ESCUTAR E JEJUAR - Papa convoca cristãos a fazer “jejum da língua”
Leão XIV falou na abertura da Quaresma, convidando as pessoas para que “diminuam as palavras ofensivas e aumentem o espaço dado à voz do outro”
“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias”, disse o Papa Leão XIV ao discursar na abertura da Quaresma, período que a Igreja Católica trata como o “tempo de conversão”. O Papa iniciou a sua mensagem, com o título “Escutar e jejuar. Quaresma como tempo de conversão”, e, já na abertura, afirmou que o jejum “também passe pela língua, para que diminuam as palavras ofensivas e aumente o espaço dado à voz do outro”.
A sua mensagem foi repercutida, na manhã da Quarta-Feira de Cinzas, 18, pelo noticioso Vatican News, em reportagem de Bianca Fraccalvieri. A proposta do Pontífice é “um jejum de palavras ofensivas”, visto que a Quaresma representa o “tempo em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida”. Leão XIV valoriza, com destaque na sua mensagem, o ato de escutar, “pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”. E conclui lembrando que, “entre as muitas vozes que passam pela nossa vida pessoal e social, as Sagradas Escrituras tornam-nos capazes de reconhecer aquela que surge do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta”.
Em referência à necessidade do jejum no período quaresmal, o Papa reforça a questão do “jejum da língua”, em uma interpretação mais direta. O Pontífice convida os cristãos a uma forma de abstinência “muito concreta e frequentemente pouco apreciada”, ou seja, a abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo. Leão XIV nos propõe aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social e nas comunidades cristãs. “Assim, muitas palavras de ódio darão lugar a palavras de esperança e paz.”





