Governo atualiza “lista suja” do trabalho escravo

Documento público expõe 169 empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão

Governo atualiza “lista suja” do trabalho escravo
Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT

O governo federal atualizou, nesta segunda-feira, 6, a chamada “lista suja” do trabalho escravo, que reúne nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.  A atualização chamou a atenção por incluir o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD.

Segundo o Ministério do Trabalho, 169 novos empregadores foram incluídos no cadastro, o que representa aumento de 6,28% em relação à última atualização. Desse total, 102 são pessoas físicas (empregadores individuais) e 67 são pessoas jurídicas (empresas).

As atividades econômicas com maior número de inclusões foram: serviços domésticos (23); criação de bovinos para corte (18); cultivo de café (12); construção de edifícios (10); e serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (6).

Os casos incluídos resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração. Com a atualização, o número total de empregadores na lista chega a cerca de 613. Por outro lado, 225 empregadores foram excluídos do cadastro após completarem o período de dois anos previsto pelas regras.

Minas Gerais lidera o ranking de inclusões, com 35 registros, seguido por São Paulo (20), Bahia (17), Paraíba (17), Pernambuco (13), Goiás (10), Mato Grosso do Sul (10), Rio Grande do Sul (9), Mato Grosso (7), Paraná (6), Pará (5), Santa Catarina (4), Maranhão (4), Acre (2), Distrito Federal (2), Espírito Santo (2), Rio de Janeiro (2), Amazonas (1), Ceará (1), Rondônia (1) e Sergipe (1).

A “lista suja” é um documento público atualizado semestralmente pelo Ministério do Trabalho, nos meses de abril e outubro, com o objetivo de dar transparência às ações de fiscalização e combate ao trabalho escravo no país.

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota por meio do Sistema Ipê, lançado em maio de 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). O denunciante não precisa se identificar e deve informar o máximo de detalhes possível.