MEIO AMBIENTE - Filhote de Tamanduá-mirim é devolvido à natureza
Cetras-Divinópolis cuidou do animal após sua mãe ser vítima de atropelamento em rodovia, e agora o bichinho foi devolvido ao ambiente natural
O Instituto Estadual de Florestas – IEF, de Minas Gerais, mantém cinco Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS), no estado, para onde são enviados animais resgatados em incêndios, atropelamentos e até mesmo capturas em áreas urbanas. Nestes CETRAS, os animais recebem tratamento, acompanhamento e todos os cuidados necessários, até que estejam aptos a serem reintegrados ao meio ambiente. A soltura dos animais é estudada, para que sejam recolocados em áreas onde possam encontrar as condições naturais de sobrevivência e possam dar continuidade ao ciclo de existência. Os centros são os seguintes: CETRAS I, em Belo Horizonte; CETRAS II, em Divinópolis; CETRAS III, em Juiz de Fora; CETRAS IV, em Montes Claros; e CETRAS V, em Patos de Minas.
E o resultado deste trabalho dos CETRAS pôde ser acompanhado nesta semana, com o registro da recolocação no meio ambiente, de um Tamanduá-mirim. A história do bichinho começou quando, há algum tempo, um filhote de Tamanduá-mirim foi resgatado, nas margens de uma rodovia da região, após a sua mãe ser atropelada. Ainda com resquícios do cordão umbilical, o animalzinho foi resgatado por militares do Corpo de Bombeiros e levado para o CETRAS II, de Divinópolis. O Tamanduá-mirim foi batizado pelo nome de “Olavo” e, desde os primeiros dias de vida, passou a receber os cuidados naquela unidade de reabilitação.
“Era muito novinho, então entramos rapidamente com a suplementação na mamadeira para garantir que ele ganhasse peso e tivesse condições de se desenvolver”, explica a veterinária do CETRAS de Divinópolis, Raquel Moreira Kind, que atua no CETRAS II. Com a evolução do quadro clínico, o filhote passou por uma transição alimentar gradual. “Com o ganho de peso, começamos a introduzir a alimentação sólida e também a estimular o comportamento natural. A gente levava cupinzeiro para que ele pudesse treinar essas habilidades, respeitando o tempo e as necessidades da espécie”, acrescenta a veterinária.
Depois de alcançar maior autonomia, Olavo foi transferido para um recinto preparado com técnicas de enriquecimento ambiental. A estrutura incluiu galhos e outros recursos que possibilitaram o fortalecimento muscular, o desenvolvimento da coordenação motora e o estímulo a comportamentos típicos da espécie, etapa fundamental para a reintrodução na natureza. “Esse preparo é essencial para que o animal desenvolva independência. Trabalhamos o fortalecimento da musculatura, a coordenação e os comportamentos naturais, até que ele estivesse pronto para voltar ao ambiente natural”, destaca Raquel.
Após completar todo o processo de reabilitação, o tamanduá-mirim foi considerado apto para a soltura. O retorno ao habitat natural marcou o desfecho de um trabalho que envolve conhecimento técnico, cuidado contínuo e dedicação das equipes envolvidas. “É um caso de sucesso que mostra como esse trabalho faz a diferença. A gente acompanha desde um animal extremamente vulnerável até o momento em que ele pode voltar para a natureza”, finaliza.
Histórias como a de Olavo evidenciam o papel estratégico dos CETRAS na conservação da fauna silvestre em Minas Gerais, desde o acolhimento de animais em situação de vulnerabilidade até a devolução segura ao meio ambiente. O centro em Divinópolis é gerido pelo Governo de Minas, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Por isso, em casos de encontro com animais silvestres feridos, vítimas de acidentes ou em situação de risco, a orientação é não realizar o manejo por conta própria e acionar os órgãos responsáveis. Acione imediatamente o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Militar de Meio Ambiente, por meio do telefone 190 ou (31) 99598-5834.





