Os Irmãos Sister
Está aí um segmento literário pouco explorado, mas que tem obras significativas e que extrapola o comum: tiroteios, duelos, mortes sanguinárias, tão ao gosto de Quentin Tarantino, que, por acaso, gosto muito, como Os Oito Odiados, filme do gênero.
Este tipo de obra retratando o velho oeste existe desde o século XIX e se popularizou com o que denominamos livros de bolso, sendo um de seus precursores James Fenimore Cooper (O último dos Moicanos).
O cinema, desde o início, se encantou com o Western e, já em 1903, lançou o “O GRANDE ROUBO DO TREM” em pleno cinema mudo, o que ajudou a popularizar o gênero, e daí tivemos nomes expressivos, como Elmore Leonard, que depois migrou para o romance policial, e também o já comentado aqui Louis L’Amour, com a saga dos Sackets.
Nos anos 50 e 60, a maioria dos galãs hollywoodianos fizeram filmes de faroeste e, para citar apenas alguns, temos: Gary Cooper, Rock Hudson, Kirk Douglas, Yul Brynner, Burt Lancaster entre outros. Mas quem vai incorporar o típico homem do oeste é John Wayne e, mais tarde, o anti-herói Clint Eastwood.
Depois, o cinema cedeu espaço para outros tipos de filmes e o western foi ficando de lado, mas sem desaparecer por completo, e ainda hoje tem grandes produções, como o recente HOSTIS, cuja abordagem é questionadora, sem falar no OS IMPERDOÁVEIS e refilmagens como os INDOMÁVEIS.
Enfim, deixando o cinema, quero dar destaque a esta obra escrita pelo canadense Patrick de Witt, uma grata surpresa, produzida por um jovem escritor, que não ficou devendo nada aos ícones do gênero, saliento que esta opinião não é só minha, porque o cinema já o levou à telona. O livro começa com o clássico:
OREGON CITY, 1851.
Os irmãos Sisters estão de volta depois de cumprir com dificuldade o último trabalho encomendado pelo Comodoro.
Desta vez, tiveram que enfrentar pistoleiros que preparados ou não sabem atirar e os estragos foram de certa monta já que suas montarias foram executadas a tiros e eles voltaram sem elas, porém com o trabalho feito.
Charlie recebeu em troca um novo cavalo, robusto, forte e veloz, de nome Nimble, enquanto seu irmão Eli não teve a mesma sorte, recebera um cavalo não tão robusto, mais franzino e não tão rápido, enfim, ficou visível a insatisfação com sua nova cavalgadura, de Nome Tub.
Algo, porém, vem incomodando Eli, esta vida de assassino de aluguel já deu o que tinha que dar. Ele acalenta, no íntimo, o desejo de uma vida normal como tocar um rancho com algumas criações, sossegar e se casar, ou quem sabe se instalar numa cidadezinha com um comércio e tocar a vida sem atropelos e balas zunindo por todo lado.
Ademais, tem um pé de meia acumulado com os trabalhos bem executados para o Comodoro. Sente que é hora de dar um basta e seguir em frente, porque outra coisa o perturba – MATAR pessoas que nunca viu, que não lhe fizeram nada, de quem nada se sabe, se são inocentes ou não, só porque o Comodoro assim o quer, não basta para ele continuar. O problema é Charlie, porque gosta do que faz, e para ele tanto faz se são inocentes ou não, se fizeram algum mal ao Comodoro, o que importa é o dinheiro, e o contratante paga bem.
Para piorar o Comodoro achou por bem escalar Charlie para ser o Chefe da dupla, o que desagradou muito a Eli, que redarguiu que “nunca foi assim, CHEFE”.
Talvez você, caro leitor, esteja pensando que, por ser um FAROESTE, não se pode discutir questões existenciais e que seja um romance sem profundidade, o que posso dizer é que, certamente, do meu ponto de vista, seria um enorme engano pensar assim, porque o desenrolar do novo serviço para o Comodoro, que é matar Hermann Kermit Warm, pode acrescentar o ingrediente substancial para um desfecho, no mínimo, inusitado.
Pode parecer que há aqui “spoiler”, palavra abjeta, mas frequentemente usada para dizer que sou um estraga prazeres, mas este comentário pouco está distante da sinopse, portanto não cabe aqui a pecha de que adiantei qualquer coisa que você não saberá desde o início.
BEM-VINDO AO VELHO OESTE.
Por Claudio Lysias







