CULTURA - “Vânia Campos” subaproveitado!

Marco Antônio Lara escreve à FOLHA abordando recomendação do MP para melhor aproveitamento do teatro cedido ao SESI

CULTURA - “Vânia Campos” subaproveitado!
Foto: Arquivo/FOLHA

Conforme a FOLHA já publicou, foi feita denúncia ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais apontando o que seria um subaproveitamento do Teatro “Vânia Campos” pelo SESI, que o administra atualmente. O teatro, construído com recursos públicos, foi transferido ao Serviço Social da Indústria – SESI/DRMG, conforme Lei Municipal nº 2.817/1993. Entre os anos de 2000 e 2013, a administração do espaço foi feita em parceria entre a Associação Cultural Amigos do Teatro Vânia Campos e o SESI, e, a partir de 2014, o SESI assumiu totalmente a administração do espaço. De lá para cá, conforme já denunciado em outras ocasiões na FOLHA, o teatro tem deixado de atender à classe artística itaunense conforme pretendido e, consequentemente, diminuindo suas atividades culturais.

Agora, ainda conforme o texto enviado à FOLHA, o MPMG se posicionou e teria emitido recomendação para que a entidade SESI e a Secretaria de Cultura do Município busquem maneiras de sanar a situação. Confira a íntegra do texto encaminhado pelo teatrólogo, ator e diretor, Marco Antônio Lara à reportagem da FOLHA: 

“MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL SE POSICIONA A FAVOR DA PRESERVAÇÃO DO TEATRO VÂNIA CAMPOS

O Inquérito Civil instaurado pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, por meio de sua Promotoria de Justiça no âmbito do Patrimônio Histórico e Cultural da Comarca de Itaúna, após apurar denúncias, concluiu que o Teatro Vânia Campos é alvo de subaproveitamento cultural e determina ações que deverão ser implementadas pelo Sesi e pela Secretaria Municipal de Cultura, para sanar esta situação.

Diante de todas as constatações, após profunda avaliação técnica, o Ministério Público recomendou ao SESI e à Secretaria Municipal de Cultura que promovam ações de proteção e que o Teatro retome suas atividades abertas ao público e que seja desenvolvida uma política cultural que volte a incentivar a produção artística na cidade, como ocorreu no período de 2.000 a 2.013, quando o Teatro foi administrado em parceria com a Associação Cultural Vânia Campos. 

O parecer técnico e o despacho ministerial, afirmam que o registro da História do Teatro de Itaúna como Patrimônio Imaterial através do Decreto Municipal nº 6.961/2019 não foi suficiente para garantir a apropriação do Teatro Vânia Campos pela comunidade local, de modo a preservar sua simbologia como espaço de encontro e de manifestações artísticas. 

Afirma também que, embora a administração do SESI conserve o Teatro Vânia Campos em boas condições, com renovações de pintura e mobiliário, há relatos de problemas técnicos nos equipamentos de som e iluminação que afetam a qualidade das apresentações. Além das deficiências operacionais, os artistas locais criticam a cobrança de aluguel e a distância que a gestão do espaço mantém da comunidade artística. Vale ressaltar que o Teatro Vânia Campos foi construído com recursos públicos a partir de apelos de artistas itaunenses, atualmente, seu potencial não tem sido desenvolvido em prol de toda a comunidade.

O referido Teatro foi construído com recursos públicos e, posteriormente, transferido ao Serviço Social da Indústria – SESI/DRMG, conforme Lei Municipal nº 2.817/1993;

O referido teatro constituiu, entre os anos de 2000 e 2013, centro ativo de difusão cultural, mediante parceria entre o SESI e a Associação Cultural Amigos do Teatro Vânia Campos, com produção local significativa e acesso gratuito à comunidade;

Após o fim da referida parceria, o Ministério Público constatou que houve esvaziamento da programação artística voltada ao público em geral, cobrança de valores considerados impeditivos para a utilização por artistas locais, distanciamento da gestão em relação à comunidade artística e cultural e irregularidades técnicas apontadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, relativas ao sistema de alarme e hidrantes do teatro;

O Inquérito concluiu que, comparado ao período entre 2000 e 2013, atualmente o Teatro Vânia Campos oferece com menor frequência peças teatrais voltadas ao grande público, concentrando sua utilização para as atividades da Escola SESI Dário Gonçalves de Souza. Embora o SESI afirme prezar por uma “política cultural inclusiva, diversa e acessível” e prometa ampliar a programação, a comunidade artística itaunense segue mobilizada pela reintegração do Teatro Vânia Campos ao patrimônio municipal, reafirmando seu papel fundamental na cultura da cidade.

Diante da divergência entre o modelo de gestão atual, pautado na cobrança de aluguel e com relatos de deficiências operacionais, e o modelo anterior, que priorizou o acesso gratuito e o fomento à produção local, recomenda-se que a administração municipal participe mais ativamente da condução do Teatro SESI Vânia Campos, inclusive financeiramente, a partir de políticas públicas específicas para o segmento das artes cênicas.

Recomenda que a parceria com a Associação Cultural Vânia Campos poderá ser retomada visando a aproximação da casa de espetáculos com a comunidade local e o respeito à sua função social.

Caso a comunidade reconheça a importância do Teatro Vânia Campos como referência para a memória, a identidade e a formação da sociedade, este Teatro Vânia Campos poderá ser declarado como bem de Relevante Interesse Cultural, que acarreta medidas especiais de proteção, por parte da Prefeitura, objetivando a permanência do bem ou manifestação cultural, com suas características dinâmicas próprias e resguardando sua integridade e sua expressividade. Para que isto ocorra, é necessária a elaboração do processo de Declaração de Relevante Interesse Cultural, que será submetido ao CODEMPACE para deliberação”.