VIDA URBANA - É preciso investir em mobilidade urbana!
Dados do Censo 2022 servem de alerta à necessidade de mais investimentos na estrutura da cidade para adequações da mobilidade das pessoas
No dia 12 de dezembro do ano, passado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE divulgou novos dados compilados do Recenseamento de 2022, demonstrando que quase 120 milhões de pessoas que residem em cidades convivem com a falta de rampa para cadeirantes nas imediações de suas residências. É um número que parece distante, analisado assim em milhões de pessoas, em percentuais de um total estimado. Mas a reportagem da FOLHA trouxe a situação para mais próximo e encontrou uma dura realidade para quem convive com problemas de mobilidade em Itaúna.
Cadeirantes, idosos, crianças e pessoas que convivem com algum impedimento físico de mobilidade têm muita dificuldade ao transitar pelas ruas itaunenses. E o problema é ampliado para quase que a totalidade da população quando se analisa a falta de espaços para o pedestre nos passeios públicos. Principalmente nas ruas centrais de Itaúna, a condição de trafegabilidade para pedestres é muito dificultada. Passeios estreitos, obstáculos intransponíveis como postes e árvores mal plantadas, além da existência de outros obstáculos existentes a partir de uma cultura de desrespeito à cidadania, como placas, mesas e outros objetos deixados nos passeios.
Na área considerada “hipercentro”, composta pelas vias que circundam a Praça da Matriz, há quase três décadas, duas iniciativas demonstraram o quanto o poder público pode ampliar a qualidade de vida das pessoas, com ações simples: o alargamento dos passeios nas ruas Coronel Artur Vilaça e Antônio de Matos, esta última a obra mais recente, datada de final do ano de 2004. Nas demais vias, porém, os passeios estreitos são a tônica. Quem transita pelas ruas Gonçalves da Guia, Capitão Vicente, Silva Jardim, Manoel Gonçalves, Melo Viana (foto 1) e Cel. Manoel Franco (foto 2), dentre outras da região, sabe o quão difícil é se manter em linha reta e sem a necessidade de descer à via e disputar espaço com veículos.
Necessidade de reestudo e investimento
O problema de mobilidade em Itaúna não é exclusividade do município e existe em praticamente todo o território nacional. Porém, é necessário que a situação comece a ser combatida e é necessário um primeiro passo. O início seria um estudo da situação, com o apontamento dos principais pontos de dificuldade para o tráfego de pessoas na cidade. A partir deste estudo, pode-se, então, dar início à proposta de soluções, com investimentos setorizados.
A prática de estacionar veículos ao longo das vias, na área central, por exemplo, precisa ser analisada pelas autoridades de trânsito e a instalação de estacionamento rotativo que realmente funcione é uma necessidade urgente. Em alguns pontos da cidade, como em esquinas de ruas – Melo Viana com a Praça da Matriz e Antônio de Matos, por exemplo –, a instalação de passeios ampliados seria uma solução até simples para a mobilidade das pessoas.
A partir do momento que sejam instalados passeios ampliados em algumas vias, a mobilidade na área central de Itaúna pode melhorar. Também o fechamento de vias, como acontece em inúmeras cidades brasileiras, pode ser uma alternativa, bons exemplos seriam a Rua Melo Viana e a Cel. Artur Vilaça. Mas a mentalidade do brasileiro de que as ruas devem atender apenas aos veículos precisa mudar, conforme analistas de mobilidade urbana, para que a qualidade de vida para a população seja favorecida.
E uma das apostas de ambientalistas é no sentido de que os investimentos públicos deixem de ser apenas em instalação de vias asfaltadas e passe a focar mais as pessoas que os veículos. Itaúna precisa ser replanejada, com certeza.





