SANEAMENTO - Itaúna leva água tratada a 100% da população

Mas o índice de volume de esgoto tratado é inferior ao de consumo de água, o que aponta deficiências no setor, conforme dados do Painel do Saneamento

SANEAMENTO - Itaúna leva água tratada a 100% da população
Foto: Reprodução/ Painel Saneamento Brasil

Itaúna já sustentou posições mais elevadas em relação aos demais municípios mineiros e brasileiros em relação ao saneamento básico. Porém questões de deterioração de estruturas e até mesmo falta de investimentos e planejamento, nos últimos anos, geraram gargalos no setor. Um recente estudo do Instituto Trata Brasil relativo à situação do saneamento básico no País mostra isso. Enquanto Itaúna atende em 100% com oferta de água tratada à população, os índices em relação ao tratamento de esgoto são insuficientes, mesmo após a inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos - ETE, em 2023. Se, como afirmado, a oferta de água tratada é de 100% para a população itaunense, o índice de esgoto tratado em relação à água consumida é de apenas 28,2%.

Conforme profissionais do setor ouvidos pela reportagem, muito disso se deve à verdadeira destruição do sistema de recolhimento de esgoto, deixado em segundo plano pelas administrações anteriores, a conhecida do Projeto Somma implantada na cidade no final da década de 90 e início dos anos 2000. Conforme amplamente divulgado, após as enchentes nos anos de 2021 e 2022, a Prefeitura realizou obras de desassoreamento no leito do Rio São João e no Ribeirão dos Capotos e essas obras, conforme denúncias, causaram a destruição de grande parte das redes do Projeto Somma e, com isso, muito esgoto passou a desaguar nesses cursos d’água, deixando de ir para a ETE. Assim, o tratamento do esgoto, conforme as denúncias, alcança em torno de 30%. No Painel do Saneamento há a confirmação de que apenas parte do esgoto gerado chega à ETE.

Baixo investimento

Dados do estudo publicado no Painel do Saneamento mostram que, em Itaúna, o valor per capita de investimentos no setor esteve, nos últimos anos, em R$ 45,20, principalmente no ano de 2024. Enquanto isso, os 100 maiores municípios analisados apresentaram investimento per capita médio de R$ 135,89. As piores médias foram encontradas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, em torno de R$ 30 por habitante. A meta do Plano Nacional de Saneamento Básico - PLANSAB é de investimento de R$ 225 por habitante, para se chegar ao estágio ideal. Portanto, em Itaúna, será necessário ampliar o investimento, levando por base os últimos dados levantados.

Necessidade de universalização da coleta

Um dos principais desafios da atual administração é zerar o déficit populacional sem coleta de esgoto. Segundo os dados, 10.090 pessoas em Itaúna não contavam com esse serviço em 2024, o que representa 9,8% da população, conforme o IBGE. Em Minas Gerais, para comparação, essa defasagem é de 24,4% da população. E na região de Divinópolis, com população de 1.3 milhão de pessoas, o índice é de 16,8%. 

Por outro lado, em relação à oferta de água tratada, a situação itaunense é excelente, com 100% de oferta. Minas Gerais chega a 90,2% da população atendida. A região de Divinópolis apresenta situação pior, com 11,7% da população de mais de um milhão e trezentos mil habitantes sem água tratada, alcançando mais de 150 mil pessoas.

Impactando na saúde

Para se ter uma ideia de quanto a questão do saneamento básico implica na qualidade de vida das pessoas, o mesmo estudo aponta números de internações por “doenças de veiculação hídrica” (ingestão ou contato com água contaminada) e óbitos ocasionados pela mesma razão. Em Itaúna, em 2024, duas pessoas morreram devido a doenças ocasionadas nessa situação. E foram registradas 91 internações pelo mesmo motivo. 

O estudo mostra também as questões econômicas, além do viés da saúde, que um planejamento adequado e bem executado no setor do saneamento básico pode ocasionar às cidades. A máxima de que cada real investido em saneamento economiza aos cofres públicos R$ 9 de investimento em saúde está cada vez mais real, apontam especialistas. Assim, os dados do Painel do Saneamento, os estudos apresentados pelo Instituto Trata Brasil, assim como as informações constantes no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico – SINISA, devem ser leituras necessárias e fundamentais aos gestores públicos.