DESTAQUE - Itaúna exportou US$ 151,55 mi em 2025
A FIEMG Regional Centro-Oeste divulgou informação de que Itaúna foi a segunda colocada em exportação na região em 2025. Atrás apenas de Itatiaiuçu, a cidade é responsável por 15,26% do valor alcançado pela Região Centro-Oeste, que chegou ao total de US$ 992,82 milhões. Somente Itaúna exportou o valor de US$ 151,55. Em seguida, na terceira posição, está Divinópolis, com US$121,67 alcançados. Fechando o top 5, estão Lagoa da Prata e Pará de Minas, porém os valores alcançados por esses municípios não foram informados. O ponto fora da curva é o município de Itatiaiuçu, que chegou ao total de US$ 323,11 em exportação.
Os quase um bilhão de valores exportados pela região Centro-Oeste de Minas, conforme a divulgação, tiveram o minério de ferro, café, ferro gusa, açúcar, carne e aves como principais produtos. Os maiores importadores foram China, Estados Unidos e Argentina, ainda conforme a divulgação da FIEMG Regional. E, para fortalecer esse mercado, a entidade vai promover, no dia 26, quinta-feira da próxima semana, o Café Empresarial, voltado à capacitação de empresas com potencial de exportação. O local do evento será a sede da entidade, na Rua Eng. Benjamin Oliveira, 144, em Divinópolis, com início previsto para 7h50.
Ainda conforme a assessoria da FIEMG Regional, empresários da região terão a oportunidade de conhecer caminhos para inserir seus produtos e serviços no mercado internacional durante o Café, que será realizado na próxima quinta-feira, das 7h50 às 10h”, acrescenta. E conclui a entidade com a afirmação de que “o objetivo do encontro é mostrar como o programa pode ajudar as empresas a se prepararem de forma estruturada para exportar, aumentando sua competitividade e ampliando oportunidades de negócios no mercado internacional”.
Itaúna e os impactos desses números
O destaque alcançado por Itaúna neste ranking de exportadores da região tem dois ângulos a serem observados. O primeiro, sem dúvida, é de que a economia local está se fortalecendo, com crescimento notado em todos os levantamentos econômicos feitos com foco na região.
Itaúna não é só um dos maiores municípios da região em população. Na arrecadação de impostos estaduais e federais, como já informado em reportagens da FOLHA, Itaúna também está à frente, nas primeiras posições da região. Em relação ao PIB per capita, que mede a riqueza produzida pelo município, como amplamente divulgado recentemente, mostra a cidade em destaque na região. Porém existe um outro lado nessa questão que é necessário ser analisado: o que essas conquistas trazem em benefícios para o total da população?
Tanto na questão salarial, que aponta Itaúna com uma das menores médias salariais da região, quanto na obtenção de benefícios por parte dos governos estadual e federal, na responsabilidade pela prestação de serviços de qualidade ao contribuinte e também em relação ao custo de vida, a situação vivenciada é outra. Se no Brasil a média salarial dos trabalhadores é de R$ 3.652,00, em Itaúna essa média não alcança os mesmos valores e gira em torno de R$ 3,3 mil. Ou seja, cerca de R$ 300 abaixo da média nacional. E é mais baixo até do que a média de Minas Gerais, que já é menor do que a nacional, alcançando no teto R$ 3,4 mil.
Retorno não corresponde ao faturamento
E se Itaúna gera muito imposto, até pelo índice do PIB alcançado, e apresenta uma economia que se coloca na segunda posição em exportação, como divulgou a FIEMG Regional, não tem a mesma performance quando se trata de atração de benefícios por parte dos governos estadual e federal. Um trevo na MG-431 demorou décadas para ser obtido. A passarela ligando a região do Padre Eustáquio ao Jadir Marinho só saiu quando a rodovia foi terceirizada. Itaúna batalha, diariamente, por recursos para a área da saúde e, ao que parece, deve receber uma UPA. Porém, no meio político, existe uma certa descrença, pois estamos em ano eleitoral e, se as obras não começarem em breve, segundo os céticos, dificilmente ocorre ainda neste ano.
Em contraponto, nesta semana, foi anunciada a construção de um hospital em Nova Serrana, uma policlínica em Divinópolis, além de uma série de investimentos, incluindo R$ 40 milhões no Hospital São João de Deus. No total, foram anunciados cerca de R$ 200 milhões em obras na região, sem que Itaúna tenha sido agraciada com parte desses recursos. Para a construção de um viaduto na travessia para o Bairro Padre Eustáquio, obra há muito cobrada pela população, parece que será necessário a tomada de um empréstimo. A necessária solução para os problemas de enchentes na Avenida Jove Soares também parece que vai ser necessária a obtenção de empréstimos.
As razões, conforme apontam críticos, pode ser a falta de representatividade das lideranças políticas de Itaúna. Outros apontam que o comportamento político-ideológico acima das prioridades locais é que seria o entrave. Seja qual for a causa, a população itaunense gera riquezas, paga muito imposto em relação às cidades vizinhas e, ao final, não recebe o retorno esperado.




