PROBLEMA QUE SE REPETE - Desta vez, o furto de fiação foi na Praça da Matriz
Hospital já foi vítima do mesmo tipo de crime, assim como unidades de saúde da Prefeitura, estádio de futebol e muitos, muitos particulares
O problema não é novo, nem tampouco as reações a ele. De um lado, o poder público denuncia o crime e posta “nota de repúdio” em suas redes sociais, que são repercutidas pela imprensa local. De outro, as costumeiras críticas nas postagens em redes sociais e os pedidos de instalação de “Olho Vivo” e “Guarda Municipal”. Enquanto isso, fiação elétrica vai sendo furtada diariamente e a população continua arcando com os prejuízos. O mesmo tipo de crime tem sido registrado seguidas vezes em propriedades particulares e, outras vezes, em imóveis e bens públicos.
O Hospital “Manoel Gonçalves”, de Itaúna, foi vítima desse tipo de ação mais de uma vez, ocasionando sérios problemas, até de risco de morte a pacientes. Caso não tivesse, naquela instituição, um gerador de energia, em pelo menos uma das oportunidades, o furto de fiação elétrica teria impedido o funcionamento do CTI – local onde ficam internados pacientes em situação muito crítica de saúde. Em outros locais, como em unidades de saúde, escolas, estádios de futebol, também há registros da situação. Porém as maiores vítimas dos furtos são os particulares. Prédios, casas de luxo e até barracões já passaram pela falta de energia elétrica provocada pelo furto de fiação elétrica.
Por que ocorrem?
A reportagem apurou junto a pessoas com experiência na área de segurança pública que grande parte dos furtos acontece para que seus autores possam revender o produto furtado, no peso, conseguindo pequenas quantias em reais, nossa moeda. Esse dinheiro, normalmente, é utilizado na aquisição de drogas, quase sempre, crack. E a informação mais importante: a fiação é vendida a sucateiros. Os sucateiros existentes na cidade, em sua grande maioria, são trabalhadores que não têm qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e atuam para o sustento da família, quase sempre trabalhando junto de suas casas, no quintal.
Esses sucateiros adquirem o metal – e, dentre estes, o cobre – em pequenos volumes, acumulam um volume maior e negociam com atravessadores. Estes, por sua vez, adquirem volumes de metal de diversos sucateiros e negociam, em maior quantidade, com recicladores ou atravessadores de maior poder aquisitivo, que levam direto às indústrias que refundem o metal e o recoloca no mercado. Portanto, há uma cadeia totalmente rastreável, capaz de ser fiscalizada com pequenos investimentos.
Ação deve seguir caminho inverso
Conforme entendimento de especialistas da área, a ação da polícia na identificação e prisão de viciados que negociam com sucateiros a venda do metal resultado de furto “é um eterno ato de enxugar gelo”. Os viciados são muitos, os sucateiros também não são poucos, portanto, é uma tarefa repetitiva, até porque a legislação encara esse tipo de crime como de menor potencial. Não que não devam ser presos os ladrões/viciados e fiscalizados os sucateiros. Esta ação deve existir, sim.
Porém, na opinião dos especialistas, é necessário, urgente, uma ação a partir das indústrias da transformação, dos grandes atravessadores, até que se chegue aos sucateiros e, finalmente, aos ladrões. E o poder público, por meio de deputados, vereadores, governadores, prefeitos e demais agentes técnicos de suas administrações, podem atuar nesse sentido. Legislações que proponham ações junto às empresas e atravessadores dos grandes volumes, com fiscalizações mais eficientes e constantes, podem ajudar muito no trabalho da polícia, que prende os ladrões/viciados.
Outra frente seria o “mundo político” buscar solução junto à legislação que não vise apenas o retorno em votos. E que as notas de repúdio sejam guardadas para situações em que elas realmente sejam necessárias, pois crime não se deve repudiar apenas, mas combater.





