FARRA? - Cidades gastam R$ 138 milhões com shows em Minas Gerais
O valor se refere ao que foi gasto com apenas seis atrações artísticas, conforme série de reportagens divulgadas pelo Tribunal de Contas do Estado
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais – TCE-MG, por meio da sua Diretoria de Comunicação, lançou nesta semana uma série de reportagens intitulada “Festança com o orçamento público”. A série contém três reportagens que analisam gastos de municípios com a contratação de shows artísticos comparados à necessidade de investimentos em áreas como saúde, educação e outras. A reportagem da FOLHA teve acesso à série, que mostra um gasto de R$ 138,4 milhões apenas com seis atrações artísticas para festas em municípios mineiros.
Conforme a relação dos contratos, o artista mineiro Eduardo Costa foi o campeão das contratações, com arrecadação de R$ 27 milhões. Em seguida, vem a dupla Diego e Vitor Hugo, que arrecadou R$ 23 milhões com contratações para shows em cidades mineiras. Depois, vem o artista Guilherme Silva, que arrecadou R$ 22,7 milhões em contratos de shows nos municípios. César Menotti e Fabiano ocupam a quarta posição, arrecadando R$ 22,5 milhões; o mesmo valor arrecadado pelo quinto colocado, Leonardo; e, na sexta posição, Fernando Sorocaba, que conseguiram R$ 20,7 milhões em contratos de shows em Minas Gerais. Esses valores foram obtidos em levantamentos do TCE-MG nos anos de 2024 e 2025.
O que representa esse valor comparado a investimentos recentes
Para se ter uma ideia do que poderia representar esse valor gasto em shows artísticos, tome-se como base um recente anúncio do Governo Federal de que foram investidos na Região Sudeste, em creches, institutos federais, universidades e hospitais universitários, R$ 83 milhões. Três creches, construídas nas cidades de São Francisco e Ibiaí (Norte) e Itaguara (Centro-Oeste) do estado, tiveram o custo anunciado de R$ 6,73 milhões. Desta forma, investiu-se, em média, R$ 2,2 milhões em cada construção. Com R$ 138,4 milhões daria para construir cerca de 63 creches iguais às que foram entregues às cidades citadas.
Levando-se em conta que a dívida do Hospital “Manoel Gonçalves”, de Itaúna, conforme dados recentes, gira em torno de R$ 14 milhões, o valor seria suficiente para pagar a dívida de dez instituições como as da Casa de Caridade “Manoel Gonçalves”. Levando-se em conta que o custo de um leito de UTI, pago pelo SUS, no mais alto patamar, fica em torno de R$ 90 mil, o valor gasto com shows conforme os anunciados daria para manter 1.538 leitos de UTI Brasil afora. As reportagens do TCE, na íntegra, podem ser conferidas no site www.tce.mg.gov.br/noticia.



