o desenvolvimento e crescimento populacional de Itaúna, sobretudo no crescimento da indústria de Ferro Gusa, e, que apesar de sua crise na cidade a partir dos anos 80, o bairro continuou a abrigar importantes indústrias, tais como a Siderúrgica Santo Antônio, a Minas Gusa e a Paraopeba S.A. dentre outras. Todas elas já não existem.

Nos seus quase setenta anos de existência, o bairro já contribuiu em muito na evolução da sociedade como um todo, pois temos como agentes de formação, as escolas Estadual Santana, Estadual Pe. Luiz, E.E. Victor Gonçalves de Souza, classificadas dentre as outras Estaduais, como escolas modelos.      

É muito importante que as futuras gerações não se percam na história, é necessário que alguém se prontifique a relatar, por escrito, os fatos mais importantes da comunidade, do bairro, com mais precisão, de forma a garantir informação aos que virão, pois a história é importante na formação dos povos: “saber a história do passado nos orienta para viver bem a história do futuro”.

Qualquer cidadão que queira ampliar, ou até modificar de forma a contribuir com a veracidade dos fatos históricos do bairro, deve fazê-lo.

Itaúna, 19 de junho 2025.

Pedro Paulo Pinto – 

Advogado - Ex-Prefeito e 

Ex-vice-prefeito e

paroquiano.

13 de maio - As comemorações em homenagem à Padroeira Nossa Senhora de Fátima 

Um ano riquíssimo em comemorações para os católicos da nossa paróquia. Além do dia 13 de maio, quando comemoramos os cento e dois anos (102) da aparição de Nossa Senhora em Fátima/Portugal, aos  três adolescentes, Lúcia; Francisco e Jacinta, comemoramos também os jubileus de Diamantes  (sessenta anos) da criação da Diocese de Divinópolis, criada em 11/08/1958 pelo Papa Pio XII e, instalada no dia 17 de maio de 1.959, sendo desmembrada da Arquidiocese de Belo Horizonte e da Diocese de Luz; com a imediata criação da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, há 60 anos, dos quais, 58 anos, tenho  o privilégio de vivenciar. 

Sob a Orientação de seu primeiro bispo, Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, com quem tive a honra de conviver, a Diocese, logo após sua criação, foi muito eficiente na criação de novas paróquias, pois foram dezenas delas criadas na bela e sagrada gestão de Dom Cristiano. 

Nossas cidades expandiam, distritos se emancipavam, e o crescimento na região foi muito grande. Então o primeiro bispo cuidou de aumentar a chance de a população vivenciar com mais fervor e participação direta, os dogmas da Igreja.

A cada Paróquia criada era como se o cidadão ganhasse nova condição para se aproximar de Deus através da prática religiosa. Muitas graças e bênçãos ocorreram nestes 60 anos. 

A criação da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima motivou o crescimento de bairros, além de acudir o lado religioso de seus até então poucos moradores, e, principalmente, pelo espírito empreendedor do primeiro vigário, criando condições para a educação e a assistência social, pois era a grande missão de seu primeiro pároco, Padre Luiz Turkenburg, seguida por tantos outros vigários que assumiram com tanto zelo a nossa paróquia.

Iniciou-se muito bem as comemorações do dia da padroeira. A novena preparatória, com recitação do terço e em seguida as Missas, sempre celebradas por padres benfeitores e amigos da Paróquia, e em seguida, vinha sempre a parte das confraternizações nas bem montadas barraquinhas, com o serviço de gostosas guloseimas. 

Uma equipe composta de mais de quatrocentas pessoas, muito bem-preparada, e tudo aconteceu de forma muito agradável, e muito comprometimento e alegria foi observado, com uma participação muito grande dos fiéis, nunca observada.

Foi uma boa amostragem para as próximas comemorações. Parabéns aos padres Breno e Marcelo. Parabéns para todas as pessoas envolvidas no trabalho. Parabéns para toda a comunidade. Temos a certeza da proteção da Virgem mãe para nossa abençoada comunidade.

Pedro Paulo Pinto