ARMAS DE FOGO - Itaúna registra 76 mortes em 5 anos
Dados de Itaúna mostram a situação local
O Brasil vive uma verdadeira guerra nas ruas, com índice assustador de mortes, a cada ano, utilizando-se armas de fogo. No Atlas da Violência, documento produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, em colaboração com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública - FBSP, esses números estão registrados e mostram a situação da violência no País. A reportagem da FOLHA fez uma pesquisa nesse documento, levantando os números de mortes causadas por armas de fogo em Minas Gerais e em Itaúna nos últimos cinco anos do estudo (2019 a 2023). O levantamento da situação mostra o número de mortes de homens, mulheres e jovens nesse período, totalizando e por categoria.
Em Minas Gerais, foram registrados, no total, entre 2019 e 2023, 8.690 mortes causadas por armas de fogo, sendo que a maioria das vítimas, 5.617, eram homens. No total, a cada ano, foram registrados os seguintes dados de mortes causadas por arma de fogo: 2019, 1.878; 2020, 1.702; 2021, 1.594; 2022, 1.767; e 2023, 1.636. No Brasil, em 2023, conforme dados do IPEA, foram registradas cerca de 32 mil mortes causadas por arma de fogo.
Os números de casos em Itaúna mostram que os anos de 2021 e 2022 foram os mais letais do período registrado. Em cinco anos, foram registradas 76 mortes causadas por disparos de arma de fogo no município, sendo que em 2021/2022 foi registrado quase metade desse total (35). Os dados, ano a ano, foram os seguintes: 2019, 14 mortes; 2020, 11 homicídios; 2021, 16 assassinatos; 2022, outros 23; e em 2023, mais 12 mortes.
Quando os números apontam os números dos crimes de homicídio com utilização de armas de fogo contra as mulheres, a situação em Minas Gerais, no mesmo período, mostra que foram 120, 100, 95, 119 e 123 mortes, respectivamente, aos anos de 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023. Já em Itaúna, nos anos de 2019 e 2020, não há registro de mulheres mortas com a utilização de armas de fogo. Já em 2021, ocorreu uma morte. Em 2022, foram três homicídios; e, em 2023, mais um, totalizando cinco casos no período.
O número de mortes de jovens apurado pelo Atlas da Violência nesses cinco anos mostra que, em 2023, ocorreu uma queda sensível nos casos, tanto em Minas Gerais quanto em Itaúna. Os números do estado mostram que foram registradas 1.099 em 2019; 1.000 em 2020; 883 em 2021; 1.027 em 2022; e queda para 193 em 2023. Em Itaúna, foram, na sequência, 5 mortes em 2019; 7 em 2020; 9 em 2021; 11 homicídios em 2022; e 2 em 2023.
Caco Barcellos apresentadados assustadores
O jornalista Caco Barcellos, um dos maiores nomes do jornalismo investigativo do Brasil e até mesmo da América do Sul, que se notabilizou por documentários televisivos, produzindo reportagens com abordagens sobre injustiça social e violência, trouxe dados assustadores nos últimos dias. Em entrevista concedida ao @canaldesprogramados, um podcast produzido no Youtube, ele repassou dados que apontam o “cidadão de bem” (cidadão comum) como o maior responsável pelas mortes utilizando armas de fogo.
Conforme esses dados, cerca de 4% dos homicídios nessa situação ocorridos no Brasil são provocados pelos bandidos, em ações como assaltos e roubos à mão armada. Cerca de 30%, como é o caso do Rio de Janeiro e São Paulo, têm como causa a ação da polícia. Ele dá números de 2025, apontando que, em São Paulo, foram registrados cerca de 700 homicídios nessa situação; e, no Rio de Janeiro, em torno de 2 mil mortes ocasionadas em ações das polícias.
Porém, o dado mais grave é o percentual de mortes ocasionadas por ações de pessoas comuns, “o cidadão de bem”, como relatou. Estes seriam responsáveis por 66% das mortes ocorridas no Brasil com o emprego de armas de fogo. E destaca que a maioria dessas mortes ocorrem por motivos considerados fúteis, como uma briga de trânsito, um desentendimento entre vizinhos, uma discórdia em família... E acrescenta que, por trás desses dados, está uma política organizada pela liberação e comercialização de armas de fogo para os cidadãos comuns, bandeira de um grupo de políticos denominados como “bancada da bala”. E conclui afirmando que, infelizmente, “matar, dá voto!”.



