“Fraternidade e Moradia” é o tema de 2026
Dom Geovane, bispo diocesano, reuniu a imprensa regional na manhã da Quarta-Feira de Cinzas para fazer o lançamento da campanha
Durante o período da Quaresma, acontece no Brasil a Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, da Igreja Católica, desde o ano de 1964, portanto, há 62 anos. A cada ano, é escolhido um tema para que a campanha seja desenvolvida e, em 2026, a escolha recaiu sobre “Fraternidade e Moradia”. Conforme adiantou o bispo Dom Giovane, “não se trata apenas de oferecer moradia aos mais necessitados, mas que sejam moradias dignas”.
Durante a apresentação da Campanha da Fraternidade, o bispo falou da situação em que se encontram seis milhões de brasileiros identificados como sem teto. Também destacou que, enquanto isso, existem 11 milhões de moradias disponíveis, o que, na sua opinião, demonstra a disparidade social em que nos encontramos, pois, enquanto uma multidão vive a necessidade de um teto, por outro lado, existem tantas casas vazias. Também informou que os números indicam que 26 milhões de famílias ainda vivem em moradias sem uma infraestrutura adequada.
Dom Geovane falou também sobre as mais de 12 mil favelas existentes no País e lembrou de um padre com quem trabalhou em Belo Horizonte, que trabalhava nesta área e que era crítico ferrenho da situação em que se deixa que as famílias vivam nestes aglomerados. O bispo lembra ainda que, no texto-base da Campanha da Fraternidade, consta uma crítica ao neoliberalismo, que tem a proposta de “um estado mínimo e um mercado máximo”, supervalorizando a posse de bens, em detrimento de uma existência mais digna para as pessoas.
Governos, instituições, igrejas e sociedade têm responsabilidade a assumir
Conforme a proposta levada no texto-base da Campanha da Fraternidade de 2026, todos têm responsabilidade na tarefa de buscar moradias dignas para as famílias. Governos, instituições, igrejas, sociedade, enfim, cada segmento deve assumir a sua parcela de responsabilidade e agir para mudar a atual situação, que, além dos números já informados, conta ainda com 324 mil pessoas em situação de rua, conforme estudo realizado pela UFMG.
O bispo Dom Geovane, com auxílio do padre Henrique Teodoro, assessor do Setor de Campanhas da Diocese, destacou a ação da própria Igreja, com o edital para os projetos que desejarem receber recursos do fundo solidário da Igreja, que será disponibilizado no dia 23 de fevereiro (segunda-feira), no site da Diocese. E lembrou, também, que a “coleta da solidariedade” ocorrerá no Domingo de Ramos (dia 29 de março), conclamando a comunidade a contribuir e ser generosa.
Na sua fala, o bispo destacou ainda um tipo de trabalho que pode ser desenvolvido pelos governos municipais em parceria com a Igreja, apontando o que aconteceu em Carmo do Cajuru, com a implantação do Reurb, com foco especialmente na região de Angicos. Conforme o bispo, a Igreja também deve dar a sua contribuição nesta questão, assim como as demais instituições, bem como toda a sociedade, precisam se mobilizar para enfrentar o problema da falta de moradias dignas para as famílias.
A Campanha da Fraternidade
A primeira edição da Campanha aconteceu no ano de 1962, em Natal, no Rio Grande do Norte, por padres da Cáritas, para arrecadar fundos em auxílio aos pobres. A campanha teve tamanho sucesso que, no ano seguinte, 1963, foi adotada em 16 dioceses do Nordeste brasileiro. E, no ano seguinte, em 1964, sob a coordenação de Dom Helder Câmara, foi lançada nacionalmente a Campanha da Fraternidade, que chega ao seu 62º ano em nível nacional em 2026.
O secretário-geral da CNBB, Dom Riccardo Hoerperos, ao fazer o lançamento nacional da Campanha da Fraternidade, nessa mesma quarta-feira, 18, afirmou que “não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. Não podemos considerar inevitável que a desigualdade determine quem tem direito a morar com dignidade. A moradia não é privilégio, é condição básica para o exercício de outros direitos”.





