POPULAÇÃO DE RUA - Falta informação sobre a realidade da situação
Dados “oficiais” apontam 22 pessoas em dezembro de 2023 e 55 em fevereiro de 2025, com aumento de 150% em pouco mais de 12 meses
O problema não é recente nem exclusivo de Itaúna. Conforme informações divulgadas na última semana em âmbito nacional, a população de moradores em situação de rua no Brasil vem crescendo. Os dados apontam que, de 328 mil pessoas registradas em 2024, aumentou para 365 mil ao final de 2025. Os dados repercutidos na mídia nacional fazem parte de uma informação repassada em entrevista concedida pelo professor André Luiz Freitas Dias ao programa Conexões, da Rádio UFMG Educativa.
Conforme as informações, esses dados fazem parte do estudo mantido pela UFMG (Programa Polos de Cidadania da Faculdade de Direito da UFMG), divulgados no Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG. Essa é a principal fonte de pesquisa em relação à população de rua no País, que não conta com dados oficiais a partir de fontes estatais. A não ser os dados do CadÚnico, do Governo Federal, não existe um estudo mais detalhado do que este da UFMG, e que aponte a situação mais localizada. Especialmente em relação ao Sudeste, que, conforme os dados informados na referida entrevista, concentra 61% da população em situação de rua no País. São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo têm mais de 222 mil pessoas nas ruas, de um total de 365 mil de todo o Brasil.
Como não existem números oficiais sobre as populações de rua localizadas, também faltam investimentos dos governos estaduais e até municipais em ações de políticas públicas para essa parte da população nacional. Além da UFMG, também as demais instituições de ensino Brasil afora se omitem na busca de soluções para esse tipo de situação.
Dados oficiais inexistentes em Itaúna
Em rápida pesquisa da reportagem da FOLHA, encontramos dados bastante divergentes, informados pelos órgãos oficiais de Itaúna, ao longo dos últimos anos. Os mais recentes apontam um release da Prefeitura, do ano de 2023, afirmando que, em dezembro daquele ano, a população em situação de rua no município havia “diminuído” para apenas 22 indivíduos. Em seguida, a partir de reportagem da FOLHA abordando o assunto, obtivemos informações da Secretaria de Desenvolvimento Social, em fevereiro de 2025, de que o número levantado era de 55 pessoas. Com a informação de que em janeiro daquele ano eram 58, mas que três pessoas haviam sido encaminhadas pelo setor.
Assim como no restante do País, em Itaúna não existe um estudo oficial que indique o acompanhamento mensal – ou mesmo anual – da situação. A Universidade de Itaúna, que carrega o nome do município na sua denominação, não apresenta estudos quaisquer que possam tratar do cotidiano da cidade. Assim, além de dados esporádicos, obtidos por reportagens de veículos de comunicação, não se trata da questão com bases científicas. Informações são de que existe um trabalho do poder público de abordagem dessa população. Mas inexistem informações acerca de acompanhamento, projeto voltado para enfrentar a situação e resta, então, muita, mas muita reclamação da população, que se vê esgotada ante a um problema que parece crônico.
Enquanto isso, a constatação diária nas ruas aponta que o problema tende a permanecer na crescente, sem uma solução à vista por parte do poder público, que afirma ter dificuldade em combater a situação, pois as leis de proteção ao cidadão dificultam uma ação mais contundente e eficaz.





