DESIGUALDADE - Mulheres ganham menos e estudam mais em Itaúna

Renda média mensal dos brasileiros homens é menor do que a dos homens de Itaúna, o que aumenta a desigualdade em relação às mulheres

DESIGUALDADE - Mulheres ganham menos e estudam mais em Itaúna
Foto: Reprodução/ IBGE

O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou dados que demonstram a desigualdade entre homens e mulheres, no Brasil, com destaque para o grau de instrução e a renda salarial, separados por sexo. E, se no País, de forma geral, a desigualdade já é imensa, em Itaúna a situação se agrava, aumentando a diferença entre os sexos, com clara predileção da estrutura social pelo sexo masculino. Os números mostram que, no Brasil, as mulheres estudam mais e ganham menos. Porém, quando esta comparação é feita em Itaúna nota-se que aqui as mulheres estudam ainda mais e ganham ainda menos, aumentando a desigualdade entre as pessoas de sexo oposto, com imensa vantagem para os homens. 

Nos dados divulgados pelo IBGE, a situação em Itaúna, em relação ao grau de instrução alcançado por distinção de sexo é a seguinte: pessoas sem instrução ou apenas com o ensino fundamental incompleto são 30.26% do sexo masculino e 28,99% do sexo feminino. Aqueles que têm o ensino fundamental completo e o ensino médio incompleto apresentam 14,31% de homens e 11,81% de mulheres. Se os dados são sobre o ensino médio completo e ensino superior incompleto, os números são de 37,96% de homens e 37,62% de mulheres. 

Porém, quando a análise recai sobre quem tem o ensino superior completo, mostra as mulheres à frente, com 21,58% contra 17,47%. Isto representa que 8.633 mulheres concluíram o ensino superior e 6.666 homens alcançaram o mesmo grau de instrução. Diferença de cerca de duas pessoas, em favor das mulheres. Estes números demonstram que as mulheres estudam mais que os homens, pois este seria um caminho para alcançar o sexo masculino em relação às oportunidades de mercado, por exemplo.

Mais empregos para homens

Conforme a FOLHA já destacou em diversas oportunidades, as vagas de emprego oferecidas em Itaúna são em maior número para o sexo masculino. Assim, os homens empregados, com trabalho formal, em Itaúna, apresentam o total de 29.491 pessoas, ou seja, 69,18% do universo masculino. Já a relação de ocupação para as mulheres é de 22.928 com ocupação formal registrada, o que representa que 51,84% do universo feminino tem emprego formal. A diferença em números exatos é de 6.563 pessoas do sexo masculino, a mais do que mulheres, com emprego formal. Isto representa uma diferença percentual de 28,62% entre os dois sexos.

Menos salários

A diferença mais acentuada está quando se analisa a renda mensal média e a diferença existente entre os salários de homens e mulheres. Enquanto a média salarial dos homens itaunenses é de R$ 3.173,40, conforme os dados do IBGE, as mulheres têm média salarial de R$ 2.285,53. A diferença, em reais, destas médias salariais é de R$ 887,87. Isto é mais do que a metade de um salário mínimo vigente no País.

A mesma comparação feita no Brasil inteiro, mostra que a renda média mensal dos homens é de R$ 3.115,29, portanto, menor do que a média salarial dos homens itaunenses. E as mulheres brasileiras têm renda média mensal de R$ 2.506,20, ou seja: as mulheres brasileiras têm salário médio mensal R$ 220,67 maiores do que as mulheres itaunenses. A diferença é de cerca de 10% em desfavor do sexo feminino em Itaúna. 

E essa situação é tão gritante que derruba a média salarial itaunense, de forma geral, abaixo da média salarial brasileira, analisando os valores recebidos por ambos os sexos. Enquanto no Brasil a média geral é de R$ 2.810,74, em Itaúna é de R$ 2.729,46. Estes números mostram que Itaúna necessita, urgentemente, de um trabalho de valorização da mulher, para que, primeiro, chegue ao nível das mulheres brasileiras para, depois, se aproximar dos homens. Absurda constatação, sem dúvida.

Estrutura social precisa ser repensada

Além da questão trabalhista e educacional, demonstradas nos números publicados pelo IBGE, as mulheres de Itaúna também sofrem com a violência. Em reportagem da FOLHA publicada em fevereiro deste ano esta situação fica demonstrada, com levantamento do índice de violência “per capita” contra as mulheres de Itaúna. Em comparação com os outros três municípios da região, com população acima de 100 mil habitantes, a violência contra a mulher itaunense está bem à frente dos demais.

Considerando os números do ano passado (2025), por exemplo, o índice de violência contra as mulheres, na região, apresenta o seguinte quadro: Itaúna, 0,83 ocorrências por habitante; Nova Serrana, 0,81 ocorrências por habitante; Divinópolis, 0,77 ocorrências por habitante; e Pará de Minas, 0,52 ocorrências por habitante. Itaúna registrou, em 2025, 790 ocorrências de casos de violência contra a mulher.

Estes dados, e outros, vão se somando, como a baixa representatividade do sexo feminino nas instâncias de poder, vão se somando para demonstrar que vivenciamos uma sociedade machista, que não valoriza o sexo feminino, como deveria ocorrer. É preciso que as mulheres se organizem e passem a cobrar mais espaço, mais valorização.