A politicagem e a escala 6x1
Os trabalhadores brasileiros atuam em um sistema de escala 6x1 que é o seguinte: a pessoa trabalha de segunda a sábado e tem o domingo para descansar. Aí, uma proposta do presidente Lula foi enviada ao Congresso para que esse sistema seja mudado para uma escala de 5x2, ou seja, o trabalho é de segunda a sexta-feira, e o trabalhador tem o sábado e o domingo para descansar. Na prática, isso já acontece com muita gente, basta dar uma olhada no entorno. Especialmente no serviço público. Ou será que os funcionários da Prefeitura, da Câmara, do SAAE, trabalham sábado e domingo? Quando existe a necessidade, casos de profissionais das áreas da saúde, ou de plantão para ocorrências como falta de água, por exemplo, são feitas “escalas” e esses trabalhadores descansam em outro dia ou recebem um pouco mais pela “escala”. Então por que é interessante aprovar a escala 6x1? Ora, porque, se tornando lei, todo trabalhador brasileiro – e aí não só os funcionários públicos e de alguns outros setores – terão garantido o direito de dois dias de folga semanais. Simples assim.
Mas não, não é simples, quando se tem uma classe política como a nossa, que atua com o “viés da direita”, ou seja, a serviço de milionários, e um povo desinformado, sem consciência de classe e que apoia as iniciativas que serão prejudiciais a eles mesmos. Ou seja, quando temos os chamados “pobres de direita”, que se acham partícipes de uma classe que os quer longe deles. Aí, vêm os “formadores de opinião” comprados falar que, se for aprovado, vai ter prejuízo para os empresários – e não falam nada em relação aos lucros desumanos, desiguais, estrondosos, dos mais ricos – e os políticos “de direita” trabalharem contra. E, assim, temos alguns profissionais da imprensa, verdadeiros “pobres de direita”, pois são assalariados, e os políticos dificultam a aprovação de um projeto que tornará lei um benefício que deveria ser direito de todos, e não apenas de privilegiados. Pois bem, além de manchetes escandalosas, falando que vai ter desemprego, que empresas vão quebrar, o presidente da Câmara, Hugo Mota, preferiu um projeto “legislativo” que a proposta de emenda constitucional que o presidente Lula mandou à Câmara. Isso porque a proposta do Lula teria tramitação mais rápida e, no projeto que está sendo encaminhando, é necessário mais tempo e, assim, corre-se o risco de entrarmos em período eleitoral e a ideia ser adiada para o próximo ano ou para nunca mais, caso seja eleito o candidato “da direita”.
Basta ver quem foram os autores do pedido de vista para atrasar ainda mais o projeto que o Hugo Mota encaminhou: são os deputados do PSDB e do PL. Exatamente os partidos que têm o candidato “filho do Bolsonaro” se lançando à disputa da Presidência. Assim, eles atrasam a proposta, empurram a votação o máximo que puderem, até chegar o período eleitoral, quando nada mais anda no Congresso. Aí, se o filho do Bolsonaro ganhar, adeus escala 6x1. E, com certeza, ainda emplacam o projeto que o Milei empurrou goela abaixo dos trabalhadores da Argentina, que agora, além de trabalhar de segunda a sábado, ainda tiveram a carga horária aumentada para 10 a 12 horas/dia, e, quando fazem hora extra, não recebem por isso, pois as horas são enviadas a um “banco de horas”, que poderá ser pago, ridículo, até com comida. É isso que os políticos “da direita” querem e que os “pobres de direita” apoiam. Abram os olhos enquanto é tempo!
Por Sérgio Cunha
Jornalista profissional, especialista em comunicação pública e membro da Academia Itaunense de Letras – AILE, sendo titular da cadeira 26.





