REESTRUTURAÇÃO - Aumento nas despesas de meio milhão ao ano
Previsão de custos está no impacto financeiro do projeto da Mesa da Câmara, que propõe “reestruturação organizacional”
Na reunião ordinária da Câmara de Itaúna da terça-feira, 17, foi apresentado aos vereadores o Projeto de Resolução nº 4/2026, de autoria da Mesa da Câmara. A proposta tem como justificativa a “reestruturação organizacional, com foco especial na revisão e detalhamento das atribuições dos cargos de provimento em comissão”. Explica ainda que “a medida se torna imperativa após a Recomendação Administrativa expedida pelo Ministério Público”, que teria data de 2024.
Críticos apontam o termo “imperativa” para definir a medida, que só foi tomada quase um ano após a expedição da recomendação citada, que data de 13 de maio de 2025, como possível incoerência. Outro senão apontado é que a Resolução 04 relata o cargo de Comunicólogo, de caráter efetivo, para o setor de Comunicação do Legislativo, que poderá ter o chefe do setor com formação inferior. Isto mesmo. Enquanto o cargo de Comunicólogo tem exigência de formação em nível superior, o de chefe de Comunicação, como se sabe, exige apenas formação de Ensino Médio. A medida adotada para dar condições de posse a um indicado político pode criar uma situação, no mínimo, estranha no Legislativo: “Quem vai comandar o setor terá menos conhecimento formal que o comandado”, criticou um vereador nos bastidores ao analisar o texto da Resolução.
Muito dinheiro...
Porém o que mais chamou a atenção da reportagem foi o crescimento do gasto com a folha de pessoal da Câmara, conforme registra o estudo de impacto financeiro apresentado. Segundo observou a reportagem e também um vereador procurado pela FOLHA, o gasto com a folha de pagamentos é o equivalente à metade do dinheiro que a Prefeitura repassa ao Hospital “Manoel Gonçalves”, a cada ano, para atender a toda a população itaunense. Conforme os números, neste ano, o custo com pessoal na Câmara será de R$ 10.534.159,49.
Já para o próximo ano, de 2027, a previsão de custo é de R$ 11.112.191,94, ou seja, aumento de quase R$ 600 mil (R$ 578.032,45). Já para o ano de 2028 o previsto é R$ 11.667.801,54, o que dá um aumento previsto de mais R$ 555.609,60. Somados os valores dos próximos dois anos, a folha de pagamentos da Câmara vai consumir nada menos do que R$ 1.133.642,05 a mais. “Isso se não for feita uma nova alteração no organograma”, ironizou o edil consultado.
Muito cargo para negociar...
Outra observação feita pela reportagem, ao analisar a proposta do presidente Antônio de Miranda, é em relação ao número de cargos em comissão previstos no organograma da Câmara. Inicialmente, são 37 cargos. Um vereador foi mais além e brincou com a situação, em off, com a reportagem: “É muito cargo que eles vão ter para negociar na eleição da próxima Mesa”, referindo-se a comentários não confirmados de que os cargos comissionados são “moedas” usadas na captação de votos em disputas pelo comando da Casa.
Em tempo: a reportagem da FOLHA entrou em contato com o presidente da Câmara, vereador Antônio de Miranda, na quinta-feira, dia 19, às 9h39, na tentativa de que ele pudesse falar sobre a sua proposta e outros assuntos do Poder Legislativo. Ele não atendeu à ligação do editor da FOLHA e não retornou via WhatsApp, mesmo depois da reportagem.




