Terceirização: de onde surgiu esta ideia?
Conselheiros rechaçaram proposta, que ficou sem um “padrinho” e deve ser escanteada na realidade da instituição
Há algumas semanas, a FOLHA trouxe a informação de que uma proposta de terceirização da administração do Hospital “Manoel Gonçalves” estaria sendo analisada nos bastidores e seria colocada em discussão em reunião do Conselho Comunitário da Casa de Caridade. E, nesta semana, mais precisamente na quinta-feira, 30 de julho, o tema foi levantado na reunião do Conselho Comunitário da Casa de Caridade, tendo sido fortemente rechaçado. Conforme avaliação dos presentes, a Casa de Caridade “Manoel Gonçalves”, mantenedora do Hospital, é uma entidade particular de direito público, tendo o referido conselho como órgão máximo. É esse conselho quem escolhe os membros da provedoria, que são dotados da responsabilidade de administrar a instituição, não cabendo, portanto, a “terceirização” dessa função a empresas, por exemplo.
Um dos conselheiros, em conversa reservada com a reportagem, comentou que não vê quaisquer possibilidades de concordar com “a entrega da caneta a uma empresa, que passaria a direcionar os destinos da instituição, que é um bem da comunidade itaunense. O Conselho Comunitário é o órgão representativo da comunidade no direcionamento dos destinos da instituição e não há possibilidade, no meu entender, de entregar esta representatividade a particulares”, afirmou. E completou que “nem seria lícito de nossa parte abrir mão desta prerrogativa”.
Proposta sem autoria
Na reunião do Conselho, ficou esclarecido que a proposta não surgiu da provedoria, bem como não partiu do Conselho Comunitário. O representante da administração municipal na reunião garantiu também que não é de responsabilidade do Poder Executivo proposta alguma nesse sentido. Outro setor que teve negada a autoria da proposta é o Ministério Público. Conforme defendido na fala do Dr. Euder Monteiro, chefe do Cartório Eleitoral, os membros do Ministério Público não defenderiam a proposta. Assim, apesar de ter sido levantada, nenhum dos segmentos que poderiam ter apresentado a sugestão a teria feito.
E, mesmo que a autoria da proposta tivesse sido assumida, ela causou enorme rechaçamento por parte dos conselheiros, que não aceitam, de forma alguma, como ficou exposto, o repasse da gestão administrativa da instituição a uma empresa particular.




