FERRO GUSA - Tarifas dos EUA podem parar altos-fornos de Itaúna
Na segunda-feira, 6, tem audiência pública para tratar do assunto e, no dia 15, decisão será publicada
A disputa eleitoral pela Presidência da República pode atingir diretamente um dos setores produtivos de Itaúna e ocasionar a paralisação dos altos-fornos existentes no município. É que os Estados Unidos (EUA) propõem uma tarifa de 25% sobre este produto nacional que, somada a uma outra taxação de 12,5%, pode elevar o custo da exportação para 33,75% de taxas, inviabilizando-a. Os EUA são os maiores importadores do ferro gusa brasileiro, matéria-prima fundamental para a produção de aço e ferro fundido. O Brasil é o maior exportador de ferro gusa do mundo e Minas Gerais é responsável por cerca de 70% desta produção, o que atinge diretamente o País, caso se confirme a nova tarifa.
Atualmente, o estado conta com 48 usinas e cerca de 63 fornos com capacidade produtiva instalada de 420 mil toneladas do produto ao mês. Sete Lagoas, na área central de Minas, é o principal polo produtivo, com 21 fornos em atividade. Itaúna, que já contou com 37 fornos operando nos anos 1970, cota atualmente com cerca de 8 fornos em atividade e produção mensal de mais de 40 mil toneladas de ferro gusa ao mês. As principais empresas do setor em Itaúna são a Ferguminas, Sidersa, Siderúrgica Alterosa e a Fundição Sideral. A produção anual de ferro gusa de Itaúna é de cerca de 500 mil toneladas, alcançando cerca de 10% da produção do estado, que ultrapassa cinco milhões de toneladas-ano.
O setor gera algo em torno de 60 mil empregos diretos e indiretos em Minas Gerais e, caso tenha paralisação na produção, pode afetar diretamente esse público, que precisará de buscar opção de trabalho em outras áreas. Para tentar reduzir o impacto da possível nova taxação americana, o SINDIFER-MG, que é filiado à FIEMG, estará representado na audiência pública que será realizada na segunda-feira, dia 6, nos Estados Unidos, para acompanhar o processo e atuar na defesa do setor, conforme informações da assessoria do sindicato. As decisões sobre o fato deverão ser divulgadas já no dia 15 de julho.
Ainda conforme as informações da direção do SINDIFER-MG, o sindicato “contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para buscar a reversão do processo e negociar exceções para o ferro gusa, além de manter diálogo permanente com compradores e autoridades americanas. Os impactos esperados incluem paralisação de usinas, redução de empregos, queda no PIB e comprometimento da competitividade brasileira no mercado internacional”.
Qual a relação com a disputa política?
Pouco antes de anunciar a proposta de nova tarifa, autoridades americanas, como o secretário de Estado, Marco Rúbio, receberam a visita do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. E, segundo informações divulgadas na imprensa, a atuação do político brasileiro foi no sentido de pedir “interferências” dos americanos em seu favor nas eleições de outubro. E, dentre essas “interferências”, ainda conforme a imprensa tem divulgado, estariam a questão da tarifação e a declaração de grupos criminosos (PCC e CV) como grupos terroristas.
Conforme analistas, a questão dos grupos terroristas pode ter gerado bônus para o candidato, especialmente no meio aliado à direita, do espectro político nacional. Mas a questão da tarifação, que, a princípio, viria para gerar instabilidade no governo, teve atuação contrária. Por um lado, Flávio Bolsonaro tenta, de todas as formas, se distanciar da medida e até pediu para atuar em posição contrária à tarifação em audiência pública dos EUA. Por outro, o adversário, presidente Lula, aponta uma possível “traição à pátria” por parte do candidato do PL, atingindo diretamente sua bandeira de campanha, que seria o patriotismo.
O fato é que, em carta-resposta a Flávio Bolsonaro, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rúbio, reforça a posição americana de impor a nova tarifa e ainda cria mais um problema para Flávio Bolsonaro, quando agradece a “disponibilização da ‘equipe de transição’ caso seja eleito” ao liberal. Essa resposta ampliou espaços para a acusação de traidor da pátria que está colando em Flávio Bolsonaro. Portanto, as estratégias de campanha na disputa presidencial, especialmente do grupo bolsonarista, acabaram por gerar esse problema, que pode paralisar “pelo menos metade dos altos-fornos do Estado”, atingindo, assim, também a economia itaunense.




