Rechaçada... Seria a “solução”?

Rechaçada...  Seria a “solução”?

Mais uma vez, ocupo o espaço do editorial tendo como tema a Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira. Ou apenas Hospital Manoel Gonçalves. Discuto e opino sobre o tema desde 1983, ainda no jornal Folha do Oeste, em coluna de variedade assinada. E como também já afirmei por inúmeras vezes, não consigo enxergar uma solução plausível para a instituição a curto e médio prazos, mas todos sabemos que não podemos ficar sem ela. É a mantenedora do nosso único Hospital. Como já disse em outras oportunidades, para lá, no primeiro instante, vai o milionário, a remediado e o pobre. Não há outra solução. Então, como sempre, a palavra de ordem é: o Hospital é prioridade em todos os setores públicos e privados. E repito, é dos itaunense, e não de grupos e/ou pessoas, de setores do empresariado e/ou comércio e muito menos de autoridades em cargos eletivos, ou do Judiciário. É do povo e ponto.

Mas vamos lá. Depois de reuniões, há algumas semanas, com setores do Judiciário e do Ministério Público, que é o fiscal nato da instituição, algumas propostas foram colocadas e uma delas seria a busca de outras formas de administração, outro modelo, para o Hospital. Deram prazo para que a instituição se manifestasse e, diante disso, a provedoria convocou extraordinariamente, nesta semana, o Conselho Comunitário, para que, em reunião, fosse decidido se o caminho seria a terceirização da administração do Hospital. Pois bem, bastou o assunto ser colocado em discussão para que fosse veementemente rechaçado pela maioria, quase unanimidade, pois o sentimento é o de que querem meter o bedelho em uma instituição que é do povo, e que tem um Conselho Comunitário para decidir por ele. E deste conselho é que são indicados os provedores que conduzem a administração da instituição, prestando contas para esse mesmo conselho e para o representante do Ministério Público, o promotor de Justiça. Assim, não há o que discutir, pois os problemas financeiros do Hospital não provêm da administração, ou seja, da provedoria, e sim do sistema de saúde em nível federal e estadual, não sendo uma exclusividade itaunense. 

Enquanto não mudarem o sistema, os hospitais públicos e as santas casas não terão como se sustentar prestando serviços hospitalares sem ajuda política, e isso não vai mudar, porque o político necessita do sistema funcionando assim, de forma deficitária, para que possa atuar politicamente. Ou seja, o sistema corrói o sistema para manter grupos no poder. E posso afirmar de forma categórica que, no caso de Itaúna, a situação melhorou muito nas últimas décadas, pois tínhamos, no século passado, uma verdadeira “máfia de branco” atuando dentro da Casa de Caridade Manoel Gonçalves, que não deixava ninguém entrar, inclusive administrativamente. Na minha opinião, o Hospital era deles. Hoje não, temos cidadãos comuns administrando a instituição, prestando contas ao Conselho, que, repito, é o verdadeiro representante de toda a comunidade, pois sua formação inclui a maioria das camadas da sociedade itaunense. 

Eu disse itaunense, porque o Hospital Manoel Gonçalves foi doado ao povo itaunense, e é dele. Então não tem ninguém que vai meter o bedelho, achando que vai fazer do Hospital uma empresa de prestação de serviços hospitalares, entregando a mais importante instituição itaunense para particulares. Proposta que, ao que parece, não tem dono, pois ninguém teve, até o momento, a coragem de assumir a ideia. Mas, no fundo, sabemos de onde veio e o porquê. Aí, repito a máxima: Itaúna não deu um pinto pra galo e nem um leitão pra cachaço, pois chegam, tomam assento e acham que podem meter o bedelho e impor, da forma que supõem estratégica, critérios que, às vezes, não são os que a comunidade enxerga. O Hospital é nosso, continuará prestando serviços para o povo de portas abertas e da maneira que sempre foi desde o dia que começou a funcionar no prédio antigo, hoje sendo restaurado. E entendo que ninguém tem que propor mudanças radicais, e sim ajudar a buscar caminhos que transformem vontade em recursos, pois o Hospital só precisa de recursos para melhorar mais do que já melhorou. A nossa única instituição de saúde pode ser considerada um exemplo em se tratando de atendimento e prestação de serviços, além disso, os homens que estão à frente dela são pessoas idôneas, disponíveis e que doam seu trabalho de forma espontânea, pois são itaunenses. Isso basta. 

É preciso deixar claro que, num hospital onde mensalmente ocorrem milhares de atendimentos médicos, com cirurgias, internações de risco e mortes, seja natural alguns atropelos. Estatisticamente, são mínimos. Então não há motivos para uma proposta que considero, como o Conselho Comunitário, absurda, a de terceirização. E que fique bem claro que ela não pode ser imposta, nem pelo Ministério Público e/ou pela Justiça, pois o Conselho, representante do povo, que é o verdadeiro dono do Hospital, é soberano e não vai permitir que isso aconteça. Além disso, o estatuto é claro. E creio que o povo – que já perdeu uma instituição que era dele, pois ela recebeu recursos e bem públicos, para um senhor feudal que aportou por aqui, com uma mudança estatutária para “inglês ver”, e encoberta pela Justiça e pelo MP à época – não vá deixar que se repita mais uma manobra. Hoje é diferente, acho, pois o povo está mais apto a opinar e tem o direito de fazer isso garantido constitucionalmente. Então gente, vamos colocar a “boca no trombone”. O Hospital doado pelo Manoelzinho é nosso, e que ninguém tasque... Terceirizar administração? Já assisti esse filme. Não é a solução. E seria simples resolver: todos pelo Hospital, que é nosso.

Por Renilton Gonçalves Pacheco